Shatavari na menopausa: benefícios reais ou mais uma moda?

Shatavari na menopausa: benefícios reais ou mais uma moda? July 9, 2026Leave a comment

A menopausa representa uma fase natural da vida da mulher, mas pode ser acompanhada por sintomas que diminuem significativamente a qualidade de vida. Afrontamentos, alterações de humor, insónias, secura vaginal, diminuição da libido e alterações da densidade óssea são apenas alguns dos desafios mais frequentes.

Embora a terapêutica hormonal continue a ser o tratamento mais eficaz para muitas mulheres, existe um interesse crescente em alternativas naturais. Entre elas destaca-se o Shatavari (Asparagus racemosus), uma planta utilizada há milhares de anos pela medicina ayurvédica e que, nos últimos anos, começou a ser estudada pela ciência moderna.

Mas será que os seus benefícios são reais? E o que dizem os estudos mais recentes?

O que é o Shatavari?

O Shatavari é uma planta medicinal originária da Índia. O seu nome significa aproximadamente “aquela que possui cem maridos”, uma referência tradicional à saúde feminina e à fertilidade.

Na medicina ayurvédica é utilizada há séculos para apoiar diferentes fases da vida da mulher, incluindo:

  • fertilidade;
  • gravidez;
  • amamentação;
  • menopausa.

Os seus principais compostos ativos são as saponinas esteroidais, conhecidas como shatavarinas, além de flavonoides e outros antioxidantes.

Como poderá atuar?

Ao contrário dos medicamentos hormonais, o Shatavari não fornece estrogénios ao organismo.

Pensa-se que alguns dos seus compostos apresentam uma atividade semelhante à dos fitoestrogénios, podendo interagir de forma moderada com os recetores de estrogénio.

Além disso, possui propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias que podem contribuir para uma melhor adaptação às alterações hormonais da menopausa.

Importa referir que estes mecanismos ainda continuam a ser investigados.

O que dizem os estudos?

Nos últimos anos foram publicados diversos ensaios clínicos e revisões científicas.

Embora o número de estudos ainda seja relativamente reduzido, os resultados são encorajadores.

As mulheres que tomaram extrato padronizado de Shatavari apresentaram melhorias em vários sintomas associados à menopausa quando comparadas com placebo.

No entanto, os investigadores referem que ainda são necessários estudos maiores e com maior duração.

Redução dos afrontamentos

Os afrontamentos são provavelmente o sintoma mais conhecido da menopausa.

Alguns ensaios clínicos verificaram uma diminuição da frequência e da intensidade destes episódios após várias semanas de suplementação.

Embora o efeito seja inferior ao da terapêutica hormonal, poderá representar uma alternativa interessante para mulheres que não podem ou não desejam utilizar hormonas.

Melhor qualidade do sono

As alterações hormonais podem perturbar profundamente o sono.

Vários estudos observaram melhorias na qualidade do sono e uma redução dos despertares noturnos.

Dormir melhor poderá também contribuir para diminuir o cansaço, melhorar o humor e aumentar a energia ao longo do dia.

Humor e bem-estar

Durante a menopausa é frequente surgirem irritabilidade, ansiedade e alterações emocionais.

Embora a evidência ainda seja limitada, alguns estudos sugerem melhorias ligeiras nestes parâmetros.

Uma hipótese é que a redução dos afrontamentos e das perturbações do sono contribua indiretamente para uma maior estabilidade emocional.

Saúde sexual

A diminuição dos estrogénios pode provocar secura vaginal, desconforto durante as relações sexuais e redução da libido.

Alguns estudos indicam que o Shatavari poderá melhorar o conforto vaginal e a função sexual, embora os resultados ainda não sejam consistentes.

São necessários ensaios clínicos maiores para confirmar estes benefícios.

Massa muscular e saúde óssea

Um dos aspetos mais interessantes da investigação recente é o possível efeito do Shatavari sobre o músculo.

Alguns estudos sugerem melhorias modestas na força muscular, especialmente quando associado ao treino de força.

Este efeito poderá ser importante porque a menopausa acelera naturalmente a perda de massa muscular.

Relativamente ao osso, ainda não existem provas suficientes para afirmar que o Shatavari previne a osteoporose.

A prática regular de exercício físico, sobretudo treino de força, continua a ser uma das estratégias mais eficazes para preservar a massa óssea.

Tem propriedades antioxidantes

A planta contém diversos compostos antioxidantes capazes de neutralizar radicais livres.

Embora este efeito seja frequentemente referido, ainda não está demonstrado que produza benefícios clínicos relevantes na menopausa.

É seguro?

Os estudos disponíveis sugerem que o Shatavari é geralmente bem tolerado.

Os efeitos adversos mais descritos incluem:

  • desconforto gastrointestinal;
  • náuseas ligeiras;
  • distensão abdominal.

Pessoas com alergia aos espargos poderão apresentar maior risco de reação.

Também não existem dados suficientes sobre a utilização prolongada durante vários anos.

Quem deve evitar?

Apesar de ser um suplemento natural, isso não significa que seja adequado para todas as pessoas.

Mulheres com história de cancros hormonodependentes, como alguns tipos de cancro da mama ou do endométrio, devem discutir previamente a sua utilização com o médico.

O mesmo se aplica a quem toma terapêutica hormonal ou outros medicamentos que possam interagir com suplementos.

Vale a pena experimentar?

A evidência científica atual sugere que o Shatavari poderá ajudar algumas mulheres a reduzir sintomas ligeiros ou moderados da menopausa.

No entanto, não deve ser encarado como uma solução milagrosa nem como substituto dos tratamentos médicos quando estes são necessários.

Os maiores benefícios continuam a resultar de uma abordagem global que inclua:

  • alimentação equilibrada;
  • treino de força regular;
  • atividade física diária;
  • sono adequado;
  • controlo do stress;
  • acompanhamento médico sempre que necessário.

Conclusão

O Shatavari é uma das plantas medicinais mais estudadas para a saúde feminina e apresenta resultados promissores na menopausa.

Os estudos sugerem melhorias modestas nos afrontamentos, qualidade do sono, bem-estar e função sexual, além de um possível benefício na força muscular.

Apesar disso, a investigação ainda é relativamente recente e são necessários ensaios clínicos de maior dimensão para confirmar estes efeitos.

Para muitas mulheres poderá representar um complemento interessante dentro de um estilo de vida saudável, mas não substitui uma alimentação equilibrada, exercício físico regular nem o acompanhamento por profissionais de saúde.

Posso ajudar?

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Referências científicas