O que é a vigorexia? Quando o desejo de ganhar músculo se transforma num problema

O que é a vigorexia? Quando o desejo de ganhar músculo se transforma num problema June 16, 2026Leave a comment

Treinar força, querer ganhar massa muscular e preocupar-se com a composição corporal não significa ter vigorexia.

A vigorexia, também chamada dismorfia muscular ou muscle dysmorphia, caracteriza-se por uma preocupação persistente com a ideia de que o corpo é demasiado pequeno ou pouco musculado, mesmo quando a pessoa já apresenta uma musculatura desenvolvida.

Atualmente, a dismorfia muscular é considerada uma especificação da perturbação dismórfica corporal no DSM-5-TR. (Inbio)

Quando o treino deixa de ser saudável?

Uma pessoa pode gostar muito de musculação, treinar cinco vezes por semana e seguir uma alimentação rigorosa sem ter vigorexia.

O problema surge quando a preocupação com o tamanho e a definição muscular começa a dominar a vida da pessoa.

Pode existir uma sensação constante de que nunca se é suficientemente musculado.

Mesmo depois de ganhar vários quilos de massa muscular, a pessoa continua a olhar para o corpo e a pensar:

“Ainda sou demasiado pequeno.”

Esta perceção pode não corresponder à realidade.

Quais são os sinais de alerta?

Alguns comportamentos podem levantar suspeitas de dismorfia muscular:

  • passar muito tempo a pensar no tamanho e aparência dos músculos;
  • verificar frequentemente o corpo ao espelho;
  • comparar constantemente o próprio corpo com o de outras pessoas;
  • sentir ansiedade ou culpa quando não consegue treinar;
  • continuar a treinar apesar de lesões ou problemas físicos;
  • seguir dietas extremamente rígidas;
  • evitar situações em que o corpo fique exposto por vergonha da aparência;
  • deixar de participar em atividades sociais para não perder um treino ou uma refeição planeada;
  • utilizar substâncias potencialmente perigosas para aumentar a massa muscular.

A característica fundamental não é simplesmente treinar muito, mas a preocupação e os comportamentos associados provocarem sofrimento ou interferirem significativamente com a vida quotidiana. (National Eating Disorders Association)

Vigorexia não é o mesmo que gostar de musculação

Esta distinção é particularmente importante.

Gostar de treinar ≠ vigorexia.

Uma pessoa pode ter objetivos ambiciosos de hipertrofia, controlar a alimentação e procurar melhorar continuamente a sua composição corporal.

Isso pode fazer parte de um estilo de vida saudável.

Na vigorexia, porém, existe uma preocupação desproporcional com a aparência e uma dificuldade em aceitar que o corpo já é suficientemente musculado.

O treino deixa de ser apenas uma ferramenta para melhorar a saúde ou a performance e passa a ser uma obrigação difícil de interromper.

Pode afetar a saúde física

O problema não está apenas na imagem corporal.

O exercício excessivo e compulsivo pode aumentar o risco de lesões musculares e articulares, fadiga e outros problemas físicos.

Algumas pessoas também recorrem a dietas extremas ou a substâncias para aumentar a massa muscular. O uso de esteroides anabolizantes, por exemplo, pode estar associado a consequências importantes para a saúde. (National Eating Disorders Association)

A dismorfia muscular também pode coexistir com ansiedade, depressão, problemas alimentares e outras perturbações psicológicas. (National Eating Disorders Association)

A vigorexia é mais frequente nos homens?

A dismorfia muscular pode afetar qualquer pessoa, mas parece ser mais comum em homens, particularmente entre praticantes de musculação e determinados grupos de atletas. (National Eating Disorders Association)

A crescente pressão para apresentar um corpo musculado nas redes sociais também tem sido apontada como um possível fator associado à insatisfação corporal e aos sintomas de dismorfia muscular. (National Eating Disorders Association)

Como é tratada?

A primeira etapa é reconhecer que existe um problema.

O tratamento pode envolver psicoterapia, particularmente abordagens utilizadas na perturbação dismórfica corporal, como a terapia cognitivo-comportamental.

Em determinados casos, pode também ser considerada medicação, sempre através de avaliação médica. Uma abordagem multidisciplinar envolvendo profissionais de saúde mental, medicina e nutrição pode ser útil. (National Eating Disorders Association)

A mensagem mais importante

Querer ser mais forte e musculado é normal. Sentir que nunca se é suficientemente musculado, mesmo quando o corpo já é muito desenvolvido, pode ser um sinal de dismorfia muscular.

O objetivo do treino deve ser melhorar a força, a saúde, a funcionalidade e a qualidade de vida — e não transformar o exercício numa obrigação que controla toda a vida.

Se a preocupação com o corpo, o treino ou a alimentação estiver a causar sofrimento ou a interferir com relações, trabalho ou vida social, é importante procurar avaliação de um profissional de saúde.

 

Referências