O corpo absorve toda a proteína que comemos? O que podemos aprender com um leão

O corpo absorve toda a proteína que comemos? O que podemos aprender com um leão July 9, 2026Leave a comment

Imagine um leão na savana.

Depois de uma caçada bem-sucedida, pode consumir vários quilogramas de carne numa única refeição. Em seguida, passa muitas horas ou até dias sem voltar a comer.

Se o organismo só conseguisse aproveitar 20 ou 30 gramas de proteína por refeição, como algumas pessoas acreditam, este comportamento seria impossível. Grande parte da proteína seria desperdiçada, comprometendo a sobrevivência do animal.

Felizmente, a biologia funciona de outra forma.

Embora o ser humano tenha hábitos alimentares muito diferentes dos de um leão, ambos possuem um sistema digestivo altamente eficiente na digestão e absorção das proteínas.

O corpo absorve toda a proteína?

Em pessoas saudáveis, a resposta é praticamente sim.

Depois de ingerirmos proteína, esta é degradada no estômago e no intestino delgado em pequenos péptidos e aminoácidos, que são absorvidos pela parede intestinal.

A eficiência deste processo é muito elevada e não existe um mecanismo que “desligue” a absorção quando ultrapassamos determinado número de gramas.

Por isso, uma refeição com 60, 80 ou até 100 gramas de proteína não significa que o excesso seja eliminado nas fezes.

Então de onde surgiu o mito dos 30 gramas?

A confusão resulta de um conceito diferente.

Os investigadores observaram que a síntese de proteína muscular, responsável pela construção e reparação do músculo, atinge um máximo com cerca de 20 a 40 gramas de proteína de elevada qualidade na maioria dos adultos.

Isso significa apenas que mais proteína nem sempre aumenta ainda mais a construção muscular naquele momento.

Não significa que o restante seja desperdiçado.

O que acontece ao excesso de proteína?

Os aminoácidos absorvidos podem ser utilizados em muitas funções essenciais.

O organismo utiliza-os para:

  • produzir enzimas;
  • fabricar hormonas;
  • formar anticorpos;
  • reparar pele, tendões e outros tecidos;
  • produzir proteínas presentes em praticamente todos os órgãos;
  • fornecer energia quando necessário;
  • produzir glicose através da gluconeogénese em determinadas circunstâncias.

Ou seja, a proteína continua a ter utilidade, mesmo quando já não aumenta a síntese muscular naquele instante.

O organismo pensa no longo prazo

Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, o corpo humano não funciona apenas refeição a refeição.

Existe um reservatório dinâmico de aminoácidos em constante circulação.

As proteínas do organismo estão continuamente a ser degradadas e reconstruídas.

Os aminoácidos provenientes de uma refeição podem permanecer disponíveis durante várias horas e ser utilizados conforme as necessidades do organismo.

O que dizem os estudos mais recentes?

A investigação dos últimos anos mostrou que refeições com grandes quantidades de proteína podem prolongar a síntese proteica durante mais tempo do que se pensava.

Além disso, pessoas que fazem jejum intermitente, comem apenas duas refeições por dia ou têm maiores necessidades proteicas conseguem beneficiar de refeições com quantidades elevadas de proteína.

Isto demonstra que o organismo é muito mais adaptável do que sugeriam as recomendações antigas.

Então devemos comer grandes quantidades de proteína em todas as refeições?

Não necessariamente.

Para a maioria das pessoas, distribuir a proteína por várias refeições ao longo do dia continua a ser uma estratégia prática e eficaz para apoiar a recuperação muscular.

No entanto, isso não significa que uma refeição com 50, 60 ou até mais gramas de proteína seja desperdiçada.

O fator mais importante continua a ser atingir a quantidade diária de proteína adequada às necessidades individuais.

Conclusão

O mito de que o corpo só consegue aproveitar 20 ou 30 gramas de proteína por refeição não é suportado pela ciência atual.

O organismo absorve praticamente toda a proteína ingerida e utiliza os seus aminoácidos em inúmeros processos fundamentais para a saúde.

A construção de músculo tem um limite por refeição, mas a proteína excedente continua a desempenhar funções importantes no organismo.

Tal como um leão consegue retirar proveito de uma grande refeição para sobreviver durante vários dias, também o corpo humano possui mecanismos sofisticados para aproveitar os nutrientes que recebe. A diferença está nos nossos hábitos alimentares e nas nossas necessidades, não na capacidade básica de absorver proteína.

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Nota: Este artigo tem caráter informativo e não substitui o aconselhamento individualizado por um médico ou nutricionista.

 

Referências científicas