A proteína em excesso transforma-se em gordura? O que diz a ciência

A proteína em excesso transforma-se em gordura? O que diz a ciência July 9, 2026Leave a comment

É uma dúvida muito frequente: se comer mais proteína do que o meu corpo precisa, essa proteína transforma-se em gordura?

A resposta é mais complexa do que um simples “sim” ou “não”.

Em teoria, qualquer macronutriente — proteína, hidratos de carbono ou gordura — pode contribuir para o aumento da gordura corporal se houver um consumo crónico de calorias superior ao gasto energético.

No entanto, a proteína é o nutriente com menor tendência para ser armazenado como gordura.

O que acontece quando comemos proteína?

Depois de ser ingerida, a proteína é digerida em aminoácidos.

Esses aminoácidos são utilizados para inúmeras funções essenciais:

  • construir e reparar músculo;
  • produzir enzimas;
  • fabricar hormonas;
  • formar anticorpos;
  • renovar pele, cabelo e órgãos;
  • manter praticamente todos os tecidos do organismo.

Só quando estas necessidades estão satisfeitas e existe um excesso energético prolongado é que parte da energia proveniente da proteína pode contribuir para o armazenamento de gordura.

Transformar proteína em gordura dá trabalho ao organismo

Ao contrário da gordura alimentar, que pode ser armazenada de forma relativamente eficiente, a proteína necessita de vários passos metabólicos antes de poder contribuir para o armazenamento de gordura.

Primeiro é necessário remover o grupo azotado dos aminoácidos, processo conhecido por desaminação.

Depois, o restante pode ser utilizado para produzir energia, glicose ou, em determinadas circunstâncias, ser convertido em gordura.

Todo este processo consome energia.

O efeito térmico da proteína

A proteína apresenta o maior efeito térmico dos alimentos.

Isto significa que o organismo gasta uma parte significativa das calorias apenas para a digerir, absorver e metabolizar.

Em média:

  • proteína: cerca de 20 a 30% das calorias ingeridas são gastas no processamento;
  • hidratos de carbono: aproximadamente 5 a 10%;
  • gordura: apenas 0 a 3%.

Por isso, uma parte importante das calorias provenientes da proteína nunca chega a estar disponível para armazenamento.

O que dizem os estudos?

Vários estudos controlados mostraram que dietas ricas em proteína tendem a:

  • aumentar a saciedade;
  • preservar a massa muscular durante a perda de peso;
  • aumentar ligeiramente o gasto energético diário;
  • reduzir a fome entre refeições.

Algumas investigações observaram mesmo que pessoas que consumiram grandes quantidades de proteína durante várias semanas ganharam pouca ou nenhuma gordura adicional quando o treino de força era mantido.

Isto não significa que seja impossível engordar com proteína, mas mostra que o organismo lida com ela de forma diferente dos outros macronutrientes.

Então é impossível engordar com proteína?

Não.

Se existir um excesso calórico importante durante muito tempo, o peso corporal aumentará.

A proteína não “escapa” às leis da termodinâmica.

No entanto, comparando calorias iguais provenientes de proteína ou de gordura, a proteína tende a favorecer menos o armazenamento de gordura devido ao seu elevado custo metabólico e ao seu efeito na saciedade.

Quem pode beneficiar de uma dieta rica em proteína?

Uma ingestão adequada de proteína pode ser particularmente útil para:

  • pessoas que pretendem perder gordura;
  • praticantes de treino de força;
  • adultos com mais de 40 anos;
  • idosos;
  • atletas;
  • pessoas em recuperação de lesões ou cirurgias.

Nestes casos, a proteína ajuda a preservar a massa muscular e pode facilitar o controlo do peso.

Qual é a quantidade ideal?

Para a maioria das pessoas fisicamente ativas, uma ingestão entre 1,2 e 1,6 g de proteína por quilograma de peso corporal por dia é suficiente.

Em determinadas situações, como treino intenso ou perda de gordura, valores até cerca de 2,2 g/kg/dia podem ser adequados.

Consumir muito acima destes valores dificilmente traz benefícios adicionais para a maioria das pessoas.

Conclusão

A proteína em excesso pode, em teoria, contribuir para o aumento da gordura corporal, mas este processo é menos eficiente do que acontece com a gordura alimentar.

Antes de poder ser armazenada, a proteína precisa de passar por vários processos metabólicos que consomem energia.

Além disso, aumenta a saciedade, eleva o gasto energético e ajuda a preservar a massa muscular.

Por isso, quando integrada numa alimentação equilibrada e associada ao exercício físico, a proteína é um dos nutrientes mais importantes para quem pretende melhorar a composição corporal e manter a saúde ao longo da vida.

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Nota: Este artigo tem caráter informativo e não substitui o aconselhamento individualizado por um médico ou nutricionista.

 

Referências científicas