Dieta mediterrânica com mais proteína e exercício pode proteger músculo e cérebro?

Dieta mediterrânica com mais proteína e exercício pode proteger músculo e cérebro? September 3, 2026Leave a comment

Uma alimentação de estilo mediterrânico enriquecida em proteína, combinada com exercício físico, pode ser uma estratégia interessante para preservar a saúde física e cognitiva à medida que envelhecemos. É essa a conclusão geral que emerge de um novo ensaio clínico publicado em agosto de 2026 no American Journal of Clinical Nutrition.

O estudo PROMED-EX avaliou 105 adultos, com uma idade média de aproximadamente 68 anos, que apresentavam risco de subnutrição e declínio cognitivo. Durante seis meses, os investigadores compararam uma intervenção baseada numa dieta mediterrânica enriquecida em proteína, com ou sem exercício físico, com um grupo de controlo. (ScienceDirect)

Os resultados são particularmente interessantes porque mostram que, em pessoas mais velhas, melhorar a alimentação pode ter efeitos que vão muito além do peso corporal.

O que é o estudo PROMED-EX?

O PROMED-EX foi um ensaio clínico randomizado que procurou perceber se uma dieta mediterrânica enriquecida em proteína poderia melhorar o estado nutricional e a função cognitiva de adultos mais velhos em risco de subnutrição e declínio cognitivo.

Os 105 participantes tinham uma idade média de 67,7 anos e 69% eram mulheres. Foram distribuídos por três grupos.

Um grupo recebeu aconselhamento alimentar personalizado baseado numa dieta mediterrânica enriquecida em proteína e realizou também um programa de exercício físico em casa.

Outro grupo recebeu apenas aconselhamento alimentar personalizado.

O terceiro grupo recebeu um folheto com recomendações de alimentação saudável.

A intervenção teve uma duração de seis meses. (AJCN)

O objetivo principal não era simplesmente avaliar se os participantes emagreciam ou ganhavam massa muscular. Os investigadores estavam sobretudo interessados no estado nutricional, avaliado através do Mini Nutritional Assessment, e também analisaram cognição, qualidade da alimentação, desempenho físico e qualidade de vida.

Por que razão a proteína é importante com o envelhecimento?

A massa muscular tende a diminuir com a idade. Este processo pode ser acelerado por sedentarismo, ingestão insuficiente de proteína, perda de peso involuntária e períodos prolongados de doença.

A proteína fornece aminoácidos necessários para a manutenção e reparação dos tecidos. No entanto, consumir proteína isoladamente não é suficiente para preservar a capacidade física.

O músculo também precisa de estímulo.

É aqui que o exercício de força assume particular importância.

Quando uma pessoa combina uma ingestão adequada de proteína com exercícios que desafiam os músculos, cria condições mais favoráveis para preservar a massa muscular, a força e a função física.

Por isso, uma das mensagens mais importantes deste estudo é que a alimentação e a atividade física devem ser vistas como componentes complementares de um estilo de vida saudável.

O que aconteceu ao estado nutricional?

Os resultados foram bastante claros.

Ao fim de seis meses, tanto o grupo que recebeu a dieta mediterrânica enriquecida em proteína como o grupo que recebeu a mesma intervenção alimentar acompanhada de exercício apresentaram melhorias significativas no estado nutricional relativamente ao grupo de controlo.

A pontuação do Mini Nutritional Assessment aumentou, em média, 2,7 pontos no grupo PROMED e 2,9 pontos no grupo PROMED-EX, comparativamente ao controlo. Ambas as diferenças foram estatisticamente significativas. (AJCN)

Este resultado é relevante porque a subnutrição ou uma alimentação inadequada podem ser particularmente problemáticas durante o envelhecimento.

Uma pessoa pode não apresentar um peso corporal muito baixo e, ainda assim, consumir pouca proteína, pouca fibra, poucas vitaminas e minerais ou energia insuficiente.

Por isso, avaliar apenas o peso não permite perceber completamente a qualidade nutricional de uma pessoa.

E a função cognitiva?

Outro resultado interessante surgiu nos testes cognitivos.

A função cognitiva melhorou nos dois grupos que receberam a intervenção alimentar.

O grupo PROMED apresentou uma diferença média de 0,3 no resultado padronizado da bateria neurocognitiva, enquanto o grupo PROMED-EX apresentou uma diferença de 0,2, ambos em comparação com o grupo de controlo. As diferenças foram estatisticamente significativas. (AJCN)

Isto não significa que uma dieta mediterrânica possa prevenir ou tratar demência.

Seria uma conclusão demasiado forte para um estudo com apenas 105 participantes e seis meses de acompanhamento.

O que os resultados sugerem é que melhorar o estado nutricional através de uma alimentação de melhor qualidade pode estar associado a melhorias mensuráveis na função cognitiva de adultos mais velhos em risco.

São necessários estudos maiores e com acompanhamento mais prolongado para perceber se estas alterações podem traduzir-se numa redução efetiva do risco de demência ou de declínio cognitivo a longo prazo.

A dieta mediterrânica parece ter um papel importante

A dieta mediterrânica caracteriza-se geralmente por uma elevada presença de vegetais, fruta, leguminosas, cereais integrais, frutos secos, azeite e peixe, juntamente com menor consumo de alimentos ultraprocessados e carnes processadas.

Quando esta abordagem é adaptada para fornecer mais proteína, pode tornar-se particularmente interessante para pessoas mais velhas que estejam a consumir proteína insuficiente.

A proteína pode ser obtida através de peixe, ovos, lacticínios, leguminosas, carne magra e outras fontes alimentares.

Não é necessário transformar a alimentação numa dieta hiperproteica.

O mais importante é garantir uma ingestão adequada e distribuí-la ao longo do dia, tendo em conta as necessidades individuais.

E o exercício?

O grupo PROMED-EX combinou a intervenção alimentar com exercício realizado em casa.

Curiosamente, os investigadores referiram que a adesão ao exercício foi baixa. Apesar disso, foram observados benefícios adicionais no desempenho físico e na qualidade de vida. (AJCN)

Este ponto merece atenção.

Mesmo quando a adesão ao exercício não é perfeita, acrescentar atividade física a uma alimentação de qualidade pode proporcionar benefícios.

Na prática, isto reforça a importância de procurar estratégias sustentáveis.

Para uma pessoa de 70 anos, por exemplo, não é necessário começar imediatamente com treinos muito intensos. Caminhar, realizar exercícios de força adaptados, subir escadas, fazer exercícios de equilíbrio e manter-se fisicamente ativo ao longo do dia podem ser componentes importantes de um programa individualizado.

Dieta e exercício podem trabalhar juntos

A alimentação fornece os nutrientes necessários para o funcionamento do organismo.

O exercício fornece o estímulo necessário para manter a capacidade física.

Quando estes dois elementos são combinados, podem atuar sobre diferentes aspetos do envelhecimento.

A proteína ajuda a fornecer os aminoácidos necessários para a manutenção dos tecidos. O treino de força estimula os músculos. A atividade física melhora a capacidade funcional. Uma alimentação rica em vegetais fornece fibra e numerosos micronutrientes e compostos bioativos.

Ao mesmo tempo, uma alimentação de qualidade pode contribuir para a saúde cardiovascular e metabólica, fatores que também estão relacionados com a saúde cerebral.

É por isso que não devemos olhar para músculo e cérebro como sistemas completamente separados.

Isto significa que a dieta mediterrânica aumenta a massa muscular?

Não necessariamente.

Esta é uma distinção importante.

O estudo PROMED-EX demonstrou melhorias no estado nutricional e na cognição e encontrou benefícios adicionais no desempenho físico e qualidade de vida, mas não permite afirmar simplesmente que a dieta mediterrânica enriquecida em proteína “aumentou a massa muscular”.

Os resultados devem ser interpretados dentro dos objetivos e métodos específicos do ensaio.

Ainda assim, existe uma lógica fisiológica para considerar a combinação de proteína adequada e exercício uma estratégia importante para preservar a função muscular durante o envelhecimento.

Quem pode beneficiar especialmente desta abordagem?

A estratégia estudada pode ser particularmente relevante para adultos mais velhos que apresentam sinais de alimentação insuficiente, perda de peso involuntária, baixa ingestão de proteína ou redução da capacidade física.

Também pode ser útil pensar preventivamente.

Não é necessário esperar pela perda significativa de massa muscular ou pelo aparecimento de limitações funcionais para começar a melhorar a alimentação e a atividade física.

Depois dos 50 ou 60 anos, manter uma alimentação nutricionalmente adequada e realizar regularmente exercício de força pode ajudar a preservar a autonomia.

Naturalmente, as necessidades variam de pessoa para pessoa. Pessoas com doença renal, hepática ou outras condições clínicas devem discutir alterações importantes na ingestão de proteína com um profissional de saúde.

A principal mensagem do estudo

O PROMED-EX acrescenta evidência interessante à ideia de que envelhecer bem não depende de uma única intervenção.

Uma alimentação mediterrânica enriquecida em proteína melhorou o estado nutricional e a função cognitiva neste grupo de adultos mais velhos em risco de subnutrição e declínio cognitivo.

A combinação com exercício esteve também associada a benefícios no desempenho físico e na qualidade de vida, apesar da adesão relativamente baixa ao exercício. (AJCN)

O estudo não prova que esta estratégia previne demência nem que aumenta diretamente a massa muscular.

Mas mostra algo importante: melhorar a qualidade da alimentação, garantir proteína suficiente e manter atividade física pode ser uma combinação particularmente interessante para preservar a saúde durante o envelhecimento.

E quanto mais cedo estes hábitos forem incorporados, maior poderá ser a oportunidade de chegar às décadas mais avançadas da vida com mais força, autonomia e capacidade funcional.

Posso ajudar

Posso ajudá-lo a adaptar alimentação, proteína e exercício à sua idade, objetivos e condição física, criando uma estratégia segura, prática e personalizada.

Nota: Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica ou nutricional individualizada.

Referências

  1. Ward NA, Reid-McCann R, Logan D, et al. Effect of a PROtein-enriched MEDiterranean diet and EXercise (PROMED-EX) on nutritional status and cognitive performance in older adults at risk of undernutrition and cognitive decline: the PROMED-EX randomized controlled trial. The American Journal of Clinical Nutrition. Publicado online em 14 de agosto de 2026. DOI: 10.1016/j.ajcnut.2026.101383. (ScienceDirect)
  2. Ward NA, Reid-McCann R, Brennan L, et al. Effects of PROtein enriched MEDiterranean Diet and EXercise on nutritional status and cognition in adults at risk of undernutrition and cognitive decline: the PROMED-EX Randomised Controlled Trial. BMJ Open. Protocolo do ensaio PROMED-EX. (BMJ Open)