A lombalgia crónica é uma das principais causas de dor e incapacidade em todo o mundo. Afeta milhões de pessoas, limita as atividades do dia a dia e representa uma das razões mais frequentes para recorrer a consultas médicas e fisioterapia.
Durante muitos anos acreditou-se que o repouso era a melhor solução. Hoje sabemos exatamente o contrário.
Uma nova revisão sistemática reforça aquilo que as principais organizações internacionais recomendam há vários anos: o exercício físico é um dos tratamentos mais eficazes para a lombalgia crónica.
Porque é que o repouso já não é recomendado?
Quando a dor aparece, é natural reduzir os movimentos. No entanto, permanecer demasiado tempo em repouso pode provocar:
- perda de força muscular;
- diminuição da resistência;
- rigidez articular;
- redução da mobilidade;
- maior receio de se movimentar;
- agravamento da incapacidade.
Na maioria dos casos, manter-se ativo e regressar gradualmente ao movimento produz melhores resultados do que evitar toda a atividade física.
O que concluiu a revisão sistemática?
Os investigadores analisaram diversos estudos científicos de elevada qualidade e verificaram que os programas que combinam diferentes formas de exercício são os mais eficazes.
Os melhores resultados foram obtidos quando os programas incluíam:
- treino de força;
- exercícios de controlo motor;
- exercício aeróbio;
- educação do doente.
Esta combinação reduziu significativamente:
- a intensidade da dor;
- a incapacidade funcional;
- o medo do movimento;
- a limitação nas atividades diárias.
Além disso, muitos participantes relataram melhorias na qualidade de vida.
O treino de força é seguro?
Sim.
Quando devidamente adaptado, o treino de força é seguro e eficaz para a maioria das pessoas com lombalgia crónica.
O objetivo não é “forçar” a coluna, mas sim fortalecer progressivamente os músculos que ajudam a estabilizar o tronco e suportar as atividades do dia a dia.
Exercícios para glúteos, pernas, músculos abdominais e extensores da coluna podem desempenhar um papel importante, desde que sejam ajustados às necessidades de cada pessoa.
O que são exercícios de controlo motor?
São exercícios que procuram melhorar a coordenação e o controlo dos músculos responsáveis pela estabilidade da coluna.
Mais do que fortalecer um músculo isoladamente, estes exercícios ajudam o corpo a mover-se de forma mais eficiente e com maior confiança.
Podem incluir movimentos simples, realizados inicialmente com pouca carga, evoluindo progressivamente à medida que os sintomas diminuem.
E o exercício aeróbio?
Caminhar, pedalar, nadar ou utilizar uma bicicleta estática também pode ajudar.
O exercício aeróbio contribui para:
- reduzir a sensibilidade à dor;
- melhorar a condição física;
- aumentar a resistência;
- promover o bem-estar psicológico.
Não é necessário realizar atividades muito intensas. A regularidade é mais importante do que a intensidade.
Existe um exercício “milagroso”?
Não.
Uma das principais conclusões da revisão sistemática é que não existe um único exercício superior a todos os outros.
O fator mais importante parece ser a criação de um programa progressivo, individualizado e adaptado às capacidades de cada pessoa.
Ou seja, o sucesso depende mais da forma como o exercício é prescrito do que do exercício em si.
A progressão da carga faz a diferença
Outro aspeto fundamental identificado pelos investigadores foi a importância da progressão gradual.
À medida que a dor diminui e a função melhora, o organismo deve ser desafiado com cargas progressivamente maiores.
Esta progressão permite:
- aumentar a força;
- melhorar a resistência;
- recuperar a confiança no movimento;
- reduzir o risco de novas crises.
O papel da educação
A educação do doente continua a ser um dos pilares do tratamento.
Compreender que a dor nem sempre significa lesão grave ajuda a reduzir o medo, aumentar a confiança e melhorar a adesão ao programa de exercício.
Em muitos casos, pequenas mudanças na forma de encarar a dor podem ter um impacto muito positivo na recuperação.
Conclusão
A evidência científica é clara: o exercício físico continua a ser um dos tratamentos mais eficazes para a lombalgia crónica.
Os melhores resultados são obtidos através da combinação de treino de força, exercícios de controlo motor, atividade aeróbia e educação, sempre com uma progressão adequada às capacidades individuais.
Não existe um exercício milagroso, mas existe uma estratégia comprovada: manter-se ativo, fortalecer o corpo e progredir de forma gradual e consistente.
Posso ajudar?
Se sofre de dores lombares e pretende recuperar de forma segura, posso ajudá-lo a criar um programa de exercício personalizado, baseado na evidência científica mais recente.
O acompanhamento é adaptado ao seu nível de dor, condição física e objetivos, permitindo recuperar a confiança no movimento e regressar às suas atividades com mais segurança.
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Referências científicas
World Health Organization – Low back pain:
https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/low-back-pain
The Lancet – Series on Low Back Pain:
https://www.thelancet.com/series/low-back-pain
European Guidelines for the Management of Chronic Low Back Pain:
https://www.eurospine.org
Cochrane Library – Exercise therapy for chronic low back pain:
https://www.cochranelibrary.com/