Tomate pode melhorar a memória e a concentração? O que revela o estudo mais recente de 2026

Tomate pode melhorar a memória e a concentração? O que revela o estudo mais recente de 2026 September 9, 2026Leave a comment

Um estudo clínico de 2026 descobriu que o consumo diário de tomate pode melhorar a atenção, a velocidade de processamento e a memória associativa. Saiba qual o papel do licopeno.

Palavras-chave: tomate, licopeno, memória, concentração, saúde cerebral, antioxidantes, cérebro, cognição, alimentação saudável, envelhecimento cerebral

O tomate pode ajudar a proteger o cérebro?

O tomate é conhecido sobretudo pelo seu conteúdo em licopeno, um carotenoide com propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. Mas será que comer tomate pode realmente influenciar a forma como o cérebro funciona?

Um novo estudo publicado em 19 de maio de 2026 na revista científica Antioxidants encontrou resultados interessantes: o consumo diário de concentrado de tomate durante três meses esteve associado a melhorias na atenção seletiva, velocidade de processamento e memória associativa em adultos saudáveis de meia-idade. (MDPI)

O trabalho chama-se Tomato Intake Improves Cognitive Performance and Modulates Functional Brain Networks in Healthy Adults: A Randomized Crossover Clinical Trial e foi desenvolvido por investigadores ligados, entre outras instituições, à Universidade de Barcelona e ao Karolinska Institutet.

Mais do que mostrar uma simples associação entre comer tomate e ter melhor memória, este trabalho procurou testar experimentalmente se aumentar o consumo de tomate poderia provocar alterações mensuráveis na função cognitiva.

Como foi realizado o estudo?

Participaram inicialmente 47 adultos saudáveis, com idades entre os 40 e os 55 anos. No final, 42 participantes completaram o estudo.

Os investigadores utilizaram um desenho randomizado e cruzado. Isto significa que os participantes passaram por dois períodos diferentes.

Num dos períodos consumiram diariamente concentrado de tomate. No outro seguiram uma alimentação com restrição de alimentos ricos em licopeno.

Cada intervenção durou três meses, sendo separada por um período de quatro semanas destinado a reduzir a influência da intervenção anterior. (PubMed Central (PMC))

A quantidade de concentrado de tomate definida pelos investigadores foi de 0,5 g por quilograma de peso corporal por dia.

Na prática, o consumo médio dos participantes foi de aproximadamente 34,6 gramas de concentrado de tomate por dia, fornecendo cerca de 38,4 mg de licopeno diariamente. (MDPI)

O concentrado utilizado continha apenas tomate e sal.

Os investigadores avaliaram ainda os níveis sanguíneos de licopeno, o BDNF — uma proteína relacionada com neuroplasticidade — e diferentes componentes da função cognitiva.

Num subgrupo de 14 participantes foi também utilizada ressonância magnética funcional, permitindo observar alterações na conectividade entre diferentes regiões cerebrais.

O que aconteceu à memória?

Um dos resultados mais interessantes verificou-se na chamada memória associativa.

Os participantes realizaram o Face-Name Associative Memory Exam, um teste que avalia a capacidade de associar e recordar nomes e rostos.

Depois do período de consumo de tomate, verificou-se uma melhoria significativa na capacidade de reconhecer corretamente as associações entre rostos e nomes.

A diferença entre a intervenção com tomate e a intervenção de controlo foi de 0,8 pontos neste parâmetro. (MDPI)

Também houve uma melhoria na pontuação total deste teste.

Isto é particularmente interessante porque a capacidade de memorizar novas informações e estabelecer associações tende a ser uma das funções cognitivas que queremos preservar à medida que envelhecemos.

No entanto, é importante não interpretar estes resultados como prova de que o tomate previne a demência ou a doença de Alzheimer. O estudo avaliou adultos saudáveis durante apenas alguns meses.

O tomate também melhorou a concentração

A memória não foi a única área beneficiada.

Os investigadores encontraram melhorias na atenção seletiva, na concentração e na velocidade de processamento.

No teste d2-R, utilizado para avaliar atenção e concentração, o consumo de tomate esteve associado a uma diferença de aproximadamente 7,2 pontos na capacidade de concentração e 8,3 pontos na velocidade de processamento, quando comparado com a intervenção de controlo. (PubMed Central (PMC))

Os efeitos apresentaram uma magnitude considerada moderada.

Curiosamente, nem todas as funções cognitivas melhoraram. O desempenho relacionado com a função executiva não apresentou alterações significativas.

Este detalhe é importante: o tomate não parece simplesmente “aumentar a inteligência”. Os resultados foram específicos para determinados domínios cognitivos.

Qual poderá ser o papel do licopeno?

Uma das principais hipóteses está relacionada com o licopeno.

O licopeno é um carotenoide abundante no tomate e apresenta propriedades antioxidantes. O composto também consegue atravessar a barreira hematoencefálica, o que torna biologicamente plausível uma possível influência sobre o tecido cerebral. (PubMed Central (PMC))

Durante o período de consumo de tomate, os níveis sanguíneos de licopeno dos participantes praticamente duplicaram relativamente aos valores iniciais.

A concentração plasmática aumentou, em média, cerca de 0,40 µmol/L.

Além disso, quanto maior foi o aumento dos níveis sanguíneos de licopeno, maior tendia a ser a melhoria em determinados testes de atenção.

Os investigadores encontraram uma associação entre o aumento de licopeno no sangue e a melhoria da concentração e da velocidade de processamento. (MDPI)

Isto não prova, por si só, que o licopeno seja o único responsável pelos efeitos.

O tomate contém vários compostos biologicamente ativos, incluindo outros carotenoides e polifenóis, e é possível que exista uma ação conjunta.

E o BDNF?

Outro resultado interessante envolveu o BDNF — fator neurotrófico derivado do cérebro.

O BDNF está envolvido na plasticidade cerebral, aprendizagem e formação e manutenção de ligações entre neurónios.

No estudo, o consumo de tomate esteve associado a um aumento médio de aproximadamente 15,2 ng/mL de BDNF relativamente à intervenção de controlo. (MDPI)

Contudo, os próprios investigadores alertam para alguma cautela na interpretação deste resultado.

A diferença apresentou significância estatística limítrofe e existiu um possível efeito de transporte entre os períodos do estudo.

Por isso, é mais correto dizer que o estudo sugere uma possível influência do tomate sobre mecanismos relacionados com neuroplasticidade, e não afirmar que o tomate comprovadamente aumenta o BDNF de forma clinicamente relevante.

O que mostrou a ressonância magnética?

A parte de neuroimagem acrescenta uma dimensão interessante ao trabalho.

Num grupo de 14 participantes, os investigadores analisaram a atividade funcional do cérebro através de ressonância magnética.

Após o consumo de tomate foram observadas alterações na conectividade de algumas redes cerebrais, incluindo redes frontoparietais e auditivas.

Estas alterações foram diferentes das observadas durante o período de controlo, no qual se verificaram mudanças noutra rede relacionada com a atenção. (MDPI)

Os resultados sugerem que os efeitos do tomate podem não estar limitados a alterações bioquímicas no sangue.

Podem também envolver alterações na forma como determinadas regiões do cérebro comunicam entre si.

Ainda assim, esta parte do estudo deve ser interpretada com maior prudência devido ao número reduzido de participantes submetidos à ressonância magnética.

Devemos começar a comer tomate todos os dias?

Para a maioria das pessoas, incluir tomate regularmente numa alimentação equilibrada é uma estratégia simples e nutricionalmente interessante.

O tomate fornece licopeno, vitamina C, potássio e outros compostos bioativos, além de apresentar uma densidade energética relativamente baixa.

Uma vantagem particular do licopeno é que a sua disponibilidade pode aumentar quando o tomate é cozinhado e combinado com gordura.

Por isso, tomate cozinhado com um pouco de azeite pode ser uma excelente opção dentro de um padrão alimentar mediterrânico.

É importante, contudo, não transformar este estudo numa recomendação para consumir exatamente 35 gramas de concentrado de tomate por dia.

O ensaio utilizou uma preparação específica, com uma quantidade relativamente elevada de licopeno, e não demonstrou que essa dose seja necessária para obter benefícios.

Além disso, o estudo não permite concluir que o tomate isoladamente previna perda de memória, demência ou doença de Alzheimer.

Tomate, alimentação mediterrânica e cérebro

Os resultados encaixam numa ideia mais abrangente: a saúde cerebral não depende de um único alimento.

Padrões alimentares ricos em frutas, vegetais, leguminosas, frutos secos, azeite, peixe e outros alimentos pouco processados fornecem uma grande variedade de compostos antioxidantes e anti-inflamatórios.

O tomate pode ser uma das peças desse puzzle.

O mais interessante neste estudo de 2026 é que investigadores observaram efeitos cognitivos num ensaio clínico randomizado, em vez de simplesmente verificarem que as pessoas que comem mais tomate tendem a apresentar melhor saúde cerebral.

Ainda assim, são necessários estudos maiores, mais longos e com diferentes populações para confirmar se estes efeitos persistem durante anos e se podem traduzir numa menor deterioração cognitiva.

Conclusão

O estudo publicado em maio de 2026 acrescenta novas evidências sobre a relação entre tomate, licopeno e saúde cerebral.

Em adultos saudáveis de meia-idade, três meses de consumo diário de concentrado de tomate estiveram associados a melhorias na atenção seletiva, concentração, velocidade de processamento e memória associativa. Também foram observadas alterações nos níveis de licopeno, possíveis alterações no BDNF e mudanças na conectividade funcional do cérebro. (MDPI)

O resultado é promissor, mas não significa que comer tomate seja um tratamento para problemas de memória.

A mensagem mais equilibrada é provavelmente mais simples: incluir regularmente tomate numa alimentação mediterrânica pode ser uma das estratégias alimentares interessantes para apoiar a saúde cerebral ao longo do envelhecimento.

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Nota importante

Este artigo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica ou nutricional individualizada. Os resultados de um estudo científico não significam que todos os indivíduos terão os mesmos benefícios.

Fontes e links

Estudo científico original: Tomato Intake Improves Cognitive Performance and Modulates Functional Brain Networks in Healthy Adults: A Randomized Crossover Clinical Trial, publicado na revista Antioxidants em 19 de maio de 2026. (MDPI)

Artigo original na revista Antioxidants – MDPI

PubMed: referência bibliográfica e resumo do ensaio clínico, incluindo autores, data de publicação, DOI e identificação do estudo. (PubMed)

Estudo no PubMed

Texto integral no PubMed Central: acesso ao artigo completo e aos detalhes do desenho experimental, resultados e limitações. (PubMed Central (PMC))

Artigo completo no PubMed Central