Durante muitos anos, acreditou-se que existia um número “mágico” de repetições para aumentar a massa muscular. Talvez já tenha ouvido dizer que 8 a 12 repetições são obrigatórias para a hipertrofia.
Mas será mesmo verdade?
A investigação científica dos últimos anos mostrou que a resposta é mais interessante. Não existe um número único de repetições que seja superior a todos os outros. O fator mais importante é que o músculo seja suficientemente estimulado, treinando com intensidade adequada e próximo da falha muscular.
Porque se fala tanto das 8 a 12 repetições?
Este intervalo tornou-se popular porque permite utilizar cargas moderadas, realizar um bom volume de treino e acumular tensão muscular suficiente para estimular a hipertrofia.
É também um intervalo confortável para a maioria dos praticantes, equilibrando força, controlo técnico e fadiga.
No entanto, isso não significa que seja a única forma de ganhar massa muscular.
O que diz a ciência?
Atualmente, vários estudos demonstram que é possível aumentar a massa muscular utilizando diferentes intervalos de repetições, desde que cada série seja realizada com intensidade suficiente.
Por exemplo, pode obter excelentes resultados com:
- 5 a 8 repetições, utilizando cargas elevadas.
- 8 a 12 repetições, o intervalo clássico.
- 12 a 20 repetições, com cargas moderadas.
- Até 20 a 30 repetições, desde que a série termine muito próxima da falha muscular.
Ou seja, o músculo responde ao esforço e não apenas ao número de repetições.
Então o importante é chegar perto da falha?
Sim.
Um dos conceitos mais importantes na hipertrofia é a proximidade da falha muscular.
Isso significa terminar a série quando sente que conseguiria fazer apenas mais 0 a 3 repetições com boa técnica.
Se termina sempre as séries com energia para realizar mais 8 ou 10 repetições, provavelmente o estímulo será insuficiente para maximizar o crescimento muscular.
Por outro lado, treinar até à falha absoluta em todas as séries também não é necessário e pode aumentar a fadiga sem benefícios adicionais.
Repetições baixas ou altas?
Cada intervalo apresenta vantagens.
Repetições baixas (3 a 6)
São mais utilizadas para desenvolver força máxima.
Permitem levantar cargas elevadas, mas acumulam menos tempo sob tensão.
Também exigem maior atenção à técnica.
Repetições moderadas (6 a 12)
São uma excelente combinação entre carga, volume e controlo do movimento.
Por esse motivo continuam a ser uma das estratégias mais utilizadas para hipertrofia.
Repetições elevadas (12 a 20 ou mais)
Produzem maior fadiga muscular e metabólica.
Podem ser particularmente úteis em exercícios de isolamento ou quando existe necessidade de reduzir a carga sobre as articulações.
Também representam uma boa alternativa para pessoas com lesões ou dores articulares.
Devo utilizar sempre o mesmo número de repetições?
Não.
Uma estratégia muito eficaz consiste em variar os intervalos de repetições ao longo da semana ou do programa de treino.
Por exemplo:
- Agachamento: 6 a 8 repetições.
- Supino: 8 a 10 repetições.
- Elevações laterais: 15 a 20 repetições.
- Gémeos: 15 a 20 repetições.
Esta combinação permite estimular diferentes adaptações musculares e reduzir a monotonia do treino.
E a velocidade das repetições?
Mais importante do que executar os movimentos lentamente é manter o controlo da técnica.
A fase de descida (excêntrica) deve ser controlada, enquanto a subida pode ser realizada de forma rápida e intencional, desde que sem perder a qualidade do movimento.
Evitar balanços e impulsos desnecessários aumenta a eficácia do exercício.
O erro mais comum
Muitas pessoas contam apenas as repetições.
Na realidade, o mais importante é perguntar:
- Estou a utilizar uma carga desafiante?
- Estou próximo da falha muscular?
- Estou a progredir ao longo das semanas?
- A técnica mantém-se correta?
Responder “sim” a estas perguntas é muito mais importante do que fazer exatamente 10 ou 12 repetições.
Conclusão
Não existe um número perfeito de repetições para ganhar massa muscular.
A evidência científica demonstra que diferentes intervalos podem produzir excelentes resultados, desde que o treino seja realizado com intensidade adequada, próximo da falha muscular e acompanhado de uma progressão consistente.
Para a maioria das pessoas, combinar séries entre 6 e 15 repetições é uma estratégia prática, eficaz e fácil de integrar num programa de treino.
O segredo não está no número de repetições, mas na qualidade do treino, na recuperação e na consistência.
Referências científicas (links clicáveis)
Schoenfeld BJ, Grgic J, Van Every DW, Plotkin DL. Loading Recommendations for Muscle Strength, Hypertrophy, and Local Endurance: A Re-Examination of the Repetition Continuum
https://www.mdpi.com/2075-4663/9/2/32
Schoenfeld BJ. The Mechanisms of Muscle Hypertrophy and Their Application to Resistance Training
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/20847704/
Schoenfeld BJ, Ogborn D, Krieger JW. Dose-Response Relationship Between Weekly Resistance Training Volume and Increases in Muscle Mass
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27433992/
Grgic J, Schoenfeld BJ, Davies TB, et al. Effect of Resistance Training Frequency on Gains in Muscular Strength: A Systematic Review and Meta-analysis
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29470825/
American College of Sports Medicine. Progression Models in Resistance Training for Healthy Adults
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/19204579/
Morton RW, Murphy KT, McKellar SR, et al. Protein Supplementation and Resistance Training-Induced Gains in Muscle Mass and Strength
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28698222/
Leitura complementar
Schoenfeld BJ, Grgic J. Evidence-Based Guidelines for Resistance Training Volume to Maximize Muscle Hypertrophy
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34077839/
Frontiers in Physiology. Evidence-Based Contribution of Mechano-Biological Descriptors of Resistance Exercise
https://www.frontiersin.org/journals/physiology/articles/10.3389/fphys.2021.686119/full
Posso ajudar?
Se pretende ganhar massa muscular, aumentar a força ou otimizar os seus treinos, posso ajudá-lo.
Sou Marcelo Barros, Personal Trainer desde 1995, antigo Personal Trainer oficial da Men’s Health (2003–2015), especialista em joelho e coluna, com formação em Osteopatia e P-DTR (Proprioceptive Deep Tendon Reflex).
Realizo avaliações presenciais e acompanhamento online, criando programas de treino personalizados, baseados na melhor evidência científica e adaptados ao seu nível de experiência, objetivos e disponibilidade.