Se pudesse escolher apenas um tipo de exercício para manter a saúde à medida que envelhece, qual seria?
Caminhar? Nadar? Andar de bicicleta? Fazer Pilates?
Todos estes exercícios têm benefícios. No entanto, quando analisamos a investigação científica, existe um tipo de treino que se destaca pela sua capacidade de preservar a independência, prevenir doenças e melhorar a qualidade de vida: o treino de força.
Isso não significa que seja o único exercício importante, mas é um dos que mais impacto tem na forma como envelhecemos.
Porque o exercício é tão importante depois dos 40 anos?
A partir da meia-idade, o organismo sofre alterações naturais:
- Diminuição da massa muscular.
- Redução da força.
- Perda de densidade óssea.
- Menor equilíbrio.
- Redução da velocidade de reação.
- Maior risco de doenças crónicas.
Sem atividade física, estas alterações tendem a acelerar.
A boa notícia é que o exercício regular pode atrasar significativamente este processo.
Porque o treino de força ocupa um lugar de destaque?
Os músculos são fundamentais para quase tudo o que fazemos.
Levantar-se de uma cadeira, subir escadas, transportar compras, brincar com os netos ou evitar uma queda depende, em grande parte, da força muscular.
A investigação demonstra que o treino de força ajuda a:
- Preservar a massa muscular.
- Aumentar a força.
- Melhorar a densidade mineral óssea.
- Reduzir o risco de quedas.
- Melhorar o equilíbrio.
- Facilitar o controlo da glicemia.
- Melhorar a composição corporal.
- Aumentar a capacidade funcional.
- Promover uma maior longevidade.
Além disso, pessoas fisicamente mais fortes tendem a manter a autonomia durante mais anos.
Caminhar é suficiente?
Caminhar é uma excelente forma de atividade física.
Melhora a saúde cardiovascular, ajuda a controlar o peso e reduz o risco de várias doenças.
No entanto, caminhar, por si só, normalmente não fornece um estímulo suficiente para manter ou aumentar significativamente a massa muscular e a força, especialmente após os 50 anos.
Por isso, as recomendações internacionais sugerem combinar caminhadas com treino de força.
Existe um exercício perfeito?
Não.
O melhor exercício é aquele que consegue realizar de forma consistente e que corresponde às suas necessidades e preferências.
Para a maioria das pessoas, a combinação mais completa inclui:
- Treino de força.
- Exercício cardiovascular.
- Exercícios de equilíbrio.
- Exercícios de mobilidade.
Cada componente contribui para um envelhecimento saudável de forma diferente.
Quantas vezes por semana?
As principais organizações internacionais recomendam:
- Pelo menos 150 minutos de atividade física moderada por semana (ou 75 minutos de atividade vigorosa).
- Treino de força duas ou mais vezes por semana, envolvendo os principais grupos musculares.
- Exercícios de equilíbrio, especialmente a partir dos 65 anos ou quando existe risco aumentado de queda.
O mais importante é manter uma rotina regular ao longo dos anos.
Nunca é tarde para começar
Um dos aspetos mais interessantes da investigação é que pessoas com 70, 80 e até mais de 90 anos continuam a responder positivamente ao treino de força.
Mesmo quem nunca treinou pode aumentar a força, melhorar o equilíbrio, recuperar confiança nos movimentos e ganhar qualidade de vida.
A idade não é uma barreira para começar.
O papel da avaliação individual
Nem todas as pessoas têm os mesmos objetivos ou limitações.
Uma avaliação permite identificar:
- Nível de força.
- Mobilidade.
- Equilíbrio.
- Condição cardiovascular.
- Limitações articulares.
- Historial de lesões.
Com base nessa informação é possível criar um programa seguro, eficaz e adaptado às necessidades de cada pessoa.
O que diz a ciência?
A Organização Mundial da Saúde (OMS), o American College of Sports Medicine (ACSM) e outras entidades internacionais recomendam que adultos de meia-idade e idosos combinem treino de força, atividade aeróbia e exercícios de equilíbrio.
Esta combinação está associada a menor risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, osteoporose, quedas, perda de autonomia e mortalidade precoce.
Envelhecer com saúde não depende apenas da genética. Os hábitos diários, especialmente a prática regular de exercício físico, desempenham um papel determinante.
Referências científicas
World Health Organization. Guidelines on Physical Activity and Sedentary Behaviour. 2020
https://www.who.int/publications/i/item/9789240015128
American College of Sports Medicine. ACSM’s Guidelines for Exercise Testing and Prescription
https://acsm.org/education-resources/books/guidelines-exercise-testing-prescription/
Fragala MS, Cadore EL, Dorgo S, et al. Resistance Training for Older Adults: Position Statement From the National Strength and Conditioning Association
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31343601/
Cruz-Jentoft AJ, Bahat G, Bauer J, et al. Sarcopenia: Revised European Consensus on Definition and Diagnosis (EWGSOP2). Age and Ageing. 2019
https://academic.oup.com/ageing/article/48/1/16/5126243
Momma H, Kawakami R, et al. Muscle-Strengthening Activities Are Associated With Lower Risk of All-Cause Mortality. British Journal of Sports Medicine. 2022
https://bjsm.bmj.com/content/56/13/755
Leitura complementar
Piercy KL, Troiano RP, Ballard RM, et al. The Physical Activity Guidelines for Americans
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30418471/
Westcott WL. Resistance Training Is Medicine: Effects of Strength Training on Health
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22777332/
Posso ajudar?
Se pretende envelhecer com mais saúde, força e autonomia, um programa de treino adaptado pode fazer toda a diferença.
Sou Marcelo Barros, Personal Trainer desde 1995, antigo Personal Trainer oficial da Men’s Health (2003–2015), especialista em joelho e coluna, com formação em Osteopatia e em P-DTR (Proprioceptive Deep Tendon Reflex).
Realizo avaliações presenciais no Lemon Fit, no Parque das Nações (Lisboa), e acompanhamento online por videochamada.
Após uma avaliação individual, desenvolvo um plano de treino personalizado, baseado na melhor evidência científica disponível, para o ajudar a ganhar força, melhorar o equilíbrio, reduzir o risco de lesões e manter a sua independência durante muitos anos.
Se pretende começar a treinar ou adaptar o seu programa de exercício às suas necessidades, entre em contacto para agendar uma avaliação.