Quando pensamos em longevidade, imaginamos análises ao sangue, colesterol, tensão arterial ou genética.
No entanto, a ciência tem identificado algo surpreendente: alguns músculos do nosso corpo parecem fornecer informações muito importantes sobre o risco de doença, incapacidade e mortalidade.
Entre eles destacam-se quatro grupos musculares:
- força de preensão da mão;
- glúteos;
- diafragma;
- gémeos (músculos da barriga da perna).
Cada um desempenha funções diferentes, mas todos estão associados à saúde global e ao envelhecimento.
1. A força de preensão: um verdadeiro biomarcador
Se existisse um único teste muscular para avaliar a saúde de uma pessoa, muitos investigadores escolheriam a força de preensão da mão.
Grandes estudos internacionais demonstraram que pessoas com menor força de pega apresentam maior risco de:
- mortalidade precoce;
- doenças cardiovasculares;
- diabetes;
- incapacidade funcional;
- hospitalizações.
A força de preensão reflete não apenas a força da mão, mas também a qualidade do sistema muscular e nervoso de todo o organismo.
Por isso, é frequentemente utilizada em estudos sobre envelhecimento saudável.
2. Glúteos: muito mais do que estética
Os glúteos são os músculos mais potentes do corpo humano.
São fundamentais para:
- caminhar;
- subir escadas;
- levantar-se de uma cadeira;
- manter o equilíbrio;
- proteger a coluna e os joelhos.
Com o envelhecimento, a perda de força dos glúteos aumenta o risco de quedas e reduz a independência.
Embora existam menos estudos que relacionem diretamente a força dos glúteos com a mortalidade, a sua importância para a mobilidade e autonomia está bem estabelecida.
3. Diafragma: o músculo da respiração
O diafragma trabalha milhares de vezes por dia sem descanso.
Além da respiração, influencia:
- a postura;
- a estabilidade da coluna;
- a oxigenação dos tecidos;
- o retorno venoso;
- a tolerância ao exercício.
Estudos mostram que pessoas com menor força dos músculos respiratórios apresentam pior capacidade funcional e, em várias doenças crónicas, um maior risco de complicações e mortalidade.
Treinar a respiração e manter um bom condicionamento físico ajuda a preservar a função do diafragma ao longo da vida.
4. Gémeos: o “segundo coração”
Os gémeos são muitas vezes chamados de segundo coração.
Sempre que caminhamos, estes músculos comprimem as veias das pernas e ajudam o sangue a regressar ao coração.
Quando estão fracos:
- aumenta a estase venosa;
- surgem pernas mais pesadas;
- diminui a eficiência da circulação;
- reduz-se a capacidade para caminhar.
Além disso, a perda de massa muscular nas pernas está fortemente associada à fragilidade e ao risco de incapacidade nos idosos.
Porque é que estes músculos são tão importantes?
Todos eles têm uma característica em comum.
São músculos que utilizamos diariamente.
Quando começam a perder força, muitas vezes isso reflete alterações mais profundas do organismo, como:
- perda global de massa muscular;
- menor atividade física;
- inflamação crónica;
- doenças cardiovasculares;
- envelhecimento acelerado.
Por isso, funcionam como verdadeiros indicadores da saúde global.
Como protegê-los?
A boa notícia é que estes músculos respondem muito bem ao treino.
Algumas estratégias incluem:
- treino de força 2 a 4 vezes por semana;
- caminhadas diárias;
- exercícios para glúteos, como agachamentos e pontes;
- elevações dos calcanhares para fortalecer os gémeos;
- exercícios respiratórios para melhorar a função do diafragma;
- atividades que desafiem a força de preensão, como transportar pesos ou exercícios específicos para as mãos.
Não existe um músculo da longevidade
É importante esclarecer que não existe um único músculo capaz de prever, por si só, quanto tempo vamos viver.
A força de preensão é o marcador mais bem estudado e apresenta uma associação consistente com a mortalidade.
Os glúteos, o diafragma e os gémeos têm um papel essencial na mobilidade, na capacidade funcional e na saúde cardiovascular, contribuindo de forma importante para um envelhecimento saudável, mas a evidência que os liga diretamente à longevidade é menos robusta.
Em conjunto, estes músculos ajudam-nos a compreender melhor o estado geral do organismo.
Conclusão
A longevidade não depende apenas do coração ou do cérebro.
Também depende dos músculos.
Uma boa força de preensão, glúteos fortes, um diafragma eficiente e gémeos capazes de manter uma boa circulação contribuem para preservar a mobilidade, reduzir o risco de quedas, melhorar a capacidade física e aumentar a independência.
Cuidar destes músculos é investir não apenas em mais anos de vida, mas sobretudo em mais anos de vida com qualidade.
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Nota: Este artigo tem caráter informativo e não substitui a avaliação por um profissional de saúde.
Referências científicas
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