Quando pensamos em estratégias para viver mais anos, é natural lembrar o exercício físico, a alimentação saudável ou o controlo da pressão arterial. No entanto, existe um hábito menos conhecido que também parece estar associado a uma vida mais longa: o voluntariado.
A investigação científica sugere que as pessoas que dedicam parte do seu tempo a ajudar os outros tendem a apresentar melhor saúde física e mental, menor risco de depressão, maior satisfação com a vida e, em alguns estudos, uma menor probabilidade de morte prematura.
Naturalmente, o voluntariado não funciona como um medicamento nem garante uma vida mais longa. Contudo, pode fazer parte de um conjunto de hábitos que favorecem um envelhecimento mais saudável e uma melhor qualidade de vida.
O que é o voluntariado?
O voluntariado consiste em dedicar tempo e competências para ajudar outras pessoas ou causas, sem receber remuneração financeira.
Pode assumir muitas formas, por exemplo:
- colaborar em instituições de solidariedade;
- apoiar idosos;
- participar em associações desportivas;
- ajudar em bancos alimentares;
- proteger o ambiente;
- acompanhar pessoas isoladas;
- participar em projetos comunitários.
O importante é realizar uma atividade com significado pessoal.
Porque pode beneficiar a saúde?
O voluntariado combina vários fatores que, individualmente, já estão associados a melhor saúde.
Entre eles destacam-se:
- maior atividade física em muitas tarefas;
- aumento das relações sociais;
- maior sentimento de utilidade;
- redução do isolamento;
- maior estimulação cognitiva;
- melhor bem-estar emocional.
É provável que seja a combinação destes fatores, e não apenas o ato de ajudar, que explique grande parte dos benefícios observados.
Melhora a saúde mental
Diversos estudos mostram que pessoas que fazem voluntariado relatam frequentemente:
- maior satisfação com a vida;
- melhor autoestima;
- menor risco de sintomas depressivos;
- menor sensação de solidão;
- maior propósito de vida.
Sentir que contribuímos para algo maior pode ter um impacto muito positivo no bem-estar psicológico.
Reduz o isolamento social
A solidão é atualmente reconhecida como um importante fator de risco para doença e mortalidade.
O voluntariado promove contacto regular com outras pessoas, criando novas amizades e fortalecendo o sentimento de pertença à comunidade.
Estas relações sociais são, por si só, um importante fator de proteção para a saúde.
Pode estimular o cérebro
Participar em atividades de voluntariado implica frequentemente:
- aprender novas competências;
- resolver problemas;
- comunicar com diferentes pessoas;
- planear tarefas;
- tomar decisões.
Esta estimulação cognitiva pode contribuir para manter o cérebro ativo durante o envelhecimento.
O coração também beneficia
Embora o voluntariado não substitua o exercício físico, algumas atividades envolvem movimento regular.
Além disso, a redução do stress e o fortalecimento das relações sociais podem contribuir indiretamente para uma melhor saúde cardiovascular.
Alguns estudos observaram associações entre voluntariado regular e menor risco de hipertensão arterial em adultos mais velhos.
Existe relação com a longevidade?
Diversos estudos prospetivos sugerem que pessoas que realizam voluntariado apresentam menor risco de morte prematura.
No entanto, é importante interpretar estes resultados com prudência.
É possível que indivíduos mais saudáveis tenham maior probabilidade de participar em atividades de voluntariado, o que dificulta estabelecer uma relação direta de causa e efeito.
Ainda assim, mesmo após ajustar vários fatores de confusão, muitos estudos continuam a encontrar uma associação positiva.
Quanto tempo é necessário?
A investigação não identificou uma duração ideal.
Os benefícios parecem surgir sobretudo quando o voluntariado é realizado de forma regular e sustentável.
Mais importante do que dedicar muitas horas é manter uma participação consistente e compatível com a rotina e a saúde de cada pessoa.
Nunca é tarde para começar
Após a reforma, muitas pessoas procuram novas formas de ocupar o tempo.
O voluntariado pode proporcionar:
- novos objetivos;
- contacto social;
- atividade física;
- estimulação mental;
- maior sentido de utilidade.
Estas características podem facilitar um envelhecimento mais ativo e saudável.
O voluntariado não substitui hábitos saudáveis
Apesar dos seus benefícios, o voluntariado deve complementar, e não substituir:
- exercício físico;
- alimentação equilibrada;
- sono adequado;
- controlo dos fatores de risco cardiovascular;
- acompanhamento médico quando necessário.
É a combinação destes hábitos que oferece maior proteção para a saúde.
Como encontrar oportunidades?
Existem inúmeras possibilidades.
Pode procurar:
- instituições de solidariedade social;
- associações locais;
- clubes desportivos;
- organizações ambientais;
- bancos alimentares;
- projetos de apoio a idosos;
- iniciativas promovidas pela autarquia da sua área de residência.
Escolher uma causa que tenha significado pessoal aumenta a probabilidade de manter o compromisso ao longo do tempo.
Conclusão
O voluntariado pode ser muito mais do que uma forma de ajudar os outros. A evidência científica sugere que também pode beneficiar quem o pratica, promovendo relações sociais, reduzindo o isolamento, melhorando o bem-estar psicológico e contribuindo para um envelhecimento mais saudável.
Embora não exista garantia de que aumente diretamente a esperança de vida, integrar atividades de voluntariado num estilo de vida saudável pode ser mais uma peça importante no caminho para viver mais anos com qualidade, autonomia e propósito.
Posso ajudar?
Se pretende utilizar o exercício físico e outros hábitos baseados na evidência científica para promover um envelhecimento saudável e aumentar a sua qualidade de vida, posso ajudá-lo a desenvolver um programa personalizado, adaptado às suas necessidades e objetivos.
Referências científicas
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https://bmcpublichealth.biomedcentral.com/articles/10.1186/1471-2458-13-773
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https://psycnet.apa.org/record/2013-25382-001
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https://psycnet.apa.org/record/2014-40464-001
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