O BDNF (Brain-Derived Neurotrophic Factor), ou Fator Neurotrófico Derivado do Cérebro, é uma proteína produzida pelo organismo que desempenha um papel fundamental na saúde do cérebro. Apesar de muitas pessoas lhe chamarem “células BDNF”, isso não é correto. O BDNF não é uma célula, mas sim uma molécula sinalizadora que ajuda os neurónios a crescer, sobreviver e comunicar entre si.
Nos últimos anos, esta proteína tornou-se um dos temas mais estudados na neurociência, devido à sua ligação à memória, aprendizagem, humor e prevenção do declínio cognitivo.
Para que serve o BDNF?
O BDNF funciona como um verdadeiro “fertilizante” para o cérebro. Entre as suas principais funções destacam-se:
- Promover a sobrevivência dos neurónios.
- Estimular a formação de novas ligações entre células nervosas.
- Favorecer a neuroplasticidade, ou seja, a capacidade do cérebro se adaptar e aprender.
- Participar na formação de novas memórias.
- Melhorar a aprendizagem.
- Ajudar na recuperação após lesões neurológicas.
- Contribuir para um melhor funcionamento cognitivo ao longo da vida.
Níveis reduzidos de BDNF têm sido associados a doenças como depressão, doença de Alzheimer, doença de Parkinson e outras patologias neurodegenerativas.
Onde é produzido?
O BDNF é produzido em vários locais do organismo, sendo particularmente abundante:
- Hipocampo (memória e aprendizagem).
- Córtex cerebral.
- Cerebelo.
- Medula espinal.
- Músculo esquelético durante o exercício.
- Retina.
- Sistema nervoso periférico.
Curiosamente, o músculo também comunica com o cérebro. Durante a atividade física, são libertadas diversas substâncias que favorecem a produção de BDNF e melhoram a função cerebral.
O jejum aumenta o BDNF?
A resposta curta é: sim, provavelmente, mas depende da duração do jejum e da pessoa.
Estudos em animais mostram um aumento consistente da expressão do BDNF durante períodos de restrição energética. Em humanos, os resultados são mais variáveis, mas a evidência sugere que jejuns de 16 a 24 horas, realizados de forma ocasional e em pessoas saudáveis, podem estimular vias metabólicas que favorecem a produção de BDNF.
Durante o jejum ocorrem várias adaptações:
- diminuição da glicose disponível;
- aumento da utilização de gordura como combustível;
- produção de corpos cetónicos, especialmente o beta-hidroxibutirato;
- ativação de mecanismos de reparação celular.
O beta-hidroxibutirato parece atuar como um sinal metabólico capaz de estimular a expressão do gene responsável pela produção de BDNF.
No entanto, ainda não existe evidência suficiente para afirmar que jejuns prolongados produzam benefícios superiores aos de um estilo de vida saudável.
O exercício físico é ainda mais eficaz
Se existe uma estratégia claramente comprovada para aumentar o BDNF, essa estratégia é o exercício.
Diversos estudos mostram que uma única sessão de exercício aeróbio pode aumentar temporariamente os níveis circulantes de BDNF.
Os maiores benefícios parecem ocorrer com:
- caminhada rápida;
- corrida;
- bicicleta;
- remo;
- treino intervalado;
- treino de força.
O exercício regular promove ainda adaptações duradouras na neuroplasticidade e está associado a menor risco de demência e declínio cognitivo.
Dormir bem também aumenta o BDNF
O sono desempenha um papel essencial na regulação desta proteína.
Dormir pouco durante vários dias pode reduzir os níveis de BDNF, afetando:
- memória;
- concentração;
- aprendizagem;
- humor;
- capacidade de recuperação.
Dormir entre 7 e 9 horas por noite continua a ser uma das melhores estratégias para manter um cérebro saudável.
Outros fatores que influenciam o BDNF
Além do exercício e do jejum, também parecem favorecer níveis mais elevados de BDNF:
- dieta mediterrânica;
- consumo adequado de ómega-3;
- frutos vermelhos;
- cacau rico em flavonoides;
- exposição regular à natureza;
- aprendizagem de novas competências;
- interação social;
- gestão do stress.
Pelo contrário, sedentarismo, obesidade, tabagismo, stress crónico e privação de sono tendem a reduzir a sua produção.
Vale a pena fazer jejum apenas para aumentar o BDNF?
Provavelmente não.
Embora existam dados promissores sobre o efeito do jejum intermitente, os benefícios observados em humanos parecem ser modestos quando comparados com o impacto consistente do exercício físico, do sono adequado e de uma alimentação equilibrada.
O jejum pode fazer parte de um estilo de vida saudável para algumas pessoas, mas não é obrigatório para obter níveis elevados de BDNF.
Conclusão
O BDNF é uma proteína essencial para a saúde do cérebro. Participa na aprendizagem, memória, neuroplasticidade e proteção dos neurónios ao longo da vida.
A evidência científica sugere que o jejum intermitente pode aumentar a produção de BDNF através de alterações metabólicas, sobretudo pela produção de corpos cetónicos. No entanto, os maiores e mais consistentes estímulos continuam a ser o exercício físico regular, um sono de qualidade e uma alimentação saudável.
Se o objetivo é proteger o cérebro e manter uma boa função cognitiva durante o envelhecimento, estas continuam a ser as estratégias com maior suporte científico
Referências bibliográficas (links clicáveis)
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Sou Marcelo Barros, Personal Trainer desde 1995, antigo Personal Trainer da Men’s Health (2003–2015), especialista em exercício para coluna e joelho, com formação em Osteopatia e P-DTR (Proprioceptive Deep Tendon Reflex).
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Aviso: Este artigo tem fins exclusivamente informativos e educativos. Não substitui uma avaliação individualizada por um profissional de saúde qualificado nem constitui aconselhamento médico ou nutricional. Cada pessoa apresenta características e necessidades próprias, pelo que qualquer estratégia de alimentação, jejum ou exercício deve ser adaptada ao seu caso específico.