Se frequenta um ginásio ou pratica exercício físico, certamente já ouviu expressões como:
- “Faz 20 flexões.”
- “Quantas flexões consegues fazer?”
- “As flexões são um excelente exercício.”
Curiosamente, existe um detalhe anatómico interessante: aquilo que a maioria das pessoas chama de flexões é, na realidade, um exercício que envolve principalmente uma extensão dos braços durante a fase de subida.
Então porque razão continuamos a chamar-lhes flexões?
A resposta está relacionada com a forma como o exercício foi historicamente descrito e com os movimentos das diferentes articulações envolvidas.
O que é uma flexão?
Na anatomia, uma flexão corresponde normalmente à diminuição do ângulo entre dois segmentos corporais.
Por exemplo:
- Dobrar o cotovelo é uma flexão do cotovelo.
- Aproximar a coxa do tronco é uma flexão da anca.
- Aproximar o antebraço do braço é uma flexão do cotovelo.
O movimento oposto chama-se extensão.
Por isso, quando observamos apenas o cotovelo durante uma flexão de braços tradicional, verificamos que na fase de subida ocorre sobretudo uma extensão do cotovelo.
Então o nome está errado?
Não exatamente.
O problema surge porque muitas pessoas analisam apenas uma articulação.
As flexões de braços são um movimento complexo que envolve várias articulações ao mesmo tempo.
Durante a execução participam:
- Ombros
- Cotovelos
- Escápulas
- Coluna
- Ancas
Dependendo da articulação observada, podem ocorrer movimentos de flexão e extensão simultaneamente.
O papel do ombro
Historicamente, muitos autores descreviam este exercício considerando sobretudo o movimento do ombro.
Durante a descida, ocorre um movimento que envolve uma maior flexão horizontal do ombro.
Durante a subida, ocorre a ação contrária.
Por isso, ao longo do tempo, o termo “flexão de braços” acabou por se popularizar.
Na prática, tornou-se uma designação tradicional mais do que uma descrição anatómica rigorosa.
E porque também se diz “extensões de braços”?
Alguns profissionais preferem utilizar a expressão “extensão de braços” porque observam principalmente o movimento dos cotovelos.
Durante a fase ativa de subida:
- Os tríceps contraem-se.
- O cotovelo estende-se.
- O corpo afasta-se do solo.
Sob esta perspetiva, a designação faz sentido.
No entanto, como o exercício envolve muito mais do que o movimento do cotovelo, ambas as interpretações têm limitações.
Como é chamado noutros países?
Em inglês, o exercício é conhecido como:
Push-up
Traduzido literalmente significa algo semelhante a:
Empurrar para cima.
Esta designação evita a discussão anatómica porque descreve a ação realizada e não o movimento específico de uma articulação.
Por isso, muitos profissionais consideram “push-up” uma descrição mais prática.
Quais os músculos envolvidos?
Independentemente do nome utilizado, este continua a ser um dos exercícios mais completos para o tronco superior.
Os principais músculos envolvidos incluem:
Peitoral maior
Responsável por grande parte da produção de força.
Tríceps braquial
Participa na extensão dos cotovelos.
Deltoide anterior
Ajuda no movimento do ombro.
Serrátil anterior
Importante para a estabilidade e movimento das escápulas.
Músculos do tronco
Ajudam a manter o alinhamento corporal durante todo o exercício.
Porque continua o nome “flexão” a ser tão utilizado?
A linguagem do exercício físico nem sempre segue rigorosamente a terminologia anatómica.
Existem vários exemplos semelhantes.
Ao longo dos anos, alguns nomes tornaram-se tão populares que acabaram por ser aceites na prática diária.
Hoje, quando alguém fala em “flexões”, praticamente toda a gente sabe a que exercício se refere.
Por isso, mesmo que a designação não seja perfeita do ponto de vista anatómico, continua a ser útil para comunicar.
O mais importante não é o nome
Embora a discussão seja interessante, o mais importante continua a ser a execução.
Uma boa flexão de braços deve incluir:
- Alinhamento corporal
- Controlo do movimento
- Estabilidade do tronco
- Amplitude adequada
- Respiração coordenada
Estes fatores têm muito mais impacto nos resultados do que a designação utilizada.
Flexões continuam a ser um excelente exercício
As flexões de braços apresentam várias vantagens:
- Não exigem equipamento
- Podem ser realizadas em qualquer lugar
- Trabalham vários grupos musculares
- Permitem múltiplas progressões
- Desenvolvem força relativa
Por esse motivo, continuam a ser um dos exercícios mais utilizados em programas de treino, preparação física e reabilitação.
Conclusão
Embora seja comum chamarmos “flexões” às extensões de braços, a explicação está relacionada com a evolução histórica da terminologia e com a complexidade dos movimentos envolvidos.
Durante o exercício ocorrem movimentos em várias articulações, incluindo ombros, cotovelos e escápulas.
Por isso, nenhuma designação descreve perfeitamente tudo o que acontece.
Independentemente do nome utilizado, as flexões de braços continuam a ser um dos exercícios mais eficazes para desenvolver força, coordenação e controlo corporal.
Referências Científicas
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29564973/
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22158142/
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22201691/
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28713563/
Posso ajudar?
Se pretende aprender a executar corretamente exercícios como flexões, agachamentos ou treino de força, posso ajudá-lo através de uma avaliação individualizada e de um plano adaptado aos seus objetivos e limitações.
Atendo presencialmente e online.
Marcelo Barros
Personal Trainer desde 1995
Ex-Personal Trainer Oficial da Men’s Health (2003-2015)
Especialista em Joelho e Coluna
Formação em Osteopatia
Formação em P-DTR (Proprioceptive Deep Tendon Reflex)
Formação em Motor Ocular com o Prof. Rui Faria (2026)
Certificado PROCAFD n.º 292
NASM Certified Personal Trainer
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Nota: Este artigo tem fins exclusivamente informativos e educativos. Não substitui a avaliação, diagnóstico ou tratamento por um profissional de saúde qualificado.