Como reduzir a aterosclerose: 8 estratégias para proteger as artérias

Como reduzir a aterosclerose: 8 estratégias para proteger as artérias September 3, 2026Leave a comment

A aterosclerose é um processo silencioso que pode começar muitos anos antes de provocar sintomas. As placas de ateroma acumulam-se progressivamente na parede das artérias e podem aumentar o risco de enfarte do miocárdio, acidente vascular cerebral (AVC) e outras doenças cardiovasculares.

Um estudo recente publicado no New England Journal of Medicine em 29 de agosto de 2026 mostrou precisamente a dimensão deste problema: sinais de aterosclerose foram encontrados mesmo em adultos jovens e a sua presença aumentou de forma acentuada com a idade.

Mas existe uma pergunta ainda mais importante: é possível reduzir a aterosclerose?

A resposta é sim, em determinadas circunstâncias. As melhores evidências mostram que uma intervenção intensiva sobre os fatores de risco pode diminuir a progressão das placas, estabilizá-las e, em alguns casos, produzir alguma regressão. A redução do colesterol LDL assume um papel central neste processo. (Escardio)

O que é a aterosclerose?

A aterosclerose acontece quando partículas de colesterol, células inflamatórias e outros componentes se acumulam na parede das artérias.

Com o passar do tempo, forma-se uma placa aterosclerótica.

Esta placa pode permanecer relativamente estável durante muitos anos ou sofrer alterações que aumentam o risco de ruptura. Quando uma placa rompe, pode formar-se um coágulo que bloqueia rapidamente uma artéria.

É desta forma que uma doença que evoluiu silenciosamente durante décadas pode contribuir para um enfarte ou AVC.

A aterosclerose não deve, portanto, ser encarada apenas como um problema de pessoas idosas.

1. Reduzir o colesterol LDL

Se tivermos de escolher um dos fatores mais importantes para combater a aterosclerose, o LDL-colesterol estará entre os primeiros.

As recomendações europeias atuais consideram o LDL-C e outras lipoproteínas contendo apoB como causas diretas da doença cardiovascular aterosclerótica.

Quanto maior e mais prolongada for a exposição das artérias a LDL, maior tende a ser o risco de desenvolvimento de aterosclerose.

Por isso, reduzir o LDL-C é uma das estratégias fundamentais para prevenir a progressão da doença. (Escardio)

E quanto mais elevado for o risco cardiovascular de uma pessoa, mais importante se torna atingir níveis baixos de LDL.

Os objetivos não são iguais para toda a população. Dependem do risco cardiovascular global e da existência ou não de doença cardiovascular, diabetes, determinadas doenças renais ou outros fatores de risco.

2. Alimentação mediterrânica

Uma alimentação de padrão mediterrânico pode contribuir para a saúde das artérias.

Em vez de procurar um alimento isolado capaz de “limpar as artérias”, é preferível pensar no padrão alimentar global.

Uma alimentação cardioprotetora deve privilegiar:

  • legumes e hortaliças;
  • fruta;
  • leguminosas;
  • cereais integrais;
  • frutos secos;
  • sementes;
  • peixe;
  • azeite como principal fonte de gordura;
  • alimentos minimamente processados.

Ao mesmo tempo, deve limitar o consumo frequente de carnes processadas, excesso de gorduras saturadas, alimentos ultraprocessados e produtos ricos em açúcares adicionados.

A evidência reunida pela European Society of Cardiology associa uma maior ingestão de alimentos vegetais, incluindo cereais integrais, fruta, legumes, leguminosas e frutos secos, a menor risco cardiovascular. A substituição de gorduras animais ou tropicais por gorduras insaturadas, como o azeite, também é apoiada pela evidência. (ESC 365)

3. Aumentar a fibra

A fibra alimentar é particularmente interessante para quem pretende melhorar o perfil cardiovascular.

Leguminosas, aveia, cevada, frutas, legumes e cereais integrais podem contribuir para aumentar a ingestão de fibra.

Alguns tipos de fibra, especialmente a fibra solúvel, podem ajudar a reduzir o colesterol LDL.

Isto não significa que comer aveia ou leguminosas consiga remover uma placa existente.

O efeito é mais subtil: melhorar o perfil lipídico pode contribuir para reduzir a exposição das artérias ao colesterol aterogénico e, consequentemente, diminuir a progressão da doença.

4. Fazer exercício regularmente

O exercício é outra ferramenta fundamental.

A atividade física regular melhora a capacidade cardiorrespiratória, ajuda no controlo do peso, da pressão arterial e da glicemia e pode melhorar diversos fatores associados ao risco cardiovascular.

Uma combinação de exercício aeróbio e treino de força é particularmente interessante para a saúde global.

Caminhar rapidamente, correr, andar de bicicleta, nadar ou praticar outras atividades aeróbias pode melhorar a capacidade cardiovascular.

O treino de força ajuda a preservar massa muscular e força, especialmente com o envelhecimento.

Uma investigação publicada em março de 2026 no European Journal of Preventive Cardiology reforçou a importância da combinação de atividade física, alimentação e sono. Num estudo com mais de 53 mil adultos, pequenas melhorias combinadas nestes comportamentos estiveram associadas a menor risco de eventos cardiovasculares importantes. (Escardio)

5. Parar de fumar

Se existe um hábito que deve ser eliminado para proteger as artérias, é o tabaco.

Fumar provoca alterações no endotélio, favorece inflamação, aumenta o risco de formação de coágulos e acelera o processo aterosclerótico.

Deixar de fumar é uma das intervenções mais importantes para reduzir o risco cardiovascular.

Mesmo que uma pessoa já tenha aterosclerose, abandonar o tabaco continua a ser extremamente relevante.

Não é necessário esperar que as artérias estejam “limpas” para começar a beneficiar da mudança.

6. Controlar a pressão arterial

A hipertensão arterial pode danificar progressivamente a parede das artérias.

Quando a pressão permanece elevada durante anos, aumenta o stress mecânico sobre os vasos sanguíneos e contribui para o risco cardiovascular.

Por isso, controlar a pressão arterial faz parte da prevenção da progressão da aterosclerose.

O tratamento pode envolver alterações do estilo de vida e, quando necessário, medicamentos prescritos pelo médico.

É importante não alterar ou suspender medicamentos cardiovasculares sem orientação médica.

7. Controlar a diabetes e a resistência à insulina

A glicemia elevada também está associada a maior risco de doença cardiovascular.

A diabetes pode acelerar processos inflamatórios e alterações dos vasos sanguíneos, aumentando o risco de aterosclerose.

A atividade física regular, uma alimentação adequada, o controlo do peso e o tratamento médico quando necessário são importantes para reduzir esse risco.

O objetivo não deve ser simplesmente procurar um valor isolado de glicemia.

É necessário avaliar o contexto metabólico global.

8. Reduzir o LDL pode fazer a placa regredir?

Esta é uma das questões mais interessantes.

Durante muitos anos, falou-se sobretudo em “parar” a progressão da aterosclerose.

Hoje sabemos que determinadas intervenções intensivas de redução do colesterol podem produzir regressão parcial da placa aterosclerótica.

Uma meta-análise publicada em 2024 reuniu 51 estudos e 9.113 adultos e verificou que as terapêuticas de redução de lípidos estavam associadas a reduções no volume da placa aterosclerótica coronária. Os efeitos foram particularmente evidentes com terapêuticas hipolipemiantes intensivas. (PubMed)

Isto não significa que uma artéria obstruída possa simplesmente voltar ao estado de uma artéria jovem.

A regressão costuma ser relativamente modesta e depende de vários fatores.

Além disso, uma das vantagens mais importantes da redução intensa do LDL pode ser a estabilização da placa, tornando-a potencialmente menos vulnerável à ruptura.

E as estatinas?

As estatinas continuam a ser uma das principais ferramentas farmacológicas para reduzir o LDL-C e o risco cardiovascular.

A atualização das recomendações europeias de 2025 mantém as estatinas como primeira escolha quando está indicada terapêutica farmacológica para redução do colesterol.

Quando o objetivo de LDL não é atingido com a dose máxima tolerada de estatina, podem ser utilizados outros medicamentos, como ezetimiba, inibidores de PCSK9 ou ácido bempedoico, dependendo da situação clínica. (Escardio)

É importante perceber que estes medicamentos não devem ser utilizados simplesmente porque alguém quer “limpar as artérias”.

A decisão depende do risco cardiovascular individual e deve ser feita com um profissional de saúde.

Quanto mais baixo o LDL, melhor?

Em pessoas de elevado risco cardiovascular, níveis mais baixos de LDL-C estão associados a maior redução do risco.

Uma análise de 2025 sobre terapêuticas hipolipemiantes encontrou maior regressão do volume da placa com níveis mais baixos de LDL-C, incluindo resultados particularmente favoráveis quando o LDL-C atingia valores muito baixos em determinadas populações. (PubMed)

Mas isto não significa que toda a população deva procurar um LDL extremamente baixo.

Os objetivos devem ser individualizados.

Uma pessoa saudável com baixo risco cardiovascular não deve comparar automaticamente o seu objetivo de LDL com o de alguém que já sofreu um enfarte.

E suplementos para “desentupir as artérias”?

Aqui é necessário algum cuidado.

Existe um enorme mercado de suplementos que prometem baixar o colesterol ou “limpar as artérias”.

Mas as recomendações europeias de 2025 são claras: suplementos alimentares e vitaminas não são recomendados como estratégia para reduzir o LDL-C e o risco de doença cardiovascular aterosclerótica. (Escardio)

Isto não significa que todos os suplementos sejam inúteis.

Significa que não devem ser apresentados como substitutos das estratégias com evidência mais robusta.

Quando o LDL está elevado ou existe doença aterosclerótica, é muito mais importante avaliar o risco cardiovascular, alimentação, atividade física e eventual necessidade de tratamento farmacológico.

É possível eliminar completamente a aterosclerose?

Na maioria das situações, não devemos pensar desta forma.

A aterosclerose é um processo complexo e prolongado.

O objetivo realista é:

reduzir o risco, diminuir a progressão, estabilizar as placas e, quando possível, conseguir alguma regressão.

Uma pessoa pode ter placas ateroscleróticas e permanecer saudável durante muitos anos se os fatores de risco forem adequadamente controlados.

Por outro lado, ignorar colesterol elevado, hipertensão, tabagismo ou diabetes pode permitir que a doença progrida silenciosamente.

A prevenção começa antes dos sintomas

O estudo REACT publicado no New England Journal of Medicine em 29 de agosto de 2026 mostrou que a aterosclerose pode estar presente muito antes dos sintomas cardiovasculares.

Foram estudados 16.808 adultos entre os 18 e os 70 anos, e a prevalência de placas aumentou progressivamente com a idade.

Entre os homens dos 30 aos 39 anos, aproximadamente 34,6% apresentavam aterosclerose detetável. (thecardiologyadvisor.com)

Estes resultados reforçam a importância da prevenção precoce.

Não é necessário esperar pelo primeiro sintoma para começar a proteger as artérias.

O que pode fazer hoje?

Se pretende reduzir o risco de aterosclerose, concentre-se no conjunto:

1. Conheça o seu LDL-C.

2. Avalie o seu risco cardiovascular global.

3. Pratique exercício regularmente.

4. Faça treino de força e atividade aeróbia.

5. Coma mais vegetais, leguminosas, fruta, frutos secos e cereais integrais.

6. Substitua gorduras saturadas por gorduras insaturadas.

7. Não fume.

8. Controle a pressão arterial, glicemia e peso corporal.

9. Durma adequadamente.

10. Se o risco cardiovascular justificar tratamento, siga a orientação médica para redução do LDL-C.

Pequenas alterações isoladas podem parecer pouco importantes. O benefício surge sobretudo quando estas estratégias são mantidas durante anos.

Conclusão

A aterosclerose não é simplesmente uma consequência inevitável do envelhecimento.

É um processo que pode começar cedo e evoluir silenciosamente durante décadas.

A boa notícia é que existem várias formas de reduzir o risco e, em determinadas situações, influenciar diretamente a evolução das placas.

Reduzir o LDL-C, não fumar, praticar exercício, controlar a pressão arterial e a glicemia e manter uma alimentação cardioprotetora são os principais pilares.

Quando existe indicação médica, a terapêutica para reduzir o colesterol pode ser particularmente importante e pode contribuir não apenas para prevenir novos eventos cardiovasculares, mas também para estabilizar e, em alguns casos, promover regressão parcial da placa aterosclerótica.

O objetivo não é procurar uma solução milagrosa para “desentupir” as artérias.

É criar, ao longo dos anos, um ambiente metabólico que torne muito mais difícil a progressão da doença.

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Links e fontes científicas

https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa2609059

Estudo REACT — New England Journal of Medicine, 29 de agosto de 2026
Estudo sobre a prevalência de aterosclerose silenciosa ao longo da vida adulta.

https://doi.org/10.1056/NEJMoa2609059

DOI oficial do estudo REACT

https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38550634/

Meta-análise de 2024 sobre regressão da placa aterosclerótica através de terapêuticas hipolipemiantes

https://doi.org/10.1016/j.ajpc.2024.100645

DOI da meta-análise sobre redução da placa aterosclerótica

https://www.escardio.org/communities/councils/cardiology-practice/education/cardiopractice/what-is-new-in-the-2025-focused-update-of-the-2019-esc-eas-guidelines-for-the-m/

European Society of Cardiology — atualização 2025 das recomendações sobre colesterol e dislipidemias

https://esc365.escardio.org/journal/93469

European Heart Journal — risco lipídico residual, fevereiro de 2026

https://www.escardio.org/news/press/press-releases/combining-small/

European Society of Cardiology — alimentação, atividade física, sono e risco cardiovascular, março de 2026