Chris Bumstead, conhecido como Cbum, é uma das figuras mais conhecidas do culturismo moderno. Conquistou seis títulos consecutivos na categoria Classic Physique do Mr. Olympia, entre 2019 e 2024, e construiu uma imagem reconhecida pela massa muscular, proporção e definição.
O que me interessa no seu exemplo não é apenas o resultado estético. É perceber como organiza o treino, escolhe os exercícios e adapta a alimentação a uma modalidade muito exigente. Há princípios que podemos aproveitar, mesmo que o nosso objetivo seja simplesmente ganhar força e manter músculo ao longo dos anos.
1. Como treina Chris Bumstead?
Bumstead tem utilizado diferentes divisões de treino ao longo da carreira. Nas sessões de pernas que divulgou durante a preparação competitiva, combinou máquinas e pesos livres, trabalhando os músculos através de movimentos diferentes.
Um exemplo conhecido é a sessão de pernas divulgada durante a preparação para o Mr. Olympia de 2023. Entre os exercícios apresentados estavam extensões de pernas, leg press, belt squat, agachamento na Smith machine, agachamentos búlgaros e trabalho para os adutores e gémeos.
Para perceber melhor como estes exercícios podem ser organizados, deixo um exemplo prático inspirado nessa sessão. As séries e repetições seguintes são ilustrativas e não representam necessariamente o plano exato de Bumstead.
Exemplo de treino de pernas
- Extensões de pernas: 3 séries de 12–15 repetições. Na máquina, estender os joelhos de forma controlada e regressar lentamente à posição inicial. O objetivo é trabalhar sobretudo os quadricípites.
- Leg press: 3 séries de 8–12 repetições. Empurrar a plataforma sem bloquear bruscamente os joelhos e descer apenas até onde seja possível manter o controlo.
- Belt squat: 3 séries de 8–12 repetições. Realizar um movimento semelhante ao agachamento, com a carga suportada por um cinto colocado na anca.
- Agachamento na Smith machine: 3 séries de 8–10 repetições. Manter os pés estáveis e utilizar uma amplitude confortável, sem perder a posição do tronco.
- Agachamento búlgaro: 2 séries de 8–10 repetições por perna. Trabalhar cada membro inferior separadamente, controlando o equilíbrio e a descida.
- Adutores e gémeos: 2–3 séries de 12–15 repetições para cada exercício, ajustando a carga à capacidade individual.
O descanso pode variar entre um e três minutos, consoante o exercício e a recuperação. A carga deve permitir manter uma execução consistente, sem transformar todas as séries numa luta para completar a última repetição.
Na minha experiência, é aqui que vale a pena parar e pensar. Não precisamos de fazer seis exercícios para as pernas numa única sessão para obter bons resultados. Para algumas pessoas, sobretudo quem está a começar ou regressa ao treino, três ou quatro exercícios bem escolhidos podem ser suficientes.
O importante é conseguir progredir, recuperar e repetir o treino com qualidade. É essa consistência que muitas vezes faz a diferença ao longo dos meses.
2. Como come Chris Bumstead?
A alimentação de um culturista também muda ao longo do ano. Ganhar massa muscular e preparar-se para uma competição são objetivos diferentes, pelo que as quantidades de comida e a ingestão energética podem variar.
Bumstead divulgou refeições com alimentos como frango, arroz, ovos, aveia, carne de vaca e vegetais. São alimentos comuns, mas a forma como são combinados e as quantidades ingeridas dependem das necessidades do atleta.
Exemplo de um dia alimentar inspirado no culturismo
- Pequeno-almoço: aveia com ovos e uma peça de fruta.
- Almoço: frango grelhado, arroz e vegetais.
- Lanche: iogurte natural com fruta e, se necessário, aveia.
- Jantar: carne magra, batata e legumes.
- Entre refeições: ajustar as porções e incluir outros alimentos conforme a fome, o treino e as necessidades energéticas.
Este é um exemplo ilustrativo, não a dieta exata de Chris Bumstead nem uma recomendação alimentar individual. As quantidades precisam de ser adaptadas ao peso, à atividade física e aos objetivos.
A meu ver, a principal lição não é comer exatamente como um campeão. É garantir que a alimentação acompanha o treino e que existe consistência suficiente para manter os resultados. Não é necessário seguir uma dieta de competição para ganhar músculo ou melhorar a composição corporal.
3. Recuperação, família e vida fora do ginásio
Há uma parte do culturismo que nem sempre recebe a mesma atenção: aquilo que acontece entre os treinos. O sono, a alimentação e a gestão da fadiga influenciam a capacidade de recuperar e manter um programa exigente.
Bumstead também falou publicamente sobre os desafios físicos e psicológicos associados à competição. A preparação para um grande evento exige disciplina, mas essa exigência tem de ser equilibrada com a saúde e a vida pessoal.
Na sua vida familiar, destaca-se a relação com Courtney King e o nascimento da filha em 2024. Em dezembro desse ano, anunciou a retirada das competições, depois de conquistar o sexto título consecutivo na Classic Physique.
Para mim, há aqui uma ideia importante: o treino deve servir os nossos objetivos, e não ocupar todo o espaço da nossa vida. Depois dos 40 anos, essa gestão torna-se especialmente relevante para quem quer continuar a treinar durante décadas, conciliando exercício, trabalho, família e recuperação.
Não precisamos de treinar como um profissional para beneficiar do treino de força. Precisamos de encontrar uma dose de exercício que consigamos tolerar, repetir e ajustar à medida que a nossa condição física evolui.
Posso ajudar
Ajudo pessoas dos 40 aos 80 anos a melhorar força, mobilidade e condição física através de treino individualizado. Adapto os exercícios e a intensidade aos objetivos, à experiência e às limitações de cada pessoa, privilegiando a progressão e a continuidade.
Referências
- Generation Iron — sessão de pernas de Chris Bumstead durante a preparação para o Olympia de 2023.
- GQ — alimentação e estilo de vida de Chris Bumstead.
- BarBend — treino e rotina de Chris Bumstead.
- Muscle & Fitness — carreira e retirada competitiva de Chris Bumstead.
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