Como o exercício aumenta o BDNF?

Como o exercício aumenta o BDNF? May 30, 2026Leave a comment

Sempre que pratica exercício físico, o organismo desencadeia uma série de adaptações que beneficiam não apenas os músculos, mas também o cérebro. Uma das mais importantes é o aumento da produção do BDNF (Brain-Derived Neurotrophic Factor), uma proteína essencial para a saúde das células nervosas.

Durante o exercício, o coração bombeia mais sangue, aumentando o fornecimento de oxigénio e nutrientes ao cérebro. Esta melhoria da circulação cria um ambiente favorável para a produção de BDNF.

Ao mesmo tempo, os músculos em contração libertam moléculas chamadas miocinas, que comunicam com diferentes órgãos, incluindo o cérebro. Algumas destas substâncias parecem estimular diretamente ou indiretamente a produção de BDNF, reforçando a ligação entre a atividade muscular e a saúde cerebral.

Outro mecanismo importante é o aumento da atividade elétrica dos neurónios durante e após o exercício. Esta maior atividade favorece a expressão do gene responsável pela produção de BDNF, permitindo que o cérebro fortaleça as ligações entre neurónios e crie novas conexões.

Além disso, o exercício reduz a inflamação crónica e o stress oxidativo, dois fatores que podem diminuir os níveis de BDNF e acelerar o envelhecimento cerebral.

Que tipo de exercício é mais eficaz?

A maioria dos estudos demonstra que diferentes formas de exercício podem aumentar os níveis de BDNF.

Entre as que apresentam melhores resultados encontram-se:

• Treino de força.

• Caminhada rápida.

• Corrida.

• Ciclismo.

• Natação.

• Treino intervalado de alta intensidade (HIIT).

Os maiores benefícios parecem surgir quando existe prática regular e consistente ao longo do tempo, em vez de sessões muito intensas realizadas apenas ocasionalmente.

Quanto tempo demora a aumentar o BDNF?

Os níveis de BDNF podem aumentar logo após uma única sessão de exercício, sobretudo quando esta apresenta intensidade moderada a elevada.

No entanto, os benefícios mais importantes resultam da prática regular durante semanas ou meses. Com o tempo, o cérebro adapta-se, tornando-se mais eficiente na aprendizagem, memória e capacidade de recuperação.

Porque é importante após os 40 anos?

Com o envelhecimento, os níveis naturais de BDNF tendem a diminuir.

Esta redução está associada a uma menor capacidade de aprendizagem, maior risco de declínio cognitivo e menor plasticidade cerebral.

A prática regular de exercício físico é uma das estratégias não farmacológicas com maior evidência científica para contrariar essa diminuição, ajudando a preservar a memória, a concentração e a saúde cerebral durante o envelhecimento.

Conclusão

Sempre que pratica exercício físico, não está apenas a fortalecer os músculos ou a melhorar a condição física. Está também a estimular a produção de BDNF, uma proteína fundamental para proteger os neurónios, melhorar a memória, facilitar a aprendizagem e promover um envelhecimento cerebral mais saudável.

Treinar regularmente é uma das formas mais eficazes de investir simultaneamente na saúde do corpo e do cérebro.

Referências Científicas

Erickson KI, Hillman C, Kramer AF. Physical Activity, Brain, and Cognition. Nature Reviews Neuroscience.
https://www.nature.com/articles/nrn2298

Huang T, Larsen KT, Ried-Larsen M, Møller NC, Andersen LB. The effects of physical activity and exercise on brain-derived neurotrophic factor in healthy humans: A review.
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24013000/

Szuhany KL, Bugatti M, Otto MW. A meta-analytic review of the effects of exercise on brain-derived neurotrophic factor.
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25959043/

National Institute on Aging – Exercise and Brain Health.
https://www.nia.nih.gov/health/exercise-and-physical-activity