Quando o joelho fica inchado depois de exercício, uma das soluções que muitas pessoas procuram é uma joelheira de compressão. A ideia parece simples: comprimir o joelho para ajudar a controlar o inchaço e facilitar a recuperação.
Mas será que funciona realmente?
A resposta mais honesta é: pode ajudar em algumas situações, sobretudo no controlo do edema, mas não devemos confundir compressão com tratamento da causa do inchaço.
Também é importante distinguir duas situações diferentes: o edema dos tecidos à volta do joelho e o derrame articular, que corresponde à acumulação de líquido dentro da própria articulação.
O que significa ter o joelho inchado?
“Joelho inchado” é uma expressão que pode descrever situações diferentes.
Depois de um treino, por exemplo, podemos observar um aumento de volume dos tecidos à volta da articulação. Pode existir também um derrame dentro da articulação, que altera o contorno do joelho e pode limitar a flexão.
Estas situações não são necessariamente equivalentes.
O edema é uma acumulação de líquido nos tecidos. O derrame articular ocorre dentro da cavidade articular. Por isso, quando alguém diz que quer “tirar o líquido do joelho”, é importante perceber primeiro onde está esse líquido e porque apareceu.
Como pode funcionar a compressão?
A compressão externa exerce pressão sobre os tecidos.
Em determinadas circunstâncias, essa pressão pode ajudar a limitar a acumulação de líquido e favorecer a dinâmica dos fluidos nos tecidos. É uma das razões pelas quais diferentes formas de compressão são utilizadas no controlo do edema.
Mas isto não significa que uma joelheira funcione como uma espécie de bomba que espreme o líquido para dentro da articulação ou que o faz desaparecer.
Essa imagem é demasiado simples.
Se existe um derrame intra-articular, o líquido está dentro da articulação e a sua evolução depende sobretudo da causa que provocou a reação articular.
O que dizem os estudos?
A investigação sobre compressão no joelho existe, mas há uma limitação importante: grande parte dos estudos foi realizada em pessoas submetidas a artroplastia total do joelho, ou seja, depois de uma cirurgia de substituição da articulação.
Não devemos, por isso, transportar automaticamente os resultados desses estudos para uma pessoa saudável que ficou com o joelho inchado depois de correr, fazer musculação ou praticar desporto.
Uma revisão sistemática publicada em 2025 analisou 140 estudos sobre estratégias para controlar o inchaço depois de artroplastia total do joelho. A revisão concluiu que algumas intervenções apresentavam evidência mais consistente, enquanto a compressão mecânica aparecia entre as estratégias potencialmente úteis, mas com resultados menos uniformes. A compressão estática apresentou resultados inconsistentes ou ausência de efeitos significativos em alguns estudos.
Também existe uma meta-análise de sete ensaios clínicos, envolvendo 511 joelhos, que não encontrou diferenças estatisticamente significativas entre compressão e ausência de compressão relativamente ao inchaço após artroplastia total do joelho.
Ou seja, a literatura não permite dizer simplesmente que “compressão reduz sempre o inchaço do joelho”.
Mas existem estudos com resultados positivos
Sim.
Um pequeno ensaio clínico avaliou uma estratégia de compressão multicamada depois de artroplastia total do joelho e encontrou diferenças clinicamente relevantes na redução do edema durante o período pós-operatório. Os autores consideraram que a intervenção poderia ser uma alternativa para reduzir o edema, embora também tenham observado possíveis efeitos negativos sobre a flexão e função nas primeiras fases.
Outros estudos, contudo, não encontraram diferenças significativas.
Num ensaio clínico com 57 joelhos, uma compressão específica adicionada ao tratamento habitual não produziu diferenças significativas na circunferência da coxa, flexão do joelho ou perda de sangue quando comparada com uma ligadura elástica isolada.
Outro ensaio, com 90 pessoas submetidas a artroplastia, também não encontrou diferenças significativas no inchaço, dor ou amplitude de movimento entre um grupo submetido a compressão e um grupo sem compressão.
Portanto, existe uma explicação simples para encontrarmos opiniões tão diferentes: a evidência não é suficientemente consistente para transformar a compressão numa regra universal.
Então vale a pena usar uma joelheira?
Em determinadas pessoas, pode valer a pena experimentar.
Uma joelheira de compressão pode proporcionar sensação de suporte, conforto e controlo do movimento. Em algumas situações pode também ajudar no controlo do edema superficial.
Mas eu não a utilizaria com a ideia de que ela está obrigatoriamente a resolver o problema.
Se o joelho está inchado porque recebeu mais carga do que estava preparado para tolerar, a joelheira pode ser apenas uma ferramenta auxiliar. O mais importante será perceber por que razão o joelho reagiu daquela forma.
O que mudou antes do joelho inchar?
Esta é provavelmente uma das perguntas mais úteis.
Se uma pessoa normalmente corre 20 minutos duas vezes por semana e passa subitamente para quatro sessões de 45 minutos, houve uma alteração importante na exposição à carga.
Se alguém estava a fazer três séries de um exercício e passa para cinco, também houve uma alteração.
O mesmo acontece se aumentarmos a carga, a amplitude, a velocidade, o número de sessões ou introduzirmos um exercício completamente novo.
Por isso, quando aparece inchaço depois do treino, não considero suficiente perguntar apenas:
“Que joelheira devo usar?”
Também devemos perguntar:
- O que mudou no treino?
- Quanto aumentou a carga?
- O joelho inchou imediatamente ou algumas horas depois?
- Existe dor?
- Existe perda de amplitude?
- O inchaço desaparece durante o repouso?
- O joelho volta a inchar sempre que a carga aumenta?
Compressão não deve substituir movimento
Uma das coisas que considero mais importantes é não transformar a tentativa de controlar o inchaço numa estratégia de imobilização prolongada.
Se não existir uma contraindicação médica, o movimento adequado pode continuar a fazer parte da recuperação.
Movimentos suaves de flexão e extensão, caminhada dentro do tolerável ou exercícios simples podem ser utilizados conforme a situação.
O objetivo não é obrigatoriamente manter o joelho completamente parado até desaparecer todo o vestígio de inchaço.
O objetivo é encontrar uma dose de movimento e carga que o joelho consiga tolerar.
E se o joelho inchar depois do treino?
Eu observaria sobretudo a resposta nas horas seguintes e no dia seguinte.
Se o joelho apresenta apenas uma pequena alteração transitória e recupera rapidamente, podemos estar perante uma resposta diferente daquela que ocorre quando o joelho fica progressivamente mais cheio, rígido e doloroso.
Esta observação pode ajudar a ajustar o treino.
Podemos reduzir temporariamente a carga, modificar a amplitude, alterar o exercício ou diminuir o volume. Depois, quando o joelho estiver mais tolerante, podemos voltar a progredir.
Neste contexto, a joelheira pode ser uma ferramenta complementar, mas não deve ser utilizada para permitir que a pessoa continue a aumentar a carga enquanto o joelho continua a reagir.
Uma joelheira apertada é melhor?
Não.
Mais compressão não significa necessariamente melhor resultado.
Uma joelheira excessivamente apertada pode ser desconfortável e pode interferir com a circulação ou provocar dormência, formigueiro ou alterações de sensibilidade.
A compressão deve ser confortável e adequada ao objetivo.
Se surgirem sintomas como dormência, formigueiro, alteração da cor ou temperatura do pé, dor crescente ou sensação de pressão excessiva, a joelheira deve ser retirada e a situação deve ser avaliada.
Quando o problema pode não ser apenas “inchaço do treino”?
Nem todo o joelho inchado deve ser tratado simplesmente com compressão.
Um inchaço súbito e importante, especialmente depois de uma torção ou traumatismo, pode justificar avaliação clínica.
O mesmo acontece quando existe incapacidade de apoiar o peso, bloqueio do joelho, instabilidade importante, dor intensa, vermelhidão marcada, calor local ou febre.
Também merece atenção um joelho que permanece inchado durante vários dias ou que volta a inchar repetidamente sempre que se aumenta a atividade.
Nessas situações, a pergunta deixa de ser apenas “como desinchar?” e passa a ser “porque é que este joelho está a produzir ou acumular líquido?”
Edema e derrame não são a mesma coisa
Esta distinção merece ser reforçada.
Uma joelheira pode comprimir os tecidos que estão à volta da articulação. Isso não significa que consiga simplesmente deslocar um derrame intra-articular.
Se existe líquido dentro da articulação, é necessário compreender a causa.
Pode haver uma resposta inflamatória depois de uma sobrecarga, uma lesão, uma condição degenerativa ou outras causas que precisam de avaliação.
Por isso, não considero correto dizer que uma joelheira “faz o líquido voltar para dentro”.
Uma formulação mais rigorosa seria dizer que a compressão pode ajudar a controlar o edema e proporcionar conforto em determinadas situações, mas a evidência sobre a sua capacidade de reduzir o derrame ou o inchaço do joelho é limitada e inconsistente.
Como utilizaria isto no treino?
Para mim, a joelheira é uma ferramenta, não uma solução.
Se uma pessoa se sente melhor com uma compressão ligeira durante uma caminhada ou treino adaptado, não vejo necessariamente problema em utilizá-la, desde que não existam contraindicações.
Mas continuaria a observar a resposta do joelho.
Se o joelho tolera melhor determinada sessão com a joelheira, isso é informação útil. Se continua a aumentar de volume apesar da compressão, também é informação útil.
A partir daí, ajustaria a carga.
Podemos pensar numa sequência muito simples:
observar → reduzir o que irrita → manter movimento tolerável → controlar sintomas → voltar progressivamente à carga.
Conclusão
Uma joelheira de compressão pode ser útil para algumas pessoas com um joelho inchado, sobretudo como ferramenta de conforto e controlo do edema. No entanto, a investigação disponível não permite afirmar que a compressão seja sempre eficaz na redução do inchaço.
Mais importante ainda, não devemos confundir edema dos tecidos com derrame articular.
Se existe líquido dentro da articulação, a joelheira não deve ser apresentada como uma forma de simplesmente “fazer o líquido voltar para dentro”.
Na minha forma de trabalhar, prefiro olhar para o problema de uma maneira mais ampla: perceber o que aconteceu, avaliar a resposta ao movimento, ajustar a carga e utilizar a compressão apenas como uma das ferramentas disponíveis.
O objetivo não é apenas desinchar o joelho. É conseguir que o joelho volte a tolerar progressivamente as exigências da vida e do treino.
Posso ajudar
Posso ajudar a ajustar o treino quando existe dor ou inchaço no joelho, adaptando carga, exercícios, amplitude e progressão à resposta individual de cada pessoa.
Referências
- McGarry L, Kearney J, Rotaru J, Gunaratne R. Swelling Management in Total Knee Arthroplasty: A Systematic Review. JBJS Reviews. 2025.
- Should compression bandage be performed after total knee arthroplasty? A meta-analysis of randomized controlled trials. 2020.
- Stocker B, et al. Effective therapy to reduce edema after total knee arthroplasty: multi-layer compression therapy or standard therapy with cool pack. 2018.
- Kayamori S, et al. Impact of postoperative compression dressing using polyethylene foam pad on swelling control following total knee arthroplasty. 2016.
- Yu H, et al. Modified Robert Jones bandage cannot reduce postoperative swelling after primary total knee arthroplasty. 2018.
- Christensen LM, et al. The effect of compression therapy on post-surgical swelling and pain after total knee arthroplasty. 2021.