A demência é uma das principais causas de incapacidade e dependência nas pessoas mais velhas. À medida que a esperança média de vida aumenta, também cresce o número de pessoas afetadas por doenças como a doença de Alzheimer e a demência vascular.
Embora não exista uma forma garantida de prevenir estas doenças, a investigação científica mostra que algumas escolhas de estilo de vida podem reduzir significativamente o risco. Entre elas, o exercício físico destaca-se como uma das estratégias mais eficazes.
Uma revisão sistemática com meta-análise confirmou que as pessoas fisicamente ativas apresentam um risco significativamente menor de desenvolver demência, especialmente quando combinam treino de força e exercício aeróbio.
O que é a demência?
A demência não é uma doença única, mas um conjunto de sintomas que resultam da perda progressiva das capacidades cognitivas.
Pode afetar:
- memória;
- atenção;
- linguagem;
- raciocínio;
- orientação;
- capacidade para realizar tarefas do dia a dia.
A forma mais frequente é a doença de Alzheimer, seguida da demência vascular.
O que concluiu a revisão sistemática?
Os investigadores analisaram numerosos estudos que acompanharam milhares de pessoas durante vários anos.
A principal conclusão foi clara: quem pratica exercício físico regularmente apresenta um risco significativamente menor de desenvolver demência.
Os benefícios foram observados tanto em homens como em mulheres e em diferentes faixas etárias.
Porque protege o cérebro?
O exercício provoca várias adaptações benéficas no sistema nervoso.
Entre elas destacam-se:
- aumento do fluxo sanguíneo cerebral;
- melhoria da oxigenação do cérebro;
- estimulação da produção de BDNF (Brain-Derived Neurotrophic Factor), uma proteína importante para a sobrevivência e crescimento dos neurónios;
- redução da inflamação crónica;
- melhoria do controlo da glicemia;
- redução da pressão arterial;
- melhoria da qualidade do sono.
Todos estes fatores contribuem para preservar a função cerebral ao longo do envelhecimento.
Porque combinar treino de força e exercício aeróbio?
A revisão verificou que os maiores benefícios ocorreram quando os programas incluíam as duas modalidades.
Exercício aeróbio
Atividades como caminhar, correr, andar de bicicleta ou nadar ajudam a:
- melhorar a circulação;
- aumentar a capacidade cardiorrespiratória;
- favorecer a saúde dos vasos sanguíneos cerebrais.
Treino de força
O treino de força ajuda a:
- preservar a massa muscular;
- melhorar o equilíbrio;
- reduzir o risco de quedas;
- aumentar a autonomia;
- estimular funções cognitivas relacionadas com a aprendizagem motora e a coordenação.
A combinação destas modalidades parece oferecer uma proteção superior à utilização de apenas uma delas.
Quanto exercício é necessário?
As recomendações internacionais sugerem:
- pelo menos 150 minutos por semana de atividade física moderada ou 75 minutos de atividade vigorosa;
- 2 ou mais sessões semanais de treino de força, envolvendo os principais grupos musculares.
Mesmo pessoas que iniciam a prática após os 60 anos podem beneficiar.
Nunca é tarde para começar
Uma das mensagens mais importantes da investigação é que os benefícios do exercício não estão limitados aos jovens.
Pessoas sedentárias que começam a praticar exercício de forma regular podem melhorar a capacidade funcional, reduzir fatores de risco cardiovasculares e contribuir para preservar a função cerebral.
Cada passo conta.
Outros benefícios do exercício
Além da possível redução do risco de demência, a prática regular de exercício também contribui para:
- melhorar a memória;
- aumentar a concentração;
- reduzir sintomas de ansiedade e depressão;
- melhorar a qualidade do sono;
- controlar a pressão arterial;
- reduzir o risco de diabetes tipo 2;
- preservar a independência durante o envelhecimento.
Conclusão
O exercício físico não beneficia apenas os músculos e o coração. Também desempenha um papel fundamental na saúde do cérebro.
A evidência científica mostra que pessoas fisicamente ativas apresentam um risco significativamente menor de desenvolver doença de Alzheimer, demência vascular e défice cognitivo.
A combinação de treino de força com exercício aeróbio parece ser uma das estratégias mais eficazes para promover um envelhecimento saudável e preservar a função cerebral.
Investir no movimento hoje pode significar um cérebro mais saudável no futuro.
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Referências científicas
- World Health Organization. Risk reduction of cognitive decline and dementia: Guidelines.
https://www.who.int/publications/i/item/9789241550543
- Livingston G, et al. Dementia prevention, intervention, and care. The Lancet.
https://www.thelancet.com/series/dementia-prevention-intervention-care
- Erickson KI, et al. Exercise, cognition and brain health.
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25773367/
- American College of Sports Medicine – Physical Activity Guidelines.
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Disclaimer: Este artigo tem fins exclusivamente informativos e não substitui a avaliação médica. O exercício físico deve ser adaptado às características, limitações e objetivos de cada pessoa, especialmente na presença de doenças neurológicas ou cardiovasculares.