Plexo Braquial: Quais São os Nervos, Por Onde Passam e Que Movimentos Controlam?

Plexo Braquial: Quais São os Nervos, Por Onde Passam e Que Movimentos Controlam? January 21, 2026Leave a comment

 

Se alguma vez sentiu formigueiro no braço, perda de força na mão ou dor que desce do pescoço para os dedos, provavelmente já ouviu falar do plexo braquial.

O plexo braquial é uma das estruturas neurológicas mais importantes do corpo humano. Trata-se de uma rede complexa de nervos que liga a coluna cervical ao ombro, braço, antebraço e mão.

É através destes nervos que o cérebro controla os movimentos dos membros superiores e recebe informação sensitiva proveniente da pele, músculos e articulações.

Compreender a anatomia do plexo braquial ajuda a perceber porque uma compressão no pescoço, na clavícula ou no ombro pode provocar sintomas em regiões aparentemente distantes.

O Que é o Plexo Braquial?

O plexo braquial é formado pelas raízes nervosas que saem da medula espinhal entre:

  • C5
  • C6
  • C7
  • C8
  • T1

Em algumas pessoas pode existir uma pequena contribuição de C4 ou T2.

Após saírem da coluna cervical, estas raízes unem-se, dividem-se e reorganizam-se várias vezes antes de originarem os nervos periféricos que chegam ao braço.

O Percurso do Plexo Braquial

Os nervos passam por várias regiões anatómicas importantes:

Entre os músculos escalenos

Após saírem da coluna cervical, as raízes nervosas atravessam o espaço existente entre:

  • Escaleno anterior
  • Escaleno médio

Compressões nesta região podem contribuir para sintomas semelhantes aos observados na síndrome do desfiladeiro torácico.

Debaixo da clavícula

Os nervos continuam o seu percurso por baixo da clavícula.

Nesta região encontram-se próximos de:

  • Artéria subclávia
  • Veia subclávia

Alterações posturais ou tensão muscular podem influenciar este espaço.

Atrás do músculo peitoral menor

Antes de entrarem no braço, os nervos passam sob o peitoral menor.

Este é outro local potencial de compressão.

Axila

Na axila, os fascículos reorganizam-se e dão origem aos nervos periféricos finais.

É a partir daqui que seguem para o braço, antebraço e mão.

Nervo Musculocutâneo

Origem

  • C5
  • C6
  • C7

Percurso

Perfura o músculo coracobraquial e desce ao longo da face anterior do braço.

Músculos Inervados

  • Bíceps braquial
  • Braquial
  • Coracobraquial

Principais Movimentos

  • Flexão do cotovelo
  • Supinação do antebraço

Alterações Possíveis

Uma lesão pode provocar dificuldade em:

  • Dobrar o cotovelo
  • Rodar a palma da mão para cima

Nervo Axilar

Origem

  • C5
  • C6

Percurso

Passa pelo espaço quadrangular da região posterior do ombro.

Músculos Inervados

  • Deltoide
  • Redondo menor

Principais Movimentos

  • Abdução do ombro
  • Rotação externa

Alterações Possíveis

Pode surgir dificuldade em elevar o braço lateralmente.

Nervo Radial

Origem

  • C5
  • C6
  • C7
  • C8
  • T1

Percurso

Passa pela região posterior do braço através do sulco radial do úmero.

Segue depois para o antebraço.

Músculos Inervados

  • Tricípite
  • Extensores do punho
  • Extensores dos dedos

Principais Movimentos

  • Extensão do cotovelo
  • Extensão do punho
  • Extensão dos dedos

Alterações Possíveis

A lesão do nervo radial pode originar a chamada:

“Mão caída”

onde o punho perde capacidade de extensão.

Nervo Mediano

Origem

  • C5
  • C6
  • C7
  • C8
  • T1

Percurso

Desce pela região anterior do braço e antebraço.

Atravessa o túnel cárpico ao nível do punho.

Músculos Inervados

  • Pronadores do antebraço
  • Flexores do punho
  • Músculos da eminência tenar

Principais Movimentos

  • Flexão do punho
  • Pronação
  • Oposição do polegar

Alterações Possíveis

É o nervo mais frequentemente envolvido na:

  • Síndrome do túnel cárpico

Pode provocar:

  • Formigueiro
  • Dormência
  • Fraqueza do polegar

Nervo Ulnar

Origem

  • C8
  • T1

Percurso

Passa atrás do epicôndilo medial do cotovelo.

É o conhecido “osso engraçado”.

Segue depois para a mão.

Músculos Inervados

  • Flexor ulnar do carpo
  • Parte do flexor profundo dos dedos
  • Músculos intrínsecos da mão

Principais Movimentos

  • Abertura dos dedos
  • Fecho dos dedos
  • Controlo fino da mão

Alterações Possíveis

Pode provocar:

  • Formigueiro no dedo mínimo
  • Fraqueza da mão
  • Perda de destreza manual

Outros Nervos Importantes do Plexo Braquial

Nervo Supraescapular

Inerva:

  • Supraespinhoso
  • Infraespinhoso

Movimentos:

  • Início da abdução do ombro
  • Rotação externa

Nervo Torácico Longo

Inerva:

  • Serrátil anterior

Movimento:

  • Estabilização da omoplata

Lesões podem provocar a chamada:

Escápula alada

Nervo Dorsal da Escápula

Inerva:

  • Romboides
  • Elevador da escápula

Movimentos:

  • Retração escapular
  • Elevação escapular

Porque é Importante Conhecer o Plexo Braquial?

Muitas dores do membro superior não têm origem apenas nos músculos ou articulações.

Uma alteração nervosa pode provocar sintomas à distância.

Por exemplo:

  • Uma compressão cervical pode causar dor na mão.
  • Uma tensão muscular no pescoço pode provocar formigueiro nos dedos.
  • Uma alteração postural pode influenciar o plexo braquial.

Por isso, uma avaliação completa deve considerar não apenas músculos e articulações, mas também o sistema nervoso.

O Papel dos Olhos e do Sistema Nervoso

Atualmente compreendemos que o movimento resulta da interação entre vários sistemas.

Os olhos fornecem informação fundamental ao cérebro sobre:

  • Equilíbrio.
  • Orientação espacial.
  • Coordenação motora.
  • Controlo postural.

Alterações na forma como o cérebro processa essa informação podem influenciar padrões de movimento, tensão muscular e controlo motor.

Por esse motivo, o Treino Motor Ocular tem vindo a assumir um papel crescente na avaliação e otimização do movimento humano.

Sobre Mim

Sou Marcelo Barros, Personal Trainer desde 1995 e antigo Personal Trainer oficial da Men’s Health entre 2003 e 2015.

Especializei-me na avaliação do movimento e reabilitação funcional, com especial interesse nas alterações da coluna cervical, ombro, joelho e sistema nervoso.

A minha formação inclui:

  • Osteopatia.
  • P-DTR (Proprioceptive Deep Tendon Reflex).
  • Treino Motor Ocular.
  • Treino de força.
  • Reabilitação funcional.

Acredito que compreender a interação entre cérebro, olhos, nervos, músculos e articulações permite identificar limitações frequentemente ignoradas nas abordagens tradicionais.

Referências Científicas

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK482305/

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK537200/

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK470582/

https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31194331/

https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29763167/