Quando se fala nos músculos do peito, a maioria das pessoas pensa imediatamente no peitoral maior. No entanto, escondido por baixo deste grande músculo encontra-se o peitoral menor, um músculo muito mais pequeno, mas com uma importância surpreendente para a postura, a estabilidade do ombro e até para a respiração.
Apesar de não contribuir significativamente para a aparência física do tórax, o peitoral menor participa diariamente em movimentos essenciais e influencia o funcionamento de várias estruturas da cintura escapular.
Onde está localizado?
O peitoral menor situa-se profundamente ao peitoral maior. Tem origem na terceira, quarta e quinta costelas e insere-se na apófise coracoide da omoplata (escápula).
Ao contrário do peitoral maior, que move principalmente o braço, o peitoral menor atua sobretudo sobre a escápula, ajudando a controlar a sua posição durante os movimentos do membro superior.
Esta função torna-o um elemento fundamental da mecânica do ombro.
O estabilizador da omoplata
Sempre que levantamos o braço para alcançar um objeto, vestir uma camisola ou colocar algo numa prateleira, a escápula precisa de rodar, inclinar-se e deslocar-se de forma coordenada.
O peitoral menor participa neste processo estabilizando a escápula contra a parede torácica e contribuindo para que os movimentos ocorram de forma eficiente.
Quando este músculo funciona em equilíbrio com os restantes músculos da cintura escapular, o ombro movimenta-se com maior precisão e menor risco de sobrecarga.
Um músculo importante para a postura
Uma das funções mais conhecidas do peitoral menor está relacionada com a postura.
Quando permanece excessivamente encurtado, pode puxar a escápula para a frente e para baixo, favorecendo a projeção dos ombros e o aumento da curvatura da parte superior das costas.
Esta posição é muito frequente em pessoas que passam muitas horas ao computador, utilizam frequentemente o telemóvel ou realizam movimentos repetitivos com os braços à frente do corpo.
Com o tempo, estas alterações podem reduzir a mobilidade do ombro e aumentar a tensão na região cervical e torácica.
É importante esclarecer que o problema não é ter um peitoral menor forte, mas sim um músculo encurtado associado a fraqueza dos músculos que estabilizam a escápula, como o trapézio inferior e o serrátil anterior.
A influência na saúde do ombro
Nos últimos anos, vários estudos demonstraram que alterações na posição da escápula estão associadas a diversas patologias do ombro.
Quando o peitoral menor apresenta pouca flexibilidade, a escápula pode assumir uma posição menos favorável durante a elevação do braço.
Esta alteração modifica o espaço disponível para os tendões da coifa dos rotadores e pode contribuir para situações de conflito subacromial em algumas pessoas.
Embora o peitoral menor não seja o único responsável por estas alterações, faz parte de um complexo sistema muscular que deve funcionar em equilíbrio.
Por isso, os programas de reabilitação do ombro incluem frequentemente exercícios para melhorar a mobilidade deste músculo e fortalecer os estabilizadores da escápula.
O papel na respiração
Outra função pouco conhecida do peitoral menor é a sua participação como músculo acessório da inspiração.
Quando a escápula está fixa, o peitoral menor pode elevar as costelas durante uma inspiração profunda, ajudando a expandir a caixa torácica.
Num indivíduo saudável, esta função tem pouca importância durante a respiração em repouso, sendo o diafragma o principal músculo respiratório.
Contudo, durante esforços intensos ou em algumas doenças respiratórias, o peitoral menor pode contribuir para aumentar a ventilação pulmonar.
É por esta razão que pessoas com dificuldade respiratória utilizam frequentemente vários músculos acessórios da respiração para facilitar a entrada de ar nos pulmões.
O impacto nas atividades do dia a dia
Embora seja pequeno, o peitoral menor participa em inúmeras tarefas diárias.
Sempre que empurramos um objeto, levantamos um peso acima da cabeça, transportamos sacos ou realizamos movimentos repetitivos com os braços, este músculo ajuda a estabilizar a escápula para que o ombro funcione corretamente.
Sem esta estabilidade, os restantes músculos do ombro tornam-se menos eficientes e aumenta o risco de compensações.
Como manter o peitoral menor saudável?
A melhor estratégia passa por combinar força, mobilidade e controlo motor.
Pessoas que treinam apenas os músculos anteriores do tronco e negligenciam os músculos das costas podem desenvolver desequilíbrios que alteram a posição da escápula.
Por outro lado, pessoas sedentárias também podem apresentar encurtamento deste músculo devido à postura prolongada.
Um programa equilibrado deve incluir fortalecimento dos músculos estabilizadores da escápula, exercícios de mobilidade torácica e alongamentos específicos quando existe perda de flexibilidade.
O objetivo não é enfraquecer o peitoral menor, mas sim permitir que desempenhe corretamente a sua função.
Conclusão
O peitoral menor é um pequeno músculo com uma enorme responsabilidade. Estabiliza a escápula, contribui para a mecânica normal do ombro, participa na respiração durante situações de maior exigência e influencia a postura quando existe encurtamento muscular.
Apesar de raramente receber a atenção do peitoral maior, o seu bom funcionamento é essencial para realizar movimentos eficientes, reduzir a sobrecarga sobre o ombro e preservar a qualidade dos movimentos ao longo da vida.
Cuidar do peitoral menor significa investir numa melhor postura, numa maior mobilidade e num ombro mais saudável.
Posso ajudar
Se sente dor no ombro, apresenta alterações da postura ou pretende melhorar a mobilidade e a estabilidade da cintura escapular, posso ajudá-lo através de um programa de treino personalizado, presencial ou online, baseado na evidência científica.
Saiba mais através da página de contacto do site MarceloBarros.pt.
Nota: Este artigo tem caráter informativo e não substitui a avaliação por um profissional de saúde.
Referências científicas
- Borstad JD. Resting Position Variables at the Shoulder: Evidence to Support a Posture-Impairment Association. Physical Therapy. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/17003002/
- Borstad JD, Ludewig PM. The Effect of Long Versus Short Pectoralis Minor Resting Length on Scapular Kinematics. Journal of Orthopaedic & Sports Physical Therapy. https://www.jospt.org/doi/10.2519/jospt.2005.35.4.227
- Ludewig PM, Reynolds JF. The Association of Scapular Kinematics and Glenohumeral Joint Pathologies. Journal of Orthopaedic & Sports Physical Therapy. https://www.jospt.org/doi/10.2519/jospt.2009.2808
- Neumann DA. Kinesiology of the Musculoskeletal System: Foundations for Rehabilitation. 3rd Edition.