O ténis exige acelerações rápidas, mudanças de direção, saltos, rotações do tronco e produção de força durante o serviço e os golpes de fundo. Para responder a estas exigências, o treino funcional pode ser integrado numa preparação física que combine força, potência, coordenação e controlo do movimento.
Uma revisão sistemática e meta-análise publicada em julho de 2025 na revista BMC Sports Science, Medicine and Rehabilitation analisou os efeitos do treino neuromuscular no desempenho de tenistas. Embora o treino neuromuscular não seja exatamente sinónimo de treino funcional, as duas abordagens podem partilhar exercícios de força, equilíbrio, estabilidade, agilidade e potência.
O que analisou o estudo?
Os investigadores reuniram 23 estudos controlados, envolvendo 743 participantes. Foram analisadas três modalidades principais: treino pliométrico, treino de força com resistência e treino de estabilidade do core. Os investigadores avaliaram diferentes capacidades, incluindo velocidade do serviço, precisão, agilidade, sprint, força muscular e potência.
Esta abordagem permite observar tendências comuns a vários estudos, em vez de depender dos resultados de uma única experiência. No entanto, os programas, as idades dos participantes e os métodos de avaliação variaram, pelo que os resultados não devem ser interpretados como uma receita universal para todos os jogadores.
Quais foram os principais resultados?
A análise encontrou melhorias significativas na velocidade do serviço, na agilidade, no desempenho em sprint, na força muscular e na potência. A precisão do serviço, pelo contrário, não apresentou uma melhoria estatisticamente significativa.
Os autores identificaram tendências diferentes consoante a modalidade de treino. O treino pliométrico apresentou resultados favoráveis nas ações explosivas, na velocidade do serviço e no sprint. O treino de estabilidade do core destacou-se na agilidade, enquanto o treino de resistência foi especialmente útil para desenvolver a força muscular.
Estas diferenças são importantes para a organização do treino. Se o objetivo principal for aumentar a força, faz sentido incluir exercícios com resistência progressiva. Se pretendermos desenvolver a capacidade de produzir força rapidamente, os exercícios pliométricos poderão ser úteis, desde que o praticante tenha preparação suficiente para os realizar em segurança.
Porque é que o treino funcional pode ajudar no ténis?
Durante um jogo, o tenista não utiliza as capacidades físicas de forma isolada. Precisa de acelerar, travar, estabilizar o corpo e produzir força enquanto se desloca. O treino funcional pode ajudar a desenvolver estas capacidades através de exercícios selecionados de acordo com as exigências da modalidade.
Na minha experiência, não basta escolher exercícios porque parecem semelhantes aos movimentos do ténis. É necessário perceber o que queremos melhorar e se o praticante tem capacidade para executar cada tarefa com qualidade. Aqui prefiro construir uma base de força e controlo motor antes de introduzir movimentos mais rápidos, instáveis ou complexos.
Um programa poderá incluir:
- Força: agachamentos, lunges, remadas e exercícios de empurrar, ajustados à experiência do jogador.
- Agilidade: deslocamentos laterais, acelerações e travagens progressivas.
- Potência: saltos e lançamentos de bola medicinal, quando existe controlo adequado da técnica.
- Estabilidade do tronco: exercícios que desafiem o controlo da bacia e do tronco durante movimentos dos membros.
- Coordenação: tarefas que combinem deslocamento, equilíbrio e resposta a estímulos.
Estes componentes podem ser combinados com o treino técnico na quadra. A preparação física desenvolve capacidades que apoiam o jogo, mas não substitui a aprendizagem dos golpes, a leitura da trajetória da bola ou a tomada de decisão.
É necessário treinar três vezes por semana?
Os estudos incluídos utilizaram programas com diferentes durações e frequências. A análise identificou resultados favoráveis em determinados indicadores com duas sessões semanais, mas isso não significa que esta frequência seja sempre superior para todos os praticantes.
A escolha depende do volume de ténis, da experiência, da recuperação e dos objetivos. Para alguns jogadores, duas sessões de preparação física bem estruturadas poderão ser suficientes. Outros poderão precisar de uma distribuição diferente, sobretudo durante períodos de competição.
Também é importante respeitar a progressão. A pliometria e as mudanças rápidas de direção exigem capacidade de absorver forças e controlar as posições articulares. A técnica de aterragem, a tolerância ao esforço e a recuperação devem orientar o aumento da intensidade.
O que devemos ter em conta na interpretação?
Apesar dos resultados promissores, a qualidade da evidência não foi elevada para todos os indicadores. A maioria dos estudos apresentava algumas preocupações relacionadas com o risco de viés, e os programas eram bastante diferentes entre si.
Além disso, melhorar a velocidade do serviço não garante maior precisão, e melhorar a agilidade num teste não significa necessariamente que o jogador tomará melhores decisões em competição. O desempenho no ténis depende também da técnica, da experiência, da estratégia e da capacidade de gerir o esforço ao longo do jogo.
Conclusão
A revisão de 2025 sugere que o treino neuromuscular pode contribuir para melhorar várias capacidades importantes no ténis, incluindo força, potência, agilidade, sprint e velocidade do serviço. Os resultados também mostram que diferentes métodos podem ser escolhidos de acordo com o objetivo principal.
Para aplicar estas conclusões, considero essencial combinar força, coordenação, estabilidade e exercícios progressivamente mais específicos, sem esquecer a individualização. O melhor programa não é necessariamente o mais complexo: é aquele que desenvolve as capacidades necessárias e que o jogador consegue realizar com consistência e segurança.
Posso ajudar
Ajudo pessoas dos 40 aos 80 anos a desenvolver força, mobilidade, equilíbrio e coordenação através de treino personalizado. Adapto os exercícios à experiência, aos objetivos e às limitações individuais, com progressão adequada e atenção à qualidade do movimento.
Referências
- Zhou Y, Bai Y, Liang Y, Yang K, Yang Y. Effects of neuromuscular training on tennis players: a systematic review and meta-analysis. BMC Sports Science, Medicine and Rehabilitation. 2025;17:172. https://doi.org/10.1186/s13102-025-01219-x
- Texto integral da revisão sistemática e meta-análise. PubMed Central.
- Grand Slam do Treinamento Físico para o Tenista. Construindo um físico consistente para ter mais força e resistência durante a partida. Ver vídeo no YouTube.
