
Começar a treinar é relativamente fácil.
Manter a motivação durante semanas, meses e anos é o verdadeiro desafio.
Quase todas as pessoas iniciam um programa de exercício com elevados níveis de entusiasmo. Compram roupa nova, definem objetivos ambiciosos e prometem a si próprias que, desta vez, será diferente.
No entanto, passado algum tempo, a realidade instala-se:
- O trabalho acumula-se;
- O cansaço aumenta;
- O tempo parece desaparecer;
- A motivação diminui.
A boa notícia é que isto é perfeitamente normal.
Na verdade, as pessoas que conseguem manter uma rotina de exercício durante muitos anos não são necessariamente as mais motivadas. São, frequentemente, aquelas que aprenderam a agir mesmo nos dias em que não lhes apetece treinar.
A verdade sobre a motivação
Existe uma ideia muito popular de que precisamos de estar constantemente motivados para alcançar resultados.
Mas a ciência e a experiência mostram algo diferente:
A motivação é importante para começar. Os hábitos são fundamentais para continuar.
Se depender exclusivamente da motivação, é provável que existam semanas em que não treinará.
Se depender dos hábitos, continuará a aparecer, mesmo quando o entusiasmo desaparecer.
Porque perdemos a motivação?
Existem várias razões.
Objetivos irrealistas
Algumas pessoas esperam:
- Perder 10 kg em um mês;
- Ganhar massa muscular rapidamente;
- Observar resultados imediatos.
Quando estas expectativas não são atingidas, a motivação diminui.
Falta de tempo
Entre trabalho, família e outras responsabilidades, o exercício pode facilmente passar para segundo plano.
Treinos demasiado exigentes
Um programa excessivamente intenso pode provocar:
- Cansaço;
- Dor muscular excessiva;
- Frustração;
- Maior probabilidade de desistir.
O que diz a ciência?
A investigação demonstra que a adesão ao exercício está frequentemente associada a fatores como:
- Prazer;
- Sentimento de competência;
- Apoio social;
- Rotina;
- Objetivos realistas.
Curiosamente, as pessoas que escolhem atividades que apreciam tendem a manter-se ativas durante mais tempo.
Não espere ter vontade todos os dias
Este poderá ser um dos conselhos mais importantes.
Mesmo atletas profissionais têm dias em que não lhes apetece treinar.
A diferença é que aprenderam a separar:
- Vontade;
- Compromisso.
Em muitos casos, a motivação aparece depois de começar.
Quantas vezes já pensou:
“Hoje não me apetece nada.”
E, 20 minutos depois de iniciar o treino, sentiu-se melhor?
Defina objetivos pequenos
Em vez de pensar:
“Vou treinar todos os dias para sempre.”
Experimente:
“Vou treinar durante os próximos 20 minutos.”
Objetivos pequenos apresentam várias vantagens:
- Parecem mais alcançáveis;
- Reduzem a ansiedade;
- Aumentam a sensação de sucesso.
Torne o treino mais fácil
Muitas vezes, a melhor estratégia é reduzir as barreiras.
Por exemplo:
- Preparar a roupa na noite anterior;
- Treinar sempre à mesma hora;
- Escolher um ginásio próximo;
- Ter um plano simples.
Quanto menos decisões precisar de tomar, maior será a probabilidade de manter a rotina.
A importância da consistência
Imagine duas pessoas.
Pessoa A
- Treina seis vezes por semana durante dois meses.
- Desiste.
Pessoa B
- Treina três vezes por semana.
- Mantém a rotina durante cinco anos.
Qual terá melhores resultados?
A resposta é evidente.
Na prática:
Consistência vence intensidade.
O papel do prazer
Nem toda a atividade física precisa de acontecer num ginásio.
Algumas opções incluem:
- Caminhadas;
- Natação;
- Pilates;
- Dança;
- Ciclismo;
- Treino de força;
- Artes marciais.
O melhor exercício continua a ser aquele que consegue manter.
Registe o progresso
Muitas pessoas desistem porque não reconhecem as pequenas melhorias.
Considere registar:
- Peso;
- Medidas;
- Fotografias;
- Cargas utilizadas;
- Número de repetições.
Ao fim de alguns meses, poderá surpreender-se.
Treine acompanhado
A responsabilidade social pode ser extremamente útil.
Treinar com:
- Amigos;
- Parceiro;
- Personal trainer;
- Grupo de treino.
Pode aumentar significativamente a adesão ao exercício.
O papel do sono
Dormir pouco influencia:
- Energia;
- Humor;
- Recuperação;
- Motivação.
Em muitos casos, melhorar o sono pode ter um impacto positivo na vontade de treinar.
E se falhar?
Vai falhar.
Todos falhamos.
Existirão:
- Férias;
- Doenças;
- Períodos mais ocupados;
- Semanas menos produtivas.
O importante é evitar o pensamento:
“Falhei hoje, por isso já estraguei tudo.”
Uma sessão perdida não compromete os resultados.
Desistir durante meses, sim.
A regra dos cinco minutos
Uma estratégia interessante consiste em prometer a si próprio apenas cinco minutos.
Diga:
“Vou apenas aquecer durante cinco minutos.”
Na maioria das vezes, acabará por completar o treino.
Cinco estratégias práticas
- Defina objetivos realistas.
- Treine à mesma hora.
- Escolha atividades de que gosta.
- Registe o progresso.
- Concentre-se na consistência.
O papel da idade
Independentemente da idade, o exercício continua a trazer benefícios.
Aos 40, 50, 60 ou 70 anos, é possível melhorar:
- Força;
- Equilíbrio;
- Massa muscular;
- Qualidade de vida;
- Saúde cardiovascular.
Nunca é demasiado tarde para começar.
Um novo objetivo
Talvez o objetivo não deva ser:
“Treinar para perder peso.”
Mas sim:
“Tornar-me uma pessoa que treina regularmente.”
Esta pequena mudança de perspetiva pode fazer uma enorme diferença.
Conclusão
A motivação é útil, mas é também passageira.
Os resultados duradouros são geralmente alcançados por pessoas que aprenderam a criar hábitos sustentáveis e a continuar mesmo quando a vontade desaparece.
No final, manter a motivação no treino pode resumir-se a uma ideia muito simples:
Não precisa de estar motivado todos os dias. Precisa apenas de continuar a aparecer.
Porque os maiores resultados raramente são consequência de um treino extraordinário.
São, quase sempre, consequência de centenas de treinos normais realizados ao longo dos anos.
Referências