Durante muitos anos, as pessoas com artrose eram aconselhadas a evitar esforços físicos por receio de agravar o desgaste das articulações. Hoje, a evidência científica demonstra precisamente o contrário: o treino de força é uma das intervenções mais eficazes para reduzir os sintomas e melhorar a capacidade funcional.
Uma nova meta-análise reforça esta conclusão, mostrando que o treino de força melhora não só a função física, mas também a propriocepção, um fator essencial para a estabilidade articular e prevenção de quedas.
O que diz a ciência?
A análise reuniu diversos ensaios clínicos que avaliaram pessoas com artrose submetidas a programas de treino de força.
Os resultados demonstraram melhorias significativas em:
- força muscular;
- capacidade funcional;
- propriocepção;
- controlo do movimento;
- desempenho nas atividades do dia a dia.
Estes benefícios foram observados sobretudo em pessoas com artrose do joelho, mas também existem evidências favoráveis para outras articulações.
O que é a propriocepção?
A propriocepção é a capacidade que o cérebro tem para perceber a posição e o movimento das articulações sem necessidade de olhar para elas.
Quando existe artrose, esta capacidade pode diminuir, levando a:
- sensação de instabilidade;
- pior equilíbrio;
- maior risco de quedas;
- dificuldade em caminhar;
- menor confiança no movimento.
O treino de força ajuda a recuperar parte desta função ao melhorar a comunicação entre músculos, tendões, ligamentos e sistema nervoso.
Porque é que fortalecer ajuda?
Na artrose, os músculos que rodeiam a articulação tendem a perder força.
Como consequência, aumenta a carga suportada pela cartilagem e pelas restantes estruturas articulares.
Ao fortalecer os músculos:
- melhora-se a estabilidade da articulação;
- reduz-se a sobrecarga mecânica;
- melhora-se o controlo do movimento;
- aumenta-se a capacidade para realizar as atividades do dia a dia.
O treino desgasta mais a articulação?
Não.
Quando é bem orientado e adaptado às limitações individuais, o treino de força não acelera o desgaste da cartilagem.
Pelo contrário, contribui para melhorar a função, reduzir a dor e aumentar a qualidade de vida.
O mais importante é escolher exercícios adequados, respeitar a técnica correta e aumentar a carga de forma progressiva.
Como deve ser o treino?
A maioria dos programas eficazes inclui:
- 2 a 3 sessões por semana;
- exercícios para os principais grupos musculares;
- progressão gradual da carga;
- atenção à qualidade do movimento;
- adaptação ao nível de dor e capacidade funcional.
A combinação de treino de força com exercícios de equilíbrio e mobilidade pode potenciar ainda mais os resultados.
Aplicação prática
Se tem artrose, especialmente do joelho ou da anca:
- pratique treino de força regularmente;
- fortaleça os músculos que estabilizam a articulação;
- inclua exercícios de equilíbrio e propriocepção;
- aumente a carga de forma gradual e segura;
- procure orientação de um profissional qualificado quando necessário.
Conclusão
A evidência científica continua a confirmar que o treino de força é uma das melhores estratégias não farmacológicas para pessoas com artrose. Para além de aumentar a força muscular, melhora a função física, a propriocepção e a estabilidade articular, permitindo realizar as atividades do dia a dia com mais segurança, menos dor e maior qualidade de vida.
Referências científicas
- Meta-analysis on Resistance Training, Physical Function and Proprioception in Individuals with Osteoarthritis.
- Fransen M, et al. Exercise for osteoarthritis of the knee: Cochrane Systematic Review.
https://www.cochranelibrary.com
- Osteoarthritis Research Society International (OARSI). Guidelines for the non-surgical management of knee, hip and polyarticular osteoarthritis.
Nota: Este artigo é meramente informativo e não substitui a avaliação individualizada por um médico ou fisioterapeuta. O programa de treino deve ser adaptado ao tipo de artrose, sintomas e capacidade funcional de cada pessoa.