Correr mais depressa é um objetivo comum entre corredores recreativos e atletas. No entanto, aumentar a velocidade não depende apenas de correr mais vezes ou de fazer mais quilómetros. A investigação científica mostra que a velocidade resulta da combinação entre capacidade cardiovascular, força muscular, técnica de corrida, economia de movimento e recuperação adequada.
A boa notícia é que praticamente qualquer corredor pode tornar-se mais rápido com um treino bem estruturado. Mesmo pequenas melhorias na técnica, na força ou na capacidade aeróbia podem traduzir-se em ganhos significativos de desempenho.
O segredo não é correr sempre no limite, mas combinar diferentes tipos de treino que estimulem adaptações específicas.
Construa primeiro uma boa base aeróbia
Antes de procurar correr muito depressa, é importante desenvolver resistência.
Uma boa capacidade aeróbia permite manter velocidades mais elevadas durante mais tempo e recuperar mais rapidamente entre esforços.
A maioria dos quilómetros deve ser realizada a um ritmo confortável, no qual ainda seja possível conversar.
Esta base melhora a eficiência cardiovascular e prepara o organismo para treinos mais intensos.
Aumente o VO₂ máximo
O VO₂ máximo é um dos principais determinantes da velocidade na corrida.
Quanto maior for a capacidade de utilizar oxigénio, maior será a produção de energia durante o esforço.
Para estimular esta adaptação são particularmente eficazes:
- treino intervalado;
- fartlek;
- subidas;
- corrida contínua a intensidade moderada-alta.
Estas sessões devem ser realizadas apenas uma ou duas vezes por semana.
Faça treino intervalado
O treino intervalado é uma das estratégias mais eficazes para aumentar a velocidade.
Alguns exemplos incluem:
- 6 × 400 metros rápidos;
- 8 × 1 minuto rápido com 2 minutos de recuperação;
- 5 × 3 minutos a ritmo intenso.
Durante estes treinos trabalha-se perto da intensidade máxima, melhorando simultaneamente o VO₂ máximo e a tolerância ao esforço.
Inclua sessões de fartlek
O fartlek (“jogo de velocidade”) consiste em alternar ritmos rápidos e lentos de forma menos estruturada.
Por exemplo:
- correr rapidamente até ao próximo poste;
- recuperar durante dois minutos;
- voltar a acelerar numa subida.
Este método melhora a velocidade, a resistência e torna o treino mais motivador.
Treine em subidas
As subidas funcionam como um treino de força específico para corredores.
Ao correr em inclinação desenvolvem-se:
- potência muscular;
- força das pernas;
- capacidade cardiovascular;
- técnica de corrida.
Uma sessão simples pode incluir:
- aquecimento;
- 8 a 10 subidas de 20 a 40 segundos;
- recuperação caminhando na descida.
Faça treino de força
Um dos maiores erros dos corredores é ignorar o treino de força.
Músculos mais fortes produzem mais força em menos tempo e tornam cada passada mais eficiente.
Os exercícios mais importantes incluem:
- agachamentos;
- peso morto;
- lunges;
- elevação da anca;
- gémeos;
- trabalho do core.
Duas sessões semanais são suficientes para melhorar significativamente o desempenho.
Melhore a técnica de corrida
Uma técnica eficiente reduz o desperdício de energia.
Alguns aspetos importantes incluem:
- passada natural, evitando exagerar o comprimento;
- ligeira inclinação do tronco para a frente;
- braços descontraídos;
- contacto rápido com o solo;
- cadência relativamente elevada.
Pequenas melhorias técnicas podem aumentar a velocidade sem aumentar o esforço.
Trabalhe a economia de corrida
A economia de corrida corresponde à quantidade de energia necessária para correr a determinada velocidade.
Quanto mais económico for o corredor, menos energia gasta para manter o mesmo ritmo.
Esta capacidade melhora com:
- treino regular;
- treino de força;
- exercícios de técnica;
- corrida em diferentes ritmos.
Não corra sempre depressa
Muitos corredores cometem o erro de realizar todos os treinos praticamente à mesma intensidade.
Este tipo de treino produz fadiga, aumenta o risco de lesão e limita a evolução.
A maior parte das sessões deve ser realizada a baixa intensidade.
Os treinos rápidos devem representar apenas uma pequena parte da carga semanal.
Durma bem
Grande parte das adaptações ocorre durante o descanso.
Dormir entre sete e nove horas por noite melhora:
- recuperação muscular;
- produção hormonal;
- desempenho;
- capacidade de realizar treinos intensos.
Dormir pouco limita a evolução, mesmo quando o plano de treino é excelente.
Alimente-se adequadamente
Uma alimentação equilibrada fornece energia para treinar e recuperar.
Para corredores, é importante garantir:
- hidratos de carbono suficientes para suportar os treinos;
- proteína para recuperação muscular;
- frutas e vegetais ricos em vitaminas e minerais;
- boa hidratação.
Treinar constantemente com baixa disponibilidade energética pode prejudicar o desempenho.
Respeite a recuperação
A velocidade melhora durante a recuperação e não durante o treino.
Dias de descanso ou de treino muito leve permitem ao organismo adaptar-se.
Treinar intensamente todos os dias aumenta o risco de lesão, fadiga e perda de rendimento.
Seja consistente
Ganhar velocidade exige tempo.
Na maioria das pessoas, melhorias significativas começam a surgir após oito a doze semanas de treino consistente.
O progresso raramente é linear, mas a persistência acaba por produzir resultados.
Conclusão
Correr mais depressa não depende apenas do talento. A combinação entre treino aeróbio, treino intervalado, fartlek, trabalho em subidas, treino de força, técnica eficiente e recuperação adequada permite melhorar significativamente a velocidade em qualquer idade.
O objetivo deve ser desenvolver um organismo mais eficiente e resistente, em vez de simplesmente correr sempre no limite. Com um programa bem estruturado e progressivo, é possível correr mais rápido, reduzir o risco de lesões e desfrutar ainda mais da corrida.
Posso ajudar?
Se pretende aumentar a velocidade na corrida, melhorar o seu VO₂ máximo ou preparar-se para uma prova, posso ajudá-lo a desenvolver um plano de treino personalizado, adaptado ao seu nível de condição física e baseado na melhor evidência científica disponível.
Referências científicas
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