Será que uma alimentação saudável para as pessoas e para o planeta também pode estar associada a uma vida mais longa? Um estudo publicado em outubro de 2026 na revista Food & Function investigou possíveis mecanismos biológicos que relacionam a dieta EAT-Lancet com o risco de doença cardiovascular e mortalidade. Os resultados ajudam a compreender melhor a ligação entre alimentação, proteínas sanguíneas e saúde a longo prazo.
O que é a dieta EAT-Lancet?
A dieta EAT-Lancet, também conhecida como dieta de saúde planetária, procura conciliar uma alimentação favorável à saúde humana com um menor impacto ambiental. Valoriza alimentos de origem vegetal, como legumes, fruta, leguminosas, cereais integrais e frutos secos, moderando o consumo de carne vermelha e de outros alimentos de origem animal.
Este padrão alimentar não deve ser entendido como uma receita rígida para todas as pessoas. As necessidades nutricionais, os hábitos culturais, a disponibilidade dos alimentos e as condições de saúde individuais continuam a ser importantes.
Como foi realizado o estudo?
Os investigadores analisaram dados de 9623 participantes do estudo norte-americano Atherosclerosis Risk in Communities (ARIC). Utilizaram amostras de sangue recolhidas entre 1993 e 1995 para estudar milhares de proteínas plasmáticas e perceber quais estavam associadas à adesão à dieta de saúde planetária.
Foram examinadas 4955 proteínas. Os investigadores identificaram inicialmente 154 associadas ao índice alimentar utilizado e conseguiram confirmar 74 numa segunda parte da amostra. Posteriormente, avaliaram a relação destas proteínas com o aparecimento de doença cardiovascular e com a mortalidade por todas as causas ao longo de vários anos.
O que descobriram os investigadores?
Durante um acompanhamento mediano de 21 anos, foram registados 3401 novos acontecimentos cardiovasculares. No acompanhamento da mortalidade, com uma mediana de 24 anos, ocorreram 5899 mortes.
Entre as proteínas associadas à dieta, nove apresentaram relações estatísticas tanto com a doença cardiovascular como com a mortalidade. Outras oito estavam associadas à mortalidade na análise de descoberta e na replicação. Uma das proteínas destacadas foi a ASGR1: níveis mais elevados estavam associados a maior risco cardiovascular e de morte.
Estas associações podem ajudar a identificar processos biológicos envolvidos na relação entre alimentação e saúde. No entanto, não demonstram que a dieta altere diretamente estas proteínas nem que as alterações sejam, por si só, responsáveis pela redução do risco.
O que significa para a prevenção cardiovascular?
O interesse deste estudo está em procurar compreender não apenas se determinados padrões alimentares estão associados a melhores resultados, mas também quais os mecanismos biológicos que poderão estar envolvidos. No futuro, estes marcadores poderão contribuir para melhorar a investigação e a avaliação do risco.
Na prática, faz sentido privilegiar uma alimentação variada, com presença regular de legumes, fruta, leguminosas, cereais integrais e frutos secos. A prevenção cardiovascular beneficia também da atividade física, do sono adequado, de não fumar e do acompanhamento dos fatores de risco, como a pressão arterial e o colesterol.
Conclusão
Este estudo reforça o interesse científico pela dieta EAT-Lancet e pela ligação entre alimentação, proteínas plasmáticas, doença cardiovascular e longevidade. Como se trata de investigação observacional, não prova uma relação de causa e efeito. Ainda assim, acrescenta pistas relevantes para compreender como padrões alimentares de boa qualidade podem integrar estratégias de prevenção a longo prazo.
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Referências
- Guan W, Yang J, Chen J, Sullivan VK, Rebholz CM. Plasma proteome of the EAT-Lancet diet and long-term risks of cardiovascular disease and mortality. Food & Function. Publicado a 14 de outubro de 2026. DOI: 10.1039/D6FO04204J. Consultar o artigo científico no PubMed.
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