A natação em água aberta — no mar, rios, lagos ou albufeiras — pode ser uma excelente forma de praticar exercício físico. No entanto, é muito diferente de nadar numa piscina.
Na piscina, a temperatura, profundidade, visibilidade e condições da água são relativamente previsíveis. Em águas naturais, estes fatores podem mudar rapidamente e transformar uma sessão aparentemente tranquila numa situação perigosa.
O maior perigo: afogamento
O risco mais grave da natação em água aberta é o afogamento.
Mesmo pessoas que nadam muito bem podem ter dificuldades quando enfrentam ondas, correntes, vento, água fria, baixa visibilidade ou simplesmente uma distância maior da margem.
Uma das situações mais perigosas ocorre quando o nadador se afasta demasiado da costa e, devido ao cansaço ou às correntes, já não consegue regressar com facilidade.
Por isso, a capacidade de nadar bem numa piscina não significa necessariamente estar preparado para nadar longas distâncias no mar ou num lago.
Água fria pode ser perigosa mesmo no verão
Um dos riscos frequentemente subestimados é o choque térmico provocado pela entrada repentina em água fria.
Segundo a RNLI, temperaturas da água iguais ou inferiores a 15 ºC podem afetar significativamente a respiração e a capacidade de movimento. A entrada súbita em água fria pode provocar uma inspiração involuntária, aumento da frequência cardíaca, subida da pressão arterial, pânico e perda do controlo da respiração. (RNLI)
Em determinadas pessoas, esta resposta cardiovascular pode ser particularmente perigosa.
É importante perceber que uma temperatura elevada do ar não significa que a água esteja quente. Mesmo num dia de verão, o mar pode continuar suficientemente frio para provocar choque térmico. (RNLI)
Por isso, entrar lentamente na água e permitir que o corpo se adapte é mais seguro do que saltar ou mergulhar bruscamente.
Correntes, marés e ondas
No mar, a corrente pode transportar um nadador para longe do ponto onde entrou na água sem que este perceba imediatamente.
As correntes de retorno (rip currents) são particularmente perigosas porque podem afastar rapidamente uma pessoa da costa.
Também é importante considerar as marés, vento, ondulação e alterações meteorológicas. Uma zona aparentemente calma pode tornar-se muito mais difícil de atravessar algumas horas depois.
A RNLI recomenda verificar as condições meteorológicas e as marés antes de entrar na água. (RNLI)
Cansaço: um perigo subestimado
Nadar durante muito tempo pode provocar fadiga muscular e reduzir a capacidade de manter uma técnica eficiente.
O problema agrava-se quando o nadador tenta regressar à margem depois de já ter gasto grande parte da sua energia.
Por isso, numa sessão de água aberta, não devemos avaliar apenas quanto conseguimos nadar, mas também quanto esforço será necessário para regressar ao ponto de saída.
A água também pode estar contaminada
Outro risco menos evidente são os microrganismos presentes na água.
Oceanos, rios e lagos podem conter bactérias e outros agentes patogénicos. Engolir água contaminada pode provocar doença gastrointestinal e a entrada de água contaminada numa ferida aberta pode causar uma infeção. (CDC)
O risco pode aumentar depois de períodos de chuva intensa, que podem transportar contaminantes para rios, lagos e zonas costeiras.
Também devemos evitar nadar quando a água apresenta mau cheiro, coloração anormal, espuma ou uma camada semelhante a lama ou tinta. Estas características podem indicar a presença de proliferação de algas ou cianobactérias potencialmente tóxicas. (CDC)
Estas toxinas podem provocar problemas gastrointestinais, irritação da pele e dos olhos e, dependendo da substância e da exposição, problemas mais graves. (CDC)
Nunca nadar sozinho
Uma das recomendações mais importantes para quem pratica natação em água aberta é simples:
Não nade sozinho.
A RNLI recomenda nadar acompanhado e avisar alguém sobre o local onde vai nadar e a hora prevista de regresso. (RNLI)
Ter outra pessoa por perto pode fazer uma enorme diferença se surgir uma cãibra, exaustão, desorientação, problema respiratório ou qualquer outra emergência.
Sempre que possível, escolha locais supervisionados por nadadores-salvadores.
O que fazer se começar a ter dificuldades?
Se sentir que está a perder forças ou entrar em pânico, o objetivo inicial não deve ser continuar a nadar desesperadamente.
A recomendação “Float to Live”, da RNLI, consiste em virar-se de costas, manter a cabeça inclinada para trás, tentar controlar a respiração e utilizar suavemente braços e pernas para permanecer à superfície. Depois de recuperar o controlo da respiração, deve pedir ajuda ou nadar para um local seguro. (RNLI)
Esta estratégia é particularmente importante porque o pânico e os movimentos descontrolados aumentam o consumo de energia e podem dificultar ainda mais a respiração.
Como reduzir o risco?
Antes de uma sessão de natação em água aberta:
- Verifique a previsão meteorológica.
- Consulte as marés e a ondulação quando nadar no mar.
- Escolha locais autorizados e, idealmente, supervisionados.
- Nunca nade sozinho.
- Informe alguém sobre o local e a duração prevista da sessão.
- Entre na água progressivamente, sobretudo quando esta estiver fria.
- Utilize uma boia de natação visível quando apropriado.
- Não nade se estiver doente, extremamente cansado ou se as condições forem duvidosas.
- Evite água com coloração, cheiro ou espuma anormais.
- Não entre na água com feridas abertas.
- Não subestime a distância necessária para regressar à margem.
Natação em água aberta é segura?
Pode ser, mas exige preparação diferente da natação numa piscina.
A natação em água aberta proporciona excelentes benefícios para a condição cardiovascular, resistência muscular e bem-estar. O problema não está na atividade em si, mas em subestimar um ambiente que pode mudar rapidamente.
Água fria, correntes, ondas, marés, fadiga, má visibilidade e qualidade da água são fatores que não existem, ou são muito mais controlados, numa piscina.
A melhor estratégia é simples: conhecer o local, avaliar as condições, não nadar sozinho e respeitar os próprios limites.
Nadar melhor é importante. Saber quando não entrar na água é ainda mais importante.
Referências