A artrose é a doença articular mais frequente no mundo e uma das principais causas de dor e incapacidade após os 50 anos. Afeta sobretudo os joelhos, as ancas, as mãos e a coluna, podendo dificultar atividades simples como caminhar, subir escadas ou levantar-se de uma cadeira. Durante muitos anos, acreditou-se que quem sofria de artrose deveria evitar esforços para não “gastar” ainda mais as articulações. Atualmente, a ciência demonstra exatamente o contrário: para a maioria das pessoas, o exercício físico é um dos tratamentos mais eficazes.
A artrose caracteriza-se por alterações progressivas na cartilagem, no osso, na membrana sinovial e em outras estruturas da articulação. Apesar de a dor ser o sintoma mais conhecido, nem sempre existe uma relação direta entre o grau de desgaste observado nos exames e a intensidade da dor. Existem pessoas com artrose avançada que sentem poucas queixas e outras com alterações ligeiras que apresentam dor significativa.
O repouso pode ser útil durante uma crise aguda muito intensa ou após uma lesão recente. No entanto, quando prolongado, provoca perda de massa muscular, diminuição da mobilidade, redução da capacidade cardiovascular e aumento da rigidez articular. Além disso, quanto menos a pessoa se movimenta, mais difícil se torna realizar as tarefas do dia a dia.
O exercício físico atua em vários mecanismos que ajudam a controlar a artrose. Um dos mais importantes é o fortalecimento dos músculos que envolvem a articulação. No caso do joelho, por exemplo, músculos fortes da coxa, da anca e da perna absorvem melhor as cargas durante a marcha, reduzindo o esforço suportado pelas estruturas articulares.
Ao contrário de um mito muito difundido, o exercício realizado de forma adequada não acelera o desgaste da cartilagem. Pelo contrário, o movimento favorece a circulação do líquido sinovial, responsável por nutrir a cartilagem, uma vez que esta não possui vasos sanguíneos próprios. É precisamente através da compressão e descompressão provocadas pelo movimento que a cartilagem recebe oxigénio e nutrientes.
Outro benefício importante é a redução da dor. Durante a prática de exercício, o organismo liberta endorfinas e outros analgésicos naturais que diminuem a perceção dolorosa. Além disso, a atividade física reduz a inflamação de baixo grau frequentemente associada à artrose e melhora o funcionamento do sistema nervoso, tornando-o menos sensível aos estímulos dolorosos.
As revisões sistemáticas mostram que o treino de força é uma das intervenções mais eficazes para reduzir a dor e melhorar a função em pessoas com artrose do joelho e da anca. Os benefícios incluem maior força muscular, melhor equilíbrio, aumento da velocidade da marcha e maior independência nas atividades diárias.
O exercício aeróbio também desempenha um papel importante. Caminhadas, bicicleta estática, natação ou hidroginástica ajudam a melhorar a capacidade cardiovascular, facilitam o controlo do peso corporal e reduzem a sobrecarga sobre as articulações. Cada quilograma perdido diminui significativamente a carga exercida sobre os joelhos durante a marcha.
Os exercícios de mobilidade e flexibilidade complementam o programa de treino. Manter uma boa amplitude de movimento reduz a rigidez, melhora a função articular e facilita tarefas simples como calçar os sapatos ou entrar e sair do automóvel.
O treino do equilíbrio merece igualmente atenção, sobretudo nos adultos mais velhos. A artrose aumenta o risco de quedas devido à dor, à fraqueza muscular e à diminuição da estabilidade. Exercícios específicos ajudam a melhorar a coordenação e a confiança durante a marcha.
É normal que algumas pessoas sintam um ligeiro aumento da dor nas primeiras semanas de treino. Na maioria dos casos, esta resposta é temporária e diminui à medida que o organismo se adapta. O importante é que os exercícios sejam individualizados, com progressão gradual da intensidade e respeito pela tolerância de cada pessoa.
A escolha dos exercícios deve depender da articulação afetada, da idade, da condição física e da presença de outras doenças. Em muitos casos, combinar treino de força, exercício aeróbio, mobilidade e equilíbrio oferece os melhores resultados.
Importa também compreender que o exercício não substitui totalmente outras medidas de tratamento. Controlo do peso, educação sobre a doença, sono adequado, alimentação equilibrada e, quando necessário, medicação prescrita pelo médico fazem parte de uma abordagem global.
Nos casos mais avançados, em que existe destruição importante da articulação e limitação grave da qualidade de vida, poderá ser necessária cirurgia de substituição articular. No entanto, mesmo nestas situações, manter um programa de exercício antes e depois da intervenção melhora significativamente a recuperação funcional.
As principais recomendações internacionais, incluindo as da Osteoarthritis Research Society International (OARSI), do American College of Rheumatology (ACR) e da European Alliance of Associations for Rheumatology (EULAR), colocam o exercício físico entre os tratamentos de primeira linha para a artrose. Esta é uma das áreas da medicina em que existe maior consenso científico.
A principal mensagem é clara: a artrose não deve ser encarada como uma sentença para o sedentarismo. Pelo contrário, manter-se ativo é uma das formas mais eficazes de controlar a dor, preservar a mobilidade e manter a independência durante muitos anos.
Mover-se de forma inteligente, com um programa adaptado às necessidades individuais, continua a ser um dos melhores medicamentos naturais para quem vive com artrose.
Nota: Este artigo tem caráter exclusivamente informativo e não substitui a avaliação médica. Pessoas com artrose devem procurar orientação de um profissional de saúde e de um profissional qualificado do exercício físico para desenvolver um programa seguro e adequado às suas necessidades.
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Referências
Osteoarthritis Research Society International (OARSI)
https://oarsi.org
American College of Rheumatology (ACR)
https://rheumatology.org
European Alliance of Associations for Rheumatology (EULAR)
https://www.eular.org
British Journal of Sports Medicine
https://bjsm.bmj.com
Journal of Orthopaedic & Sports Physical Therapy (JOSPT)
https://www.jospt.org
Cochrane Library
https://www.cochranelibrary.com