A ciência da longevidade procura identificar moléculas capazes de atrasar o envelhecimento e preservar a saúde durante mais anos. Entre elas, uma das mais estudadas é a proteína Klotho, frequentemente apelidada de “proteína da longevidade”.
Nos últimos anos, vários investigadores começaram também a olhar para um composto natural presente em muitos alimentos: a quercetina.
Mas será que consumir mais quercetina pode realmente aumentar os níveis de Klotho? E isso traduz-se numa vida mais longa?
O que é a proteína Klotho?
A Klotho foi descoberta em 1997 e rapidamente despertou enorme interesse.
Animais que produzem pouca Klotho envelhecem muito mais rapidamente, desenvolvendo:
- osteoporose;
- perda de massa muscular;
- doenças cardiovasculares;
- deterioração cognitiva;
- redução da esperança de vida.
Pelo contrário, níveis mais elevados desta proteína estão associados a:
- melhor função cerebral;
- maior sensibilidade à insulina;
- menor inflamação;
- melhor saúde vascular;
- melhor função renal;
- envelhecimento mais lento.
Em humanos, níveis elevados de Klotho estão associados a melhor capacidade física e menor risco de várias doenças relacionadas com a idade.
O que é a quercetina?
A quercetina é um flavonoide encontrado naturalmente em alimentos como:
- cebola (especialmente a roxa);
- maçã;
- frutos vermelhos;
- alcaparras;
- couve;
- brócolos;
- uvas;
- chá verde.
É conhecida pelas suas propriedades:
- antioxidantes;
- anti-inflamatórias;
- protetoras das células;
- moduladoras do sistema imunitário.
Quercetina e Klotho
Nos últimos anos surgiram estudos que sugerem uma ligação entre estas duas moléculas.
Alguns trabalhos em humanos observaram que pessoas com maior ingestão alimentar de quercetina tendem a apresentar níveis circulantes mais elevados de Klotho, mesmo após ajuste para idade, sexo e outros fatores de estilo de vida.
Embora estes estudos sejam observacionais e não provem causa-efeito, levantam a hipótese de que uma alimentação rica em alimentos com quercetina possa contribuir para manter esta proteína em níveis mais elevados.
O que mostram os estudos em animais?
Em estudos laboratoriais, a quercetina demonstrou capacidade para:
- reduzir o stress oxidativo;
- diminuir a inflamação crónica;
- melhorar a função mitocondrial;
- proteger o ADN;
- reduzir a acumulação de células senescentes.
Alguns modelos animais também mostraram aumento da expressão da proteína Klotho.
Em determinadas experiências, alguns ratos tratados apresentaram aumentos importantes da esperança de vida, por vezes próximos dos 30%. Contudo, estes resultados dependem do modelo animal, da dose utilizada e das condições experimentais, pelo que não podem ser extrapolados diretamente para seres humanos.
Porque poderá funcionar?
Acredita-se que a quercetina atua através de vários mecanismos em simultâneo.
Entre eles:
- ativação das sirtuínas;
- melhoria da função mitocondrial;
- redução da inflamação de baixo grau;
- diminuição do stress oxidativo;
- eliminação parcial de células senescentes quando combinada com outros compostos.
Todos estes mecanismos estão intimamente ligados ao envelhecimento saudável.
Deve tomar suplementos?
Ainda não existe evidência suficiente para recomendar suplementos de quercetina com o objetivo específico de aumentar a longevidade.
A maioria dos especialistas recomenda privilegiar uma alimentação rica em frutas, legumes e outros alimentos naturalmente ricos neste flavonoide.
A suplementação poderá ser útil em situações específicas, mas deve ser individualizada.
Como aumentar naturalmente a Klotho?
A investigação mostra que vários hábitos parecem favorecer níveis mais elevados desta proteína:
- exercício físico regular, sobretudo treino de força;
- sono adequado;
- alimentação mediterrânica;
- controlo da glicemia;
- manutenção de um peso saudável;
- redução do tabagismo;
- ingestão adequada de alimentos ricos em polifenóis, incluindo quercetina.
Conclusão
A proteína Klotho é uma das moléculas mais promissoras na investigação da longevidade.
A quercetina surge como um dos compostos naturais mais interessantes devido à sua capacidade de reduzir inflamação, proteger as células e, potencialmente, aumentar a expressão desta proteína.
Apesar dos resultados muito animadores em estudos laboratoriais e em modelos animais, ainda são necessários ensaios clínicos robustos para confirmar que aumentar a ingestão de quercetina prolonga a esperança de vida em humanos.
Enquanto essa evidência não chega, a melhor estratégia continua a ser simples: uma alimentação rica em vegetais, fruta, exercício físico regular, sono de qualidade e um estilo de vida saudável permanecem as intervenções com maior suporte científico para promover uma vida mais longa e com melhor qualidade.
Referências
- Dubal DB, et al. Life extension factor Klotho enhances cognition. Cell Reports. 2014.
- Kuro-o M. Klotho and aging. Biochimica et Biophysica Acta. 2009.
- Kuro-o M. The Klotho proteins in health and disease. Nature Reviews Nephrology. 2019.
- Xiao NM, et al. Association between dietary flavonoids and circulating soluble Klotho in adults. Frontiers in Nutrition. 2024.
- Li Y, et al. Quercetin and healthy ageing: mechanisms and therapeutic potential. Nutrients. 2023.
- Salehi B, et al. Therapeutic potential of quercetin. Phytotherapy Research. 2020.
Links das referências