Porque Chamamos “Flexões” às Extensões de Braços?

Porque Chamamos “Flexões” às Extensões de Braços? March 16, 2026Leave a comment

 

Se frequenta um ginásio ou pratica exercício físico, certamente já ouviu expressões como:

  • “Faz 20 flexões.”
  • “Quantas flexões consegues fazer?”
  • “As flexões são um excelente exercício.”

Curiosamente, existe um detalhe anatómico interessante: aquilo que a maioria das pessoas chama de flexões é, na realidade, um exercício que envolve principalmente uma extensão dos braços durante a fase de subida.

Então porque razão continuamos a chamar-lhes flexões?

A resposta está relacionada com a forma como o exercício foi historicamente descrito e com os movimentos das diferentes articulações envolvidas.

O que é uma flexão?

Na anatomia, uma flexão corresponde normalmente à diminuição do ângulo entre dois segmentos corporais.

Por exemplo:

  • Dobrar o cotovelo é uma flexão do cotovelo.
  • Aproximar a coxa do tronco é uma flexão da anca.
  • Aproximar o antebraço do braço é uma flexão do cotovelo.

O movimento oposto chama-se extensão.

Por isso, quando observamos apenas o cotovelo durante uma flexão de braços tradicional, verificamos que na fase de subida ocorre sobretudo uma extensão do cotovelo.

Então o nome está errado?

Não exatamente.

O problema surge porque muitas pessoas analisam apenas uma articulação.

As flexões de braços são um movimento complexo que envolve várias articulações ao mesmo tempo.

Durante a execução participam:

  • Ombros
  • Cotovelos
  • Escápulas
  • Coluna
  • Ancas

Dependendo da articulação observada, podem ocorrer movimentos de flexão e extensão simultaneamente.

O papel do ombro

Historicamente, muitos autores descreviam este exercício considerando sobretudo o movimento do ombro.

Durante a descida, ocorre um movimento que envolve uma maior flexão horizontal do ombro.

Durante a subida, ocorre a ação contrária.

Por isso, ao longo do tempo, o termo “flexão de braços” acabou por se popularizar.

Na prática, tornou-se uma designação tradicional mais do que uma descrição anatómica rigorosa.

E porque também se diz “extensões de braços”?

Alguns profissionais preferem utilizar a expressão “extensão de braços” porque observam principalmente o movimento dos cotovelos.

Durante a fase ativa de subida:

  • Os tríceps contraem-se.
  • O cotovelo estende-se.
  • O corpo afasta-se do solo.

Sob esta perspetiva, a designação faz sentido.

No entanto, como o exercício envolve muito mais do que o movimento do cotovelo, ambas as interpretações têm limitações.

Como é chamado noutros países?

Em inglês, o exercício é conhecido como:

Push-up

Traduzido literalmente significa algo semelhante a:

Empurrar para cima.

Esta designação evita a discussão anatómica porque descreve a ação realizada e não o movimento específico de uma articulação.

Por isso, muitos profissionais consideram “push-up” uma descrição mais prática.

Quais os músculos envolvidos?

Independentemente do nome utilizado, este continua a ser um dos exercícios mais completos para o tronco superior.

Os principais músculos envolvidos incluem:

Peitoral maior

Responsável por grande parte da produção de força.

Tríceps braquial

Participa na extensão dos cotovelos.

Deltoide anterior

Ajuda no movimento do ombro.

Serrátil anterior

Importante para a estabilidade e movimento das escápulas.

Músculos do tronco

Ajudam a manter o alinhamento corporal durante todo o exercício.

Porque continua o nome “flexão” a ser tão utilizado?

A linguagem do exercício físico nem sempre segue rigorosamente a terminologia anatómica.

Existem vários exemplos semelhantes.

Ao longo dos anos, alguns nomes tornaram-se tão populares que acabaram por ser aceites na prática diária.

Hoje, quando alguém fala em “flexões”, praticamente toda a gente sabe a que exercício se refere.

Por isso, mesmo que a designação não seja perfeita do ponto de vista anatómico, continua a ser útil para comunicar.

O mais importante não é o nome

Embora a discussão seja interessante, o mais importante continua a ser a execução.

Uma boa flexão de braços deve incluir:

  • Alinhamento corporal
  • Controlo do movimento
  • Estabilidade do tronco
  • Amplitude adequada
  • Respiração coordenada

Estes fatores têm muito mais impacto nos resultados do que a designação utilizada.

Flexões continuam a ser um excelente exercício

As flexões de braços apresentam várias vantagens:

  • Não exigem equipamento
  • Podem ser realizadas em qualquer lugar
  • Trabalham vários grupos musculares
  • Permitem múltiplas progressões
  • Desenvolvem força relativa

Por esse motivo, continuam a ser um dos exercícios mais utilizados em programas de treino, preparação física e reabilitação.

Conclusão

Embora seja comum chamarmos “flexões” às extensões de braços, a explicação está relacionada com a evolução histórica da terminologia e com a complexidade dos movimentos envolvidos.

Durante o exercício ocorrem movimentos em várias articulações, incluindo ombros, cotovelos e escápulas.

Por isso, nenhuma designação descreve perfeitamente tudo o que acontece.

Independentemente do nome utilizado, as flexões de braços continuam a ser um dos exercícios mais eficazes para desenvolver força, coordenação e controlo corporal.

Referências Científicas

https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29564973/

https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22158142/

https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22201691/

https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28713563/

Posso ajudar?

Se pretende aprender a executar corretamente exercícios como flexões, agachamentos ou treino de força, posso ajudá-lo através de uma avaliação individualizada e de um plano adaptado aos seus objetivos e limitações.

Atendo presencialmente e online.

Marcelo Barros
Personal Trainer desde 1995
Ex-Personal Trainer Oficial da Men’s Health (2003-2015)
Especialista em Joelho e Coluna
Formação em Osteopatia
Formação em P-DTR (Proprioceptive Deep Tendon Reflex)
Formação em Motor Ocular com o Prof. Rui Faria (2026)
Certificado PROCAFD n.º 292
NASM Certified Personal Trainer

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Nota: Este artigo tem fins exclusivamente informativos e educativos. Não substitui a avaliação, diagnóstico ou tratamento por um profissional de saúde qualificado.