Começou a treinar, ganhou músculo nos primeiros meses e, de repente, parece que tudo parou? Apesar de continuar a treinar e a alimentar-se bem, já não vê diferenças no espelho nem sente aumentos de força?
Esta situação é muito comum e tem até um nome: platô de hipertrofia.
A boa notícia é que, na maioria dos casos, isso não significa que tenha atingido o seu limite genético. Normalmente existem fatores que podem ser identificados e corrigidos.
O corpo adapta-se ao treino
Quando inicia um programa de musculação, o organismo responde rapidamente a um estímulo novo.
Com o tempo, porém, o corpo adapta-se. Se continuar a fazer exatamente os mesmos exercícios, com as mesmas cargas, séries e repetições, o estímulo deixa de ser suficientemente desafiante para promover novas adaptações.
É por isso que a progressão é um dos princípios fundamentais do treino.
Está realmente a aumentar a carga?
Progressão não significa apenas colocar mais peso na barra.
Também pode consistir em:
- Fazer mais repetições.
- Aumentar o número de séries.
- Melhorar a técnica.
- Controlar melhor a fase de descida do movimento.
- Reduzir ligeiramente os tempos de descanso.
- Aumentar a frequência de treino.
Se o estímulo permanece igual durante meses, é natural que os ganhos abrandem.
Está a treinar com intensidade suficiente?
Muitas pessoas acreditam que treinam intensamente, mas terminam todas as séries muito longe da fadiga muscular.
Para promover hipertrofia, a maioria das séries deve terminar relativamente próxima da falha muscular, mantendo sempre uma técnica correta.
Isso não significa que seja necessário treinar até à falha em todos os exercícios, mas é importante que o músculo receba um estímulo suficiente para continuar a adaptar-se.
Está a recuperar adequadamente?
O músculo cresce durante a recuperação, não durante o treino.
Se não existir tempo suficiente para recuperar, os ganhos podem diminuir.
Os principais fatores de recuperação incluem:
- Dormir entre 7 e 9 horas por noite.
- Consumir proteína suficiente.
- Ingerir energia adequada.
- Gerir o stress.
- Respeitar os períodos de descanso entre treinos.
Treinar mais nem sempre significa evoluir mais.
Está a consumir proteína suficiente?
A proteína fornece os aminoácidos necessários para reparar e construir tecido muscular.
Para pessoas que pretendem aumentar a massa muscular, a evidência científica sugere, de forma geral, uma ingestão diária entre 1,4 e 2,2 g de proteína por quilograma de peso corporal, dependendo da idade, experiência de treino e objetivos.
Também é importante distribuir essa ingestão ao longo do dia.
Está a comer o suficiente?
Algumas pessoas treinam intensamente, mas ingerem poucas calorias.
Mesmo com bastante proteína, um défice energético prolongado pode limitar o crescimento muscular.
Se o objetivo é ganhar massa muscular, poderá ser necessário um ligeiro excedente calórico, ajustado às necessidades individuais.
Dorme mal?
Durante o sono ocorrem importantes processos de recuperação muscular.
Dormir poucas horas durante várias semanas pode reduzir a recuperação, diminuir o rendimento nos treinos e dificultar os ganhos de massa muscular.
O sono é frequentemente um dos fatores mais negligenciados.
A idade influencia?
Sim.
Com o envelhecimento, o organismo torna-se menos sensível aos estímulos que promovem a síntese de proteína muscular, um fenómeno conhecido como resistência anabólica.
No entanto, isso não significa que seja impossível ganhar músculo depois dos 50 ou 60 anos.
Pessoas mais velhas continuam a responder muito bem ao treino de força quando este é bem estruturado e acompanhado por uma alimentação adequada.
Está a variar demasiado o treino?
Mudar constantemente de programa pode impedir uma progressão consistente.
Por outro lado, nunca alterar o treino também pode limitar os resultados.
O equilíbrio está em manter os exercícios tempo suficiente para progredir, introduzindo alterações quando necessário e com um objetivo claro.
A importância da avaliação individual
Nem todos respondem ao treino da mesma forma.
Fatores como idade, experiência, historial de lesões, nível de atividade, alimentação, sono e objetivos influenciam os resultados.
Uma avaliação permite ajustar:
- O volume de treino.
- A intensidade.
- A frequência semanal.
- A seleção dos exercícios.
- A progressão da carga.
- A recuperação.
Pequenas alterações podem fazer uma grande diferença.
O que diz a ciência?
A investigação demonstra que a hipertrofia muscular depende da combinação de vários fatores: estímulo mecânico adequado, progressão da carga, recuperação, ingestão suficiente de proteína e energia, além de uma boa adesão ao programa.
Não existe um exercício, suplemento ou método milagroso. Os melhores resultados surgem quando o treino é individualizado e consistente ao longo do tempo.
Referências científicas
Schoenfeld BJ. Science and Development of Muscle Hypertrophy
https://us.humankinetics.com/products/science-and-development-of-muscle-hypertrophy-2nd-edition
Morton RW, Murphy KT, et al. A Systematic Review, Meta-analysis and Meta-regression of Protein Supplementation on Resistance Training-Induced Gains in Muscle Mass and Strength. British Journal of Sports Medicine. 2018
https://bjsm.bmj.com/content/52/6/376
Grgic J, Schoenfeld BJ, et al. Effects of Resistance Training Frequency on Measures of Muscle Hypertrophy
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27102172/
American College of Sports Medicine. ACSM’s Guidelines for Exercise Testing and Prescription
https://acsm.org/education-resources/books/guidelines-exercise-testing-prescription/
Phillips SM, Winett RA. Uncomplicated Resistance Training and Health-Related Outcomes. Current Sports Medicine Reports. 2010
https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC4086449/
Leitura complementar
Currier BS, McLeod JC, Phillips SM, et al. Resistance Training Prescription for Muscle Strength and Hypertrophy in Healthy Adults: A Systematic Review and Bayesian Network Meta-analysis
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37414459/
Phillips SM. Resistance Exercise: Good for More Than Just Grandma and Grandpa’s Muscles
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/18059595/
Posso ajudar?
Se sente que deixou de evoluir no treino, perdeu força ou não consegue aumentar a massa muscular apesar do esforço, uma avaliação individual pode identificar os fatores que estão a limitar os seus resultados.
Sou Marcelo Barros, Personal Trainer desde 1995, antigo Personal Trainer oficial da Men’s Health (2003–2015), especialista em joelho e coluna, com formação em Osteopatia e em P-DTR (Proprioceptive Deep Tendon Reflex).
Avalio a técnica de execução, a força, a mobilidade, a recuperação, o historial de lesões e a estrutura do treino para criar um programa totalmente personalizado, baseado na melhor evidência científica disponível.
As consultas decorrem presencialmente no Lemon Fit, no Parque das Nações (Lisboa), e também online por videochamada.
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