Quando damos um passo, o cérebro recebe milhares de informações em apenas alguns segundos. Uma das fontes mais importantes dessa informação são os pés.
Muito mais do que suportar o peso do corpo, os pés funcionam como verdadeiros sensores, capazes de informar o sistema nervoso sobre o tipo de terreno, a posição do corpo e a distribuição da carga durante o movimento.
Sem esta informação, caminhar, correr ou simplesmente manter-se de pé seria muito mais difícil.
O que são os “sensores” dos pés?
Na pele, nos músculos, nos tendões, nas articulações e nas fáscias do pé existem milhares de recetores sensoriais, também conhecidos como mecanorreceptores.
Estes recetores detetam continuamente alterações como:
- Pressão.
- Alongamento.
- Vibração.
- Contacto com o solo.
- Mudanças de direção.
- Velocidade do movimento.
Toda esta informação é enviada para o cérebro em frações de segundo, permitindo ajustar automaticamente a postura e o movimento.
Porque são tão importantes?
Sempre que caminhamos, o cérebro precisa de responder a várias perguntas:
- Onde está o peso do corpo?
- O terreno é estável ou irregular?
- É necessário corrigir o equilíbrio?
- Qual o próximo passo?
Os pés são a primeira estrutura do corpo a contactar com o solo e fornecem grande parte destas respostas.
Sem essa informação, o controlo do movimento torna-se menos eficiente.
O papel dos pés no equilíbrio
Manter o equilíbrio parece simples, mas envolve uma enorme quantidade de informação.
O sistema nervoso combina sinais provenientes de três grandes sistemas:
- Visão.
- Sistema vestibular (ouvido interno).
- Informações sensoriais dos pés e restantes articulações (proprioceção).
Quando um destes sistemas funciona menos bem, os outros tentam compensar.
Por isso, alterações da sensibilidade dos pés podem aumentar a instabilidade, sobretudo em adultos mais velhos ou em pessoas com doenças neurológicas.
Os pés influenciam toda a marcha
Cada passo começa nos pés.
A forma como o pé contacta com o solo influencia a mecânica do tornozelo, do joelho, da anca e da coluna.
Quando existe dor, rigidez ou alterações da sensibilidade, o sistema nervoso adapta automaticamente a forma de caminhar.
Estas compensações nem sempre provocam sintomas imediatos, mas podem modificar a distribuição das cargas ao longo do corpo.
O que pode afetar estes recetores?
Vários fatores podem alterar a qualidade da informação enviada pelos pés:
- Entorses do tornozelo.
- Cirurgias.
- Cicatrizes.
- Neuropatias, como a neuropatia diabética.
- Dor persistente.
- Imobilização prolongada.
- Utilização constante de calçado muito rígido em algumas situações.
Quanto menor for a qualidade da informação sensorial, maior pode ser a dificuldade em controlar o equilíbrio.
Podemos estimular os recetores dos pés?
Sim.
O exercício é uma das melhores formas de estimular estes sistemas.
Algumas estratégias incluem:
- Exercícios de equilíbrio.
- Caminhar em diferentes superfícies seguras.
- Exercícios de mobilidade do pé e do tornozelo.
- Fortalecimento dos músculos intrínsecos do pé.
- Treino propriocetivo.
O objetivo não é apenas fortalecer os músculos, mas também melhorar a capacidade do sistema nervoso para utilizar a informação sensorial.
O papel do hálux
O dedo grande do pé (hálux) desempenha um papel particularmente importante durante a fase final da passada.
Uma boa mobilidade do hálux facilita a progressão do corpo para a frente e contribui para uma distribuição mais eficiente das cargas.
Limitações nesta articulação podem alterar a marcha e obrigar outras estruturas a compensar.
O que diz a ciência?
A investigação demonstra que a informação sensorial proveniente dos pés é essencial para o equilíbrio, a marcha e a adaptação ao terreno.
Também sabemos que programas que incluem treino de equilíbrio, fortalecimento e exercícios propriocetivos melhoram a estabilidade e reduzem o risco de quedas, especialmente em adultos mais velhos.
Os pés não são apenas uma base de apoio. São uma importante fonte de informação para todo o sistema nervoso.
Referências científicas
Menz HB, Lord SR. The Contribution of Foot Problems to Mobility Impairment and Falls in Older People
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/15374035/
Nurse MA, Nigg BM. The Effect of Changes in Foot Sensation on Plantar Pressure and Muscle Activity
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/11809577/
Proske U, Gandevia SC. The Proprioceptive Senses: Their Roles in Signalling Body Shape, Position and Movement
https://physoc.onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1113/jphysiol.2012.227298
Perry J, Burnfield JM. Gait Analysis: Normal and Pathological Function
https://www.amazon.com/Gait-Analysis-Normal-Pathological-Function/dp/1617115435
American College of Sports Medicine (ACSM) – Guidelines for Exercise Testing and Prescription
https://www.acsm.org/education-resources/books/guidelines-exercise-testing-prescription
Posso ajudar?
Se sente instabilidade ao caminhar, dores persistentes nos pés, tornozelos ou joelhos, ou pretende melhorar o equilíbrio e a qualidade do movimento, uma avaliação biomecânica pode identificar os fatores que estão a influenciar a sua marcha.
Sou Marcelo Barros, Personal Trainer desde 1995, antigo Personal Trainer oficial da Men’s Health (2003–2015), especialista em joelho e coluna, com formação em Osteopatia e em P-DTR (Proprioceptive Deep Tendon Reflex).
Durante a avaliação analiso a mobilidade dos pés, a marcha, o equilíbrio, a proprioceção e a coordenação do movimento, procurando compreender como estas estruturas influenciam o funcionamento de todo o corpo.
As consultas decorrem presencialmente no Lemon Fit, no Parque das Nações (Lisboa), e também online.
Se pretende caminhar com mais segurança, melhorar o equilíbrio ou reduzir a dor durante o movimento, entre em contacto para agendar uma avaliação.