Óleo de hortelã-pimenta pode ajudar a baixar a pressão arterial? O que descobriu um novo estudo

Óleo de hortelã-pimenta pode ajudar a baixar a pressão arterial? O que descobriu um novo estudo September 7, 2026Leave a comment

Hortelã-pimenta e pressão arterial podem parecer assuntos sem grande relação. No entanto, uma nova investigação sugere que o óleo de Mentha × piperita poderá ter efeitos cardiovasculares interessantes.

Um ensaio clínico randomizado e controlado por placebo, publicado na revista PLOS ONE em 23 de abril de 2026, avaliou os efeitos de 20 dias de suplementação com óleo de hortelã-pimenta em adultos com pré-hipertensão ou hipertensão de grau 1.

Os resultados chamaram a atenção: comparativamente com o placebo, o grupo que recebeu óleo de hortelã-pimenta apresentou uma redução adicional da pressão arterial sistólica de 8,48 mmHg.

Também foram observadas reduções na pressão arterial diastólica e na frequência cardíaca em repouso.

Mas será que isto significa que tomar óleo de hortelã-pimenta pode substituir medicamentos para a hipertensão?

Não.

O estudo é pequeno, teve apenas 40 participantes e durou somente 20 dias. Os resultados são interessantes, mas precisam de ser confirmados por estudos maiores e mais longos.

O que é a hipertensão arterial?

A hipertensão arterial ocorre quando a pressão exercida pelo sangue sobre as paredes das artérias permanece elevada.

É um dos principais fatores de risco modificáveis para doença cardiovascular e está associada a problemas como:

  • enfarte do miocárdio;
  • acidente vascular cerebral;
  • insuficiência cardíaca;
  • doença renal;
  • doença arterial periférica.

Uma das dificuldades da hipertensão é que frequentemente não provoca sintomas evidentes.

Uma pessoa pode sentir-se perfeitamente bem e, ainda assim, apresentar valores elevados de pressão arterial durante anos.

Por isso, medir regularmente a pressão arterial é uma das formas mais simples de identificar precocemente este problema.

O que investigou o novo estudo?

O trabalho foi realizado por investigadores da University of Lancashire, no Reino Unido.

Participaram inicialmente 40 adultos entre os 18 e os 65 anos, classificados como tendo pré-hipertensão ou hipertensão de grau 1 segundo os critérios utilizados no estudo.

Os participantes não estavam a tomar medicamentos prescritos para controlar a pressão arterial.

Foram excluídas pessoas com diabetes, doença cardiovascular conhecida, insuficiência renal clinicamente significativa, hipertensão secundária, gravidez e várias outras condições que poderiam interferir com os resultados ou com a segurança do estudo.

Os participantes foram distribuídos aleatoriamente por dois grupos:

Grupo da hortelã-pimenta: óleo de hortelã-pimenta.

Grupo placebo: bebida aromatizada com hortelã, mas sem óleo de hortelã-pimenta ou mentol.

O objetivo principal era perceber se a suplementação conseguiria alterar a pressão arterial sistólica ao fim de 20 dias.

Como foi administrado o óleo de hortelã-pimenta?

Os participantes do grupo experimental receberam 50 μL de óleo de hortelã-pimenta diluído em 100 mL de água, duas vezes por dia.

Ou seja, a dose diária total utilizada no estudo foi de 100 μL.

A administração era feita uma vez de manhã e outra à noite.

O grupo placebo recebeu uma preparação com sabor a hortelã-pimenta, mas sem os componentes ativos presentes no óleo.

Esta característica é importante porque permite reduzir o efeito das expectativas dos participantes.

O estudo foi registado no ClinicalTrials.gov com o número NCT05561543.

A pressão arterial sistólica diminuiu quase 8,5 mmHg

Este foi o principal resultado da investigação.

Ao fim dos 20 dias, depois de ajustados os valores iniciais, a pressão arterial sistólica foi 8,48 mmHg mais baixa no grupo da hortelã-pimenta do que no grupo placebo.

O intervalo de confiança de 95% foi de −14,24 a −2,73 mmHg.

O valor de p foi 0,005, indicando uma diferença estatisticamente significativa.

Além disso, o tamanho do efeito foi elevado, com d = −0,94.

Os valores médios ajudam a perceber melhor o resultado.

No início do estudo, a pressão arterial sistólica média era:

  • 130,05 mmHg no grupo da hortelã-pimenta;
  • 130,93 mmHg no grupo placebo.

Depois de 20 dias:

  • 121,97 mmHg no grupo da hortelã-pimenta;
  • 131,05 mmHg no grupo placebo.

É uma diferença bastante interessante para um estudo tão curto.

Também baixou a pressão arterial diastólica

O efeito não ficou limitado à pressão sistólica.

A pressão arterial diastólica ajustada também foi significativamente inferior no grupo que recebeu hortelã-pimenta.

A diferença entre os grupos foi de aproximadamente 4,57 mmHg.

O intervalo de confiança de 95% situou-se entre −8,98 e −0,15 mmHg, com p = 0,043.

Portanto, os resultados sugerem que a intervenção poderá ter afetado tanto a componente sistólica como a diastólica da pressão arterial.

A frequência cardíaca também diminuiu

Outro resultado interessante foi observado na frequência cardíaca em repouso.

Depois de 20 dias, a frequência cardíaca foi aproximadamente 8,92 batimentos por minuto inferior no grupo da hortelã-pimenta relativamente ao placebo.

A diferença apresentou significância estatística, com p = 0,041.

Isto levanta a possibilidade de que os efeitos cardiovasculares do óleo de hortelã-pimenta não estejam relacionados exclusivamente com os vasos sanguíneos.

Os investigadores sugerem que o mentol poderá também influenciar mecanismos relacionados com o sistema nervoso autónomo.

O mentol pode ser responsável pelo efeito?

A hortelã-pimenta contém vários compostos bioativos.

Entre eles encontra-se o mentol, provavelmente o componente mais conhecido da planta.

O mentol interage com canais celulares chamados TRPM8.

Segundo os mecanismos discutidos pelos investigadores, a ativação destes canais poderá contribuir para efeitos de vasodilatação.

Uma das hipóteses é que a ativação do TRPM8 no músculo liso vascular possa estimular processos associados à produção de óxido nítrico, uma molécula importante na regulação do diâmetro dos vasos sanguíneos.

Quando os vasos sanguíneos conseguem relaxar adequadamente, a resistência vascular pode diminuir.

Isso pode contribuir para uma redução da pressão arterial.

Contudo, esta explicação é ainda uma hipótese mecanística e não uma prova de que o mentol seja o único responsável pelos resultados observados.

O que aconteceu com o colesterol?

O estudo também avaliou vários parâmetros cardiometabólicos.

No entanto, os investigadores não encontraram diferenças estatisticamente significativas entre os grupos nos parâmetros hematológicos ou antropométricos avaliados.

Portanto, este ensaio não permite afirmar que o óleo de hortelã-pimenta reduza o colesterol LDL, triglicéridos ou peso corporal.

Esta distinção é importante porque alguns estudos anteriores tinham sugerido potenciais efeitos da hortelã-pimenta sobre determinados parâmetros metabólicos.

O atual ensaio, por ser controlado por placebo, fornece uma avaliação mais rigorosa, mas não encontrou diferenças significativas nos restantes parâmetros avaliados.

E o sono e o bem-estar psicológico?

Os investigadores avaliaram também indicadores relacionados com bem-estar psicológico e sono.

Não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas entre o grupo da hortelã-pimenta e o grupo placebo nestes questionários ao fim de 20 dias.

Ou seja, apesar de a pressão arterial e a frequência cardíaca terem apresentado diferenças, o estudo não encontrou evidência suficiente para afirmar que o óleo de hortelã-pimenta tenha melhorado o sono ou o bem-estar psicológico.

A alimentação mudou durante o estudo?

Também foram utilizados registos alimentares.

Os valores alimentares avaliados no final do estudo não apresentaram diferenças significativas entre os dois grupos.

Isto é importante porque significa que a redução da pressão arterial não parece ser explicada por uma alteração evidente da alimentação entre os participantes dos dois grupos.

Ainda assim, como acontece em qualquer estudo baseado em registos alimentares, existem limitações relacionadas com a precisão com que as pessoas conseguem recordar e registar aquilo que comem.

O óleo de hortelã-pimenta foi bem tolerado?

A adesão ao protocolo foi bastante elevada.

A taxa de cumprimento foi de aproximadamente 93,3% no grupo da hortelã-pimenta e 92,2% no grupo placebo, sem diferença estatisticamente significativa.

Dos participantes que completaram o estudo, apenas um participante do grupo da hortelã-pimenta abandonou devido a um acontecimento adverso.

Neste caso, o problema foi considerado menor e estava relacionado com o desagrado pelo sabor da hortelã-pimenta.

Não foram registados acontecimentos adversos graves relacionados com a intervenção.

Isto significa que a hortelã-pimenta trata a hipertensão?

Ainda não podemos dizer isso.

Esta é provavelmente a parte mais importante do estudo.

Os resultados são promissores, mas existem várias limitações.

A primeira é o número reduzido de participantes: apenas 40 pessoas foram randomizadas.

Além disso, o estudo durou somente 20 dias.

Uma redução da pressão arterial durante três semanas é interessante, mas não sabemos se o efeito continuaria depois de vários meses.

Também não sabemos se a utilização prolongada reduziria o risco de enfarte, AVC ou insuficiência cardíaca.

Essas são perguntas muito mais importantes do ponto de vista clínico.

O estudo não comparou hortelã-pimenta com medicamentos

Outro ponto essencial é que o ensaio não comparou o óleo de hortelã-pimenta diretamente com medicamentos anti-hipertensores.

Os participantes não estavam a tomar medicação para controlar a pressão arterial.

Por isso, não podemos concluir que a hortelã-pimenta seja tão eficaz como um inibidor da enzima de conversão da angiotensina, um antagonista dos recetores da angiotensina, um bloqueador dos canais de cálcio ou um diurético.

Muito menos devemos recomendar que alguém suspenda a medicação prescrita para experimentar hortelã-pimenta.

Pode substituir exercício e alimentação saudável?

Também não.

Mesmo que futuras investigações confirmem algum efeito anti-hipertensor da hortelã-pimenta, isso não significa que possa substituir as medidas de estilo de vida com maior evidência.

A atividade física regular, a manutenção de um peso saudável, uma alimentação equilibrada, a redução do excesso de sal, o consumo adequado de frutas e vegetais, o controlo do álcool e o abandono do tabaco continuam a ser componentes fundamentais da prevenção cardiovascular.

O exercício, em particular, pode contribuir para reduzir a pressão arterial através de adaptações cardiovasculares que vão muito além de um único mecanismo.

Caminhar, correr, andar de bicicleta, nadar e realizar treino de força podem fazer parte de uma estratégia global para melhorar a saúde cardiovascular.

Por que razão este estudo é importante?

Apesar das limitações, o estudo tem uma característica particularmente relevante:

é um ensaio randomizado controlado por placebo.

Isso permite comparar dois grupos semelhantes e avaliar se a intervenção acrescenta algo para além do efeito placebo e das alterações naturais que podem ocorrer ao longo do tempo.

É também o primeiro ensaio deste tipo especificamente realizado em pessoas com pré-hipertensão ou hipertensão de grau 1, segundo os autores.

Os resultados fornecem, por isso, uma base interessante para estudos futuros.

Precisamos de estudos maiores

Os próprios investigadores reconhecem que são necessários ensaios maiores, com maior duração e acompanhamento mais prolongado.

Também seria importante saber se o efeito se mantém durante vários meses e se existe uma relação entre dose e resposta.

Outro ponto importante seria avaliar pessoas com hipertensão mais avançada e indivíduos com outras doenças cardiovasculares ou metabólicas.

O estudo atual excluiu precisamente muitas dessas populações.

Assim, não podemos generalizar estes resultados para todas as pessoas com hipertensão.

Uma redução de 8,5 mmHg é relevante?

Se este efeito fosse confirmado em estudos maiores e mais longos, seria potencialmente relevante.

Uma redução de cerca de 8,5 mmHg na pressão sistólica não é pequena.

Mas devemos separar duas coisas:

resultado estatístico e benefício clínico de longo prazo.

O estudo demonstrou uma diferença estatisticamente significativa na pressão arterial.

Ainda não demonstrou que a hortelã-pimenta reduza enfartes, AVC, insuficiência cardíaca ou mortalidade.

Para demonstrar isso seriam necessários estudos muito maiores e com acompanhamento de vários anos.

A hortelã-pimenta pode fazer parte de uma alimentação saudável?

A hortelã-pimenta enquanto erva aromática pode naturalmente fazer parte de uma alimentação equilibrada.

Utilizar hortelã para dar sabor a alimentos ou bebidas pode ser uma forma agradável de aumentar a variedade alimentar sem depender de grandes quantidades de sal ou açúcar.

Mas isso é muito diferente da intervenção utilizada neste estudo.

Os investigadores utilizaram óleo de hortelã-pimenta concentrado, numa dose específica, duas vezes por dia.

Portanto, não podemos afirmar que simplesmente beber chá de hortelã produza a mesma redução de pressão arterial.

Da mesma forma, não devemos assumir que aumentar indiscriminadamente a quantidade de óleo de hortelã-pimenta produzirá melhores resultados.

O que devemos retirar deste estudo?

O ensaio publicado em 23 de abril de 2026 apresenta uma descoberta interessante:

20 dias de suplementação com óleo de hortelã-pimenta estiveram associados a uma redução adicional de 8,48 mmHg na pressão arterial sistólica relativamente ao placebo.

Também foram observadas reduções na pressão arterial diastólica e na frequência cardíaca em repouso.

Os resultados são suficientemente interessantes para justificar investigação adicional.

Mas ainda é demasiado cedo para considerar o óleo de hortelã-pimenta um tratamento estabelecido para a hipertensão.

A melhor interpretação neste momento é:

a hortelã-pimenta apresenta um potencial anti-hipertensor que merece ser estudado, mas ainda não substitui os tratamentos comprovados nem as medidas de estilo de vida.

Conclusão

Um pequeno ensaio clínico publicado na PLOS ONE em 23 de abril de 2026 encontrou uma redução significativa da pressão arterial em pessoas com pré-hipertensão ou hipertensão de grau 1 que consumiram óleo de hortelã-pimenta durante 20 dias.

A diferença na pressão sistólica foi de 8,48 mmHg, enquanto a pressão diastólica diminuiu cerca de 4,57 mmHg e a frequência cardíaca em repouso cerca de 8,92 batimentos por minuto, comparativamente com o placebo.

Os resultados são promissores, mas o estudo envolveu apenas 40 pessoas e teve uma duração muito curta.

Por isso, ainda não sabemos se o efeito se mantém a longo prazo ou se se traduz numa redução de enfartes, AVC ou outras complicações cardiovasculares.

A investigação abre uma porta interessante para o estudo dos compostos da hortelã-pimenta, particularmente do mentol e da sua interação com os canais TRPM8.

Até existirem estudos maiores e mais prolongados, a melhor estratégia continua a ser encarar a hortelã-pimenta como uma possível ferramenta complementar e não como substituto de exercício, alimentação saudável ou tratamento médico.

Posso ajudar

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Nota importante

Este artigo é informativo e não substitui aconselhamento médico. Não inicie suplementos nem suspenda medicamentos anti-hipertensores sem falar previamente com o seu médico.

Links e fontes

Estudo original – PLOS ONE, 23 de abril de 2026: ensaio clínico randomizado e controlado por placebo sobre óleo de hortelã-pimenta e pressão arterial em pessoas com pré-hipertensão ou hipertensão de grau 1.

Ver o estudo completo na PLOS ONE

Registo do ensaio clínico: estudo registado no ClinicalTrials.gov com o número NCT05561543.

Consultar o registo ClinicalTrials.gov do estudo

Dados científicos do estudo: os autores disponibilizaram os dados através do repositório da University of Lancashire.

Consultar os dados disponibilizados pelos investigadores

DOI oficial: 10.1371/journal.pone.0344538.

Consultar o DOI oficial do estudo