Todos nós temos consciência. Sentimos dor, alegria, medo, amor e percebemos o mundo à nossa volta. Mas uma das maiores perguntas da ciência continua sem resposta:
De onde surge a consciência?
A explicação mais aceite é que a consciência resulta da atividade elétrica e química do cérebro. No entanto, alguns investigadores defendem que esta hipótese poderá não explicar completamente aquilo que sentimos.
Entre eles encontra-se o neurocientista Christof Koch, um dos maiores especialistas mundiais no estudo da consciência, que propõe uma ideia ousada: e se a consciência não fosse criada pelo cérebro, mas sim uma propriedade fundamental do próprio Universo?
O “problema difícil” da consciência
A ciência já conhece muito sobre o funcionamento do cérebro.
Com recurso à ressonância magnética funcional e outras técnicas, os investigadores conseguem identificar quais as regiões cerebrais ativadas quando vemos uma imagem, recordamos uma memória ou tomamos uma decisão.
Contudo, continua por explicar uma questão essencial:
Porque é que a atividade cerebral é acompanhada por uma experiência subjetiva?
Por exemplo, a ciência consegue identificar as áreas cerebrais envolvidas quando vemos a cor vermelha, mas não consegue explicar porque é que existe a sensação de “ver vermelho”.
Esta questão é conhecida como o “problema difícil da consciência”, um conceito introduzido pelo filósofo David Chalmers. (Nature)
Será o cérebro um produtor… ou um recetor?
Segundo a visão tradicional da neurociência, o cérebro produz a consciência da mesma forma que o fígado produz bílis.
Christof Koch sugere que talvez essa analogia esteja errada.
Uma possibilidade é que o cérebro funcione mais como um recetor ou organizador de uma consciência que já existe como parte da realidade.
Esta hipótese aproxima-se de correntes filosóficas como o panpsiquismo, segundo as quais algum grau de consciência poderá estar presente em toda a natureza, embora de forma extremamente simples na maioria dos sistemas. (Scientific American)
A Teoria da Informação Integrada
Koch é um dos principais defensores da Teoria da Informação Integrada (Integrated Information Theory – IIT).
Esta teoria propõe que a consciência surge quando um sistema integra informação de forma altamente organizada.
Segundo esta hipótese:
- não basta possuir muitos neurónios;
- o importante é a forma como esses neurónios comunicam entre si;
- quanto maior for a integração da informação, maior poderá ser o nível de consciência.
A teoria tenta medir matematicamente esta integração através de um parâmetro denominado Φ (phi).
Apesar de muito influente, continua a ser alvo de intenso debate científico e ainda não foi confirmada experimentalmente. (Nature)
Experiências que continuam por explicar
Outro motivo pelo qual alguns investigadores questionam a visão tradicional prende-se com fenómenos pouco compreendidos, como:
- experiências de quase-morte;
- estados místicos;
- episódios de lucidez terminal em pessoas com demência avançada.
Estes fenómenos não demonstram que a consciência exista independentemente do cérebro.
No entanto, alguns cientistas defendem que merecem investigação rigorosa porque podem revelar limitações das teorias atuais. (ScienceDaily)
A maioria dos cientistas continua prudente
É importante sublinhar que estas ideias não representam atualmente o consenso científico.
A maioria dos neurocientistas considera que a consciência resulta do funcionamento do cérebro, embora ainda não compreenda exatamente como isso acontece.
Até ao momento não existe evidência experimental suficiente para concluir que a consciência exista separadamente da atividade cerebral.
Assim, propostas como o panpsiquismo ou a consciência como propriedade fundamental da realidade permanecem hipóteses filosóficas e científicas em investigação.
Porque continua este tema a ser tão importante?
Compreender a consciência poderá transformar profundamente a medicina, a neurologia e até a inteligência artificial.
Responder a perguntas como:
- quando uma pessoa em coma continua consciente;
- como avaliar doentes incapazes de comunicar;
- se uma inteligência artificial poderá algum dia tornar-se consciente;
- ou qual é a verdadeira natureza da mente,
constitui um dos maiores desafios científicos do século XXI.
A mensagem principal
A ciência conhece cada vez melhor o funcionamento do cérebro, mas continua sem explicar como surge a experiência consciente.
Alguns investigadores, como Christof Koch, defendem que talvez seja necessário mudar a forma como pensamos este problema, admitindo que a consciência possa ser uma característica fundamental da realidade.
Por enquanto, esta hipótese permanece especulativa. No entanto, mostra que uma das maiores perguntas da humanidade continua em aberto e que a investigação nesta área está longe de terminar.
- ScienceDaily – What if the brain does not create consciousness?
https://www.sciencedaily.com/releases/2026/07/260729043829.htm - Nature – What Is Consciousness?
https://www.nature.com/articles/d41586-018-05097-x - Scientific American – Is Consciousness Part of the Fabric of the Universe?
https://www.scientificamerican.com/article/is-consciousness-part-of-the-fabric-of-the-universe1/ - White PA. Three propositions about conscious experience and their implications for theories of consciousness. Consciousness and Cognition. 2026.
https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1053810026000024