Disseram-lhe que tem “joelhos arqueados” ou joelho varo? Pergunta-se se é possível corrigir esta condição sem cirurgia?
A resposta depende da causa e da gravidade do problema.
Em muitos casos, não é possível alterar completamente o alinhamento ósseo de um adulto. No entanto, é muitas vezes possível reduzir a dor, melhorar a função, aumentar a estabilidade e diminuir a sobrecarga sobre o joelho através de um programa de tratamento adequado.
O mais importante é perceber que ter joelho varo não significa obrigatoriamente sentir dor.
O que é o joelho varo?
O joelho varo caracteriza-se por um alinhamento em que os joelhos permanecem mais afastados quando os tornozelos estão juntos, dando um aspeto de “pernas arqueadas”.
Esta posição faz com que uma maior parte da carga passe pelo compartimento interno do joelho durante a marcha.
Em algumas pessoas trata-se apenas de uma característica anatómica, enquanto noutras pode estar associada ao desgaste da articulação.
Porque aparece?
O joelho varo pode ter várias origens:
- Desenvolvimento natural durante o crescimento.
- Predisposição genética.
- Artrose do compartimento interno do joelho.
- Fraturas antigas.
- Alterações ósseas.
- Algumas doenças que afetam o crescimento.
Em adultos, quando o alinhamento já está estabelecido, o osso dificilmente muda apenas com exercício.
Então o exercício vale a pena?
Sem dúvida.
Embora o exercício não altere significativamente o eixo ósseo, pode melhorar muitos fatores que influenciam a dor e a capacidade funcional.
Um programa bem orientado pode:
- Aumentar a força dos músculos da coxa.
- Fortalecer os glúteos.
- Melhorar a estabilidade da anca.
- Melhorar o equilíbrio.
- Aumentar a capacidade funcional.
- Reduzir a carga sobre determinadas estruturas através de uma melhor coordenação do movimento.
Muitas pessoas conseguem voltar a caminhar, subir escadas e praticar exercício com muito menos desconforto.
O papel da marcha
A forma como caminhamos influencia a distribuição das cargas no joelho.
Pequenas alterações na técnica da marcha, na mobilidade do tornozelo ou na função da anca podem modificar a forma como as forças atravessam a articulação.
Por isso, uma avaliação da marcha pode ser uma ferramenta importante para identificar fatores que contribuem para a sobrecarga.
E as palmilhas?
Em alguns casos, as palmilhas ou ortóteses podem ajudar a aliviar sintomas, especialmente quando existe artrose do compartimento interno do joelho.
No entanto, os resultados variam entre pessoas e nem todos beneficiam da mesma abordagem.
A decisão deve ser individualizada após uma avaliação.
Quando é necessária cirurgia?
A cirurgia pode ser considerada quando:
- Existe deformidade importante.
- A dor limita significativamente a qualidade de vida.
- O tratamento conservador não produz resultados suficientes.
- Há desgaste avançado da articulação.
Dependendo do caso, podem ser consideradas técnicas como a osteotomia ou a substituição da articulação (prótese do joelho).
O papel da avaliação biomecânica
O joelho não funciona isoladamente.
Durante uma avaliação biomecânica é importante analisar:
- A marcha.
- A mobilidade da anca.
- A mobilidade do tornozelo.
- O funcionamento do pé.
- A força muscular.
- O equilíbrio.
- O controlo neuromuscular.
Muitas vezes existem compensações que podem ser melhoradas, reduzindo a carga sobre o joelho mesmo sem alterar o alinhamento ósseo.
O que diz a ciência?
A evidência científica demonstra que o exercício terapêutico é um dos tratamentos mais eficazes para reduzir a dor e melhorar a função em pessoas com artrose e outras condições do joelho.
Também sabemos que a força muscular, o controlo do movimento e a capacidade funcional influenciam significativamente os sintomas.
Embora o exercício não corrija o alinhamento ósseo em adultos, pode melhorar de forma significativa a qualidade de vida.
Referências científicas (links clicáveis)
National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Osteoarthritis: Assessment and Management
https://www.nice.org.uk/guidance/ng226
American Academy of Orthopaedic Surgeons. Management of Osteoarthritis of the Knee (Non-Arthroplasty)
https://www.aaos.org/oak3cpg
Bennell KL, Hinman RS. Exercise as a Treatment for Knee Osteoarthritis
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/21943541/
Crossley KM, van Middelkoop M, Callaghan MJ, et al. Patellofemoral Pain: Consensus Statement and Exercise Therapy Evidence
https://bjsm.bmj.com/content/50/14/842
American College of Sports Medicine. ACSM’s Guidelines for Exercise Testing and Prescription
https://acsm.org/education-resources/books/guidelines-exercise-testing-prescription/
Leitura complementar
Fransen M, McConnell S, Harmer AR, et al. Exercise for Osteoarthritis of the Knee: A Cochrane Systematic Review
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24756838/
Juhl C, Christensen R, Roos EM, et al. Impact of Exercise Type and Dose on Pain and Disability in Knee Osteoarthritis
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25053502/
Posso ajudar?
Se tem joelho varo, sente dor ao caminhar ou pretende saber como reduzir a sobrecarga sobre a articulação, uma avaliação biomecânica pode ajudar a identificar os fatores que estão a influenciar o seu problema.
Sou Marcelo Barros, Personal Trainer desde 1995, antigo Personal Trainer oficial da Men’s Health (2003–2015), especialista em joelho e coluna, com formação em Osteopatia e em P-DTR (Proprioceptive Deep Tendon Reflex).
Nas minhas avaliações analiso a marcha, a mobilidade, a força, o equilíbrio e o controlo neuromuscular, desenvolvendo um plano personalizado que pode incluir exercício terapêutico, estratégias para melhorar a biomecânica e progressão segura da atividade física.
As consultas decorrem presencialmente no Lemon Fit, no Parque das Nações (Lisboa), e também online.
Se pretende perceber quais os fatores que estão a contribuir para a sua dor e como pode melhorar a função do seu joelho, entre em contacto para agendar uma avaliação.