Durante milhares de anos, o ser humano viveu em contacto direto com a natureza. No entanto, nas últimas décadas, a urbanização, o trabalho em ambientes fechados e o aumento do tempo passado em frente a ecrãs reduziram significativamente esse contacto. Atualmente, muitas pessoas passam a maior parte do dia dentro de casa, no escritório ou no automóvel.
A ciência tem vindo a demonstrar que esta mudança pode ter impacto na saúde física e mental. O contacto regular com espaços verdes, parques, florestas, praias ou montanhas está associado a uma melhor qualidade de vida, menor risco de algumas doenças crónicas e maior bem-estar psicológico.
Não é necessário viver no campo nem fazer caminhadas exigentes. Mesmo pequenas visitas a parques urbanos ou jardins podem trazer benefícios mensuráveis para a saúde.
Reduz o stress
Um dos efeitos mais bem documentados da natureza é a redução do stress.
Diversos estudos mostram que passar algum tempo em ambientes naturais pode diminuir os níveis de cortisol, a principal hormona relacionada com a resposta ao stress.
Ao mesmo tempo, muitas pessoas relatam:
- maior sensação de tranquilidade;
- redução da ansiedade;
- melhoria do humor;
- maior capacidade de concentração.
Este efeito pode surgir após apenas 20 a 30 minutos de permanência num espaço verde.
Faz bem ao coração
O contacto com a natureza está frequentemente associado a um estilo de vida mais ativo.
Caminhar em parques, junto ao mar ou em percursos naturais ajuda a melhorar:
- pressão arterial;
- frequência cardíaca de repouso;
- circulação sanguínea;
- capacidade cardiorrespiratória.
Além disso, ambientes naturais podem contribuir para reduzir o stress, um fator que também influencia a saúde cardiovascular.
Incentiva a prática de exercício
As pessoas tendem a mover-se mais quando estão em espaços agradáveis.
Passeios em jardins, caminhadas em trilhos ou simples deslocações a pé tornam-se mais apelativos quando realizados em contacto com a natureza.
Esta atividade física adicional ajuda a:
- controlar o peso;
- melhorar a glicemia;
- fortalecer músculos e ossos;
- reduzir o risco de doenças cardiovasculares.
Melhora a saúde mental
A investigação científica associa o contacto com ambientes naturais a uma menor prevalência de sintomas de ansiedade e depressão.
Embora não substitua tratamentos médicos quando necessários, pode ser um complemento importante na promoção da saúde mental.
Também existem evidências de melhoria da atenção, da memória e da capacidade de concentração.
Pode melhorar a qualidade do sono
Passar tempo ao ar livre, sobretudo durante o dia, aumenta a exposição à luz natural.
Esta luz ajuda a regular o ritmo circadiano, o relógio biológico responsável pelos ciclos de sono e vigília.
Como consequência, muitas pessoas apresentam:
- maior facilidade em adormecer;
- sono mais profundo;
- melhor recuperação física e mental.
A vitamina D não explica tudo
A exposição moderada ao sol favorece a produção de vitamina D, importante para a saúde óssea e muscular.
No entanto, os benefícios da natureza vão muito além da vitamina D.
Mesmo em dias nublados ou quando a exposição solar é limitada, o simples contacto com ambientes naturais continua associado a melhorias no bem-estar e na saúde mental.
Pode beneficiar o sistema imunitário
Alguns estudos sugerem que a permanência em ambientes naturais pode influenciar positivamente o funcionamento do sistema imunitário.
Uma das hipóteses é que a redução do stress e a exposição a uma maior diversidade de microrganismos ambientais contribuam para estes efeitos.
Embora esta área continue em investigação, os resultados são promissores.
Favorece o envelhecimento saudável
As pessoas que vivem perto de espaços verdes ou os utilizam regularmente tendem a apresentar:
- níveis mais elevados de atividade física;
- menor isolamento social;
- melhor saúde cardiovascular;
- maior autonomia durante o envelhecimento.
A natureza facilita hábitos saudáveis que ajudam a preservar a qualidade de vida ao longo dos anos.
Também fortalece as relações sociais
Parques, jardins e passeios ao ar livre criam oportunidades para conviver com familiares e amigos.
As relações sociais estão associadas a menor risco de depressão, melhor saúde mental e maior longevidade.
Passear acompanhado pode beneficiar simultaneamente o corpo e a mente.
Quanto tempo é necessário?
Não existe uma duração obrigatória.
No entanto, estudos sugerem que cerca de 120 minutos por semana em ambientes naturais estão associados a melhores indicadores de saúde e bem-estar.
Esse tempo pode ser distribuído ao longo da semana, por exemplo através de caminhadas diárias de 20 a 30 minutos.
Como integrar a natureza no dia a dia?
Pequenas mudanças podem fazer diferença:
- caminhar num parque antes ou depois do trabalho;
- passear o cão em espaços verdes;
- fazer exercício ao ar livre;
- ler num jardim;
- passar parte do fim de semana na natureza;
- optar por percursos pedonais sempre que possível.
O mais importante é transformar estas atividades num hábito.
Não esquecer a proteção solar
Estar ao ar livre não significa permanecer longos períodos ao sol sem proteção.
É importante adaptar a exposição solar à estação do ano, ao horário e ao tipo de pele, utilizando proteção adequada quando necessário.
Assim é possível beneficiar da natureza de forma segura.
Conclusão
O contacto com a natureza é uma estratégia simples, acessível e apoiada por crescente evidência científica para melhorar a saúde. Reduz o stress, promove a atividade física, melhora o humor, favorece o sono e contribui para a saúde cardiovascular e mental.
Não é necessário fazer grandes viagens ou caminhadas exigentes. Pequenos momentos regulares em parques, jardins ou outros espaços naturais podem representar um investimento importante na saúde e na longevidade.
Posso ajudar?
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Referências científicas
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