A dieta que imita o jejum, conhecida como Fasting-Mimicking Diet (FMD), é uma estratégia alimentar que procura reproduzir algumas das alterações metabólicas do jejum sem exigir a ausência total de alimentos. Mas o que se come realmente durante esses cinco dias? Quantas calorias são ingeridas, como se organizam as refeições e que resultados foram observados num estudo recente sobre pré-diabetes?
O que é a dieta que imita o jejum?
A dieta que imita o jejum foi desenvolvida para fornecer quantidades controladas de energia e nutrientes, procurando desencadear algumas das adaptações metabólicas associadas ao jejum prolongado. Ao contrário de um jejum apenas com água, os participantes continuam a comer, recorrendo a alimentos formulados para este protocolo.
Nos programas clínicos mais conhecidos, a alimentação é predominantemente vegetal e inclui sopas, barras à base de frutos secos, bebidas, pequenos snacks e suplementos de vitaminas e minerais. A quantidade de proteína e de açúcares é relativamente baixa, enquanto a gordura e os hidratos de carbono complexos fornecem a restante energia.
O protocolo dura cinco dias consecutivos. Depois, a pessoa regressa à alimentação habitual. Alguns ensaios estudaram a repetição mensal deste ciclo, mas outros avaliaram apenas uma intervenção.
Quantas calorias tem a dieta que imita o jejum?
Um protocolo clínico publicado no estudo FIT, que investigou a utilização desta dieta em pessoas com diabetes tipo 2, descreve a seguinte distribuição energética para participantes com menos de 100 kg:
- Dia 1: aproximadamente 1100 kcal.
- Dias 2 a 5: aproximadamente 750 kcal por dia.
No primeiro dia, a energia provém aproximadamente de 10% de proteína, 56% de gordura e 34% de hidratos de carbono complexos. Nos quatro dias seguintes, a distribuição é de cerca de 9% de proteína, 44% de gordura e 47% de hidratos de carbono complexos.
Estes valores pertencem a uma versão específica do protocolo e não devem ser confundidos com os valores exatos da caixa utilizada no estudo de 2026 em adultos asiático-americanos com pré-diabetes. Nesse estudo, os participantes receberam um kit alimentar durante cinco dias, mas o artigo não apresenta um menu detalhado com as quantidades individuais de cada alimento.
O que se come em cada um dos cinco dias?
Um exemplo de menu publicado no protocolo FIT permite perceber como os alimentos são distribuídos ao longo do dia. As refeições não têm de ser consumidas a horas universais: os participantes recebem as porções destinadas a cada dia e seguem as instruções do programa.
Dia 1: o primeiro dia da dieta
O primeiro dia fornece aproximadamente 1100 kcal no protocolo referido. O menu inclui:
- Pequeno-almoço: chá, uma barra de frutos secos e uma cápsula de óleo de algas.
- Almoço: sopa de tomate, azeitonas, bolachas crocantes de couve e uma cápsula de vitaminas.
- Lanche da tarde: chá e uma segunda barra de frutos secos.
- Jantar: sopa minestrone, uma barra crocante com cacau e uma cápsula de vitaminas.
Este primeiro dia fornece mais energia do que os quatro seguintes, funcionando como uma fase inicial de adaptação à restrição energética.
Dia 2: redução da ingestão energética
A partir do segundo dia, o total energético desce para aproximadamente 750 kcal no protocolo FIT.
- Pequeno-almoço: chá e uma barra de frutos secos.
- Almoço: sopa de cogumelos, azeitonas e uma cápsula de vitaminas.
- Lanche da tarde: chá e azeitonas.
- Jantar: sopa com quinoa, uma barra crocante com cacau e uma cápsula de vitaminas.
Este dia ilustra uma característica central da FMD: as refeições são pequenas, controladas e constituídas pelos alimentos previstos no programa.
Dia 3: sopa, snacks vegetais e bebidas
- Pequeno-almoço: chá e uma barra de frutos secos.
- Almoço: chá, sopa de tomate, bolachas crocantes de couve e uma cápsula de vitaminas.
- Lanche da tarde: chá.
- Jantar: chá, sopa minestrone e uma cápsula de vitaminas.
Neste exemplo de menu, o lanche e o jantar não incluem uma barra adicional. O programa mantém a restrição energética através da seleção e da quantidade dos alimentos fornecidos.
Dia 4: sopa de legumes e quinoa
- Pequeno-almoço: chá e uma barra de frutos secos.
- Almoço: chá, sopa de legumes, azeitonas e uma cápsula de vitaminas.
- Lanche da tarde: chá e azeitonas.
- Jantar: chá, sopa com quinoa, uma barra crocante com cacau e uma cápsula de vitaminas.
O menu continua a privilegiar alimentos vegetais e porções predefinidas. A composição dos produtos permite controlar a ingestão energética e a distribuição dos macronutrientes.
Dia 5: último dia do ciclo
- Pequeno-almoço: chá, uma barra de frutos secos e uma cápsula de óleo de algas.
- Almoço: chá, sopa de tomate, bolachas crocantes de couve e uma cápsula de vitaminas.
- Lanche da tarde: chá.
- Jantar: chá, sopa minestrone e uma cápsula de vitaminas.
Terminado o quinto dia, os participantes regressam à alimentação habitual, seguindo as orientações do programa ou do estudo clínico em que estão integrados.
Nota: este menu é um exemplo publicado no protocolo FIT de 2020. Não representa necessariamente os alimentos exatos ou as quantidades fornecidas no estudo de 2026. O artigo de 2026 não apresenta as gramas individuais de cada produto.
A que horas se fazem as refeições?
Não existe um horário universal obrigatório para a dieta que imita o jejum. No protocolo FIT, os alimentos estão organizados por pequeno-almoço, almoço, lanche da tarde e jantar, mas a tabela publicada não estabelece horas específicas como as oito da manhã ou as sete da tarde.
Os participantes recebem as porções correspondentes a cada dia e podem distribuí-las segundo as instruções do protocolo. A água e as infusões sem calorias podem ser consumidas ao longo do dia. No protocolo FIT, o café ou chá com cafeína é limitado a uma chávena diária.
É importante não confundir esta organização com o jejum intermitente diário. A FMD é um programa de cinco dias com composição alimentar específica, e não simplesmente uma janela de alimentação de oito horas seguida de dezasseis horas sem comer.
Porque é que a proteína é relativamente baixa?
A FMD foi concebida para reduzir determinados sinais metabólicos associados à disponibilidade de nutrientes. A proteína é mantida numa proporção relativamente baixa, enquanto a gordura e os hidratos de carbono complexos fornecem grande parte da energia.
Esta composição procura aproximar algumas respostas metabólicas das observadas durante o jejum. No entanto, não significa que uma alimentação pobre em proteína seja desejável no dia a dia. A ingestão proteica adequada continua a ser importante para preservar a massa muscular, sobretudo em pessoas mais velhas, fisicamente ativas ou em processo de recuperação.
A restrição energética também pode alterar a massa corporal e a hidratação. Por isso, os resultados devem ser avaliados para além do peso na balança.
O que revelou o estudo de 2026 sobre a pré-diabetes?
O estudo publicado em Diabetes, Obesity and Metabolism avaliou a viabilidade de um ciclo de cinco dias em adultos asiático-americanos com pré-diabetes. Dos 34 participantes que deram consentimento, 29 completaram a intervenção e regressaram para a avaliação final.
Após o ciclo, a glicemia em jejum diminuiu na maioria dos participantes e aumentaram os níveis de corpos cetónicos. Também foram observadas reduções do peso corporal, do perímetro da cintura e de alguns indicadores de gordura corporal.
Contudo, o estudo era pequeno, não tinha grupo de controlo e avaliou os participantes imediatamente após a intervenção. Não demonstra que os efeitos se mantenham a longo prazo nem que a FMD previna ou reverta a diabetes.
Foi também observada uma redução da massa muscular esquelética medida. Esta alteração pode refletir parcialmente mudanças na hidratação, mas reforça a importância de acompanhar a composição corporal e a preservação da função muscular.
A dieta que imita o jejum é segura?
Nos estudos clínicos, a intervenção é feita com um protocolo definido e acompanhamento adequado. Mesmo assim, foram relatados sintomas como dores de cabeça, fadiga e fome excessiva.
A restrição energética acentuada não é apropriada para toda a gente. Pessoas com diabetes medicada, doença renal, fragilidade, baixo peso ou risco de desnutrição necessitam de avaliação clínica específica. A gravidez e a amamentação também são contextos em que esta estratégia não deve ser iniciada sem orientação médica apropriada.
Não é aconselhável tentar reproduzir o protocolo juntando alimentos aleatórios e reduzindo drasticamente as calorias. A composição nutricional, a quantidade de energia e a adequação clínica são componentes importantes da intervenção estudada.
Conclusão: o que devemos reter sobre a FMD?
A dieta que imita o jejum consiste num programa alimentar de cinco dias com restrição energética e alimentos especificamente selecionados. Um protocolo clínico publicado descreve aproximadamente 1100 kcal no primeiro dia e 750 kcal nos quatro dias seguintes, com refeições à base de sopas vegetais, barras de frutos secos, azeitonas, snacks de couve, bebidas e suplementos.
Os horários exatos não são universais e as quantidades individuais dependem da versão do programa. O estudo de 2026 encontrou alterações metabólicas promissoras após um único ciclo, mas ainda não permite concluir que a estratégia seja superior a outras intervenções ou que produza benefícios duradouros.
Na minha perspetiva, o interesse desta investigação está em explorar novas formas de melhorar a saúde metabólica, sem esquecer que os resultados de curto prazo não substituem a avaliação da segurança, da massa muscular e da sustentabilidade a longo prazo.
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Referências
- Wang K, Kuang X, Kang M, et al. Feasibility and Preliminary Effects of a 5-Day Fasting-Mimicking Diet in Asian Americans With Prediabetes: A Pilot Study. Diabetes, Obesity and Metabolism. 2026;28(10):9720–9724. https://doi.org/10.1111/dom.71168.
- van den Burg EL, et al. Fasting in diabetes treatment (FIT) trial: study protocol for a randomised, controlled, assessor-blinded intervention trial on the effects of intermittent use of a fasting-mimicking diet in patients with type 2 diabetes. BMC Endocrine Disorders. 2020;20:94. https://doi.org/10.1186/s12902-020-00576-7.