Quando pensamos em melhorar a força, ganhar massa muscular ou recuperar mais rapidamente dos treinos, a maioria das pessoas concentra-se no treino e na alimentação. No entanto, existe um terceiro pilar frequentemente negligenciado: o sono.
A investigação científica demonstra de forma consistente que dormir entre 7 e 9 horas por noite está associado a uma melhor recuperação muscular, maior desempenho físico e menor risco de lesões. Em muitos casos, melhorar a qualidade do sono pode ter um impacto superior ao de adicionar mais um suplemento à rotina.
O que acontece enquanto dormimos?
Durante o sono, o organismo entra numa fase de recuperação intensa. É neste período que ocorrem vários processos fundamentais para quem pratica exercício físico:
- Reparação das fibras musculares danificadas pelo treino.
- Síntese de novas proteínas musculares.
- Reposição das reservas energéticas.
- Consolidação da aprendizagem motora.
- Regulação hormonal.
- Redução da inflamação.
Sem um sono adequado, estes processos tornam-se menos eficientes.
Dormir aumenta a síntese proteica?
Sim. A síntese proteica muscular é o processo responsável pela reparação e crescimento do músculo após o treino.
Embora seja estimulada principalmente pelo exercício de força e pela ingestão de proteína, o sono fornece o ambiente ideal para que este processo decorra de forma eficiente.
Quando existe privação de sono, a capacidade de recuperação muscular diminui e o organismo pode permanecer mais tempo num estado catabólico.
Sono e hormonas
Dormir bem contribui para uma melhor regulação hormonal.
Entre as hormonas influenciadas pelo sono encontram-se:
- Hormona do crescimento (GH).
- Testosterona.
- Cortisol.
- Leptina.
- Grelina.
A privação de sono tende a aumentar o cortisol, reduzir a sensibilidade à insulina e alterar os mecanismos que regulam a fome e a saciedade.
Melhor recuperação entre treinos
Quem dorme o suficiente recupera mais rapidamente entre sessões de treino.
Os estudos mostram melhorias em:
- Recuperação muscular.
- Produção de força.
- Potência.
- Tempo de reação.
- Coordenação motora.
- Capacidade de suportar volumes elevados de treino.
Por outro lado, poucas horas de sono aumentam a fadiga acumulada e reduzem o rendimento.
Sono e risco de lesão
Diversos estudos demonstram que atletas que dormem menos apresentam maior risco de lesão.
A falta de sono pode provocar:
- Menor concentração.
- Reflexos mais lentos.
- Pior controlo motor.
- Maior fadiga neuromuscular.
Todos estes fatores aumentam a probabilidade de erros técnicos durante o treino ou a competição.
Será que dormir mais vale mais do que tomar suplementos?
Para muitas pessoas, sim.
Antes de investir em suplementos, pode ser mais vantajoso garantir:
- 7 a 9 horas de sono por noite.
- Horário regular para deitar e acordar.
- Quarto escuro, silencioso e fresco.
- Evitar ecrãs na última hora antes de dormir.
- Limitar cafeína ao final da tarde.
Estas estratégias têm uma base científica sólida e beneficiam praticamente qualquer pessoa que pretenda melhorar a saúde e o desempenho físico.
Como melhorar a qualidade do sono?
Algumas medidas simples incluem:
- Manter horários consistentes.
- Exposição à luz natural durante a manhã.
- Praticar exercício físico regularmente.
- Evitar refeições muito pesadas imediatamente antes de deitar.
- Reduzir o consumo de álcool.
- Criar uma rotina relaxante antes de dormir.
Conclusão
O treino estimula a adaptação, mas é durante o descanso que essa adaptação acontece.
Se pretende aumentar a massa muscular, melhorar a recuperação, reduzir o risco de lesão ou simplesmente sentir-se com mais energia, melhorar a qualidade do sono deve ser uma das primeiras prioridades.
Em muitos casos, dormir mais e melhor poderá produzir benefícios superiores aos obtidos com muitos suplementos.
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Referências científicas
- Dattilo M, et al. Sleep and muscle recovery:
- https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24435443/
- Fullagar HHK, et al. Sleep and athletic performance: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26447937/
- Consensus Statement on Sleep and Athletic Performance (International Olympic Committee): https://bjsm.bmj.com/content/57/20/1303
- American Academy of Sleep Medicine: https://aasm.org/