Com o envelhecimento, caminhar pode tornar-se mais exigente. Mas será possível melhorar a eficiência da marcha através do exercício físico? Uma revisão sistemática e meta-análise publicada em 2026 na revista Sports Medicine procurou responder a esta questão, analisando os efeitos de diferentes tipos de treino em adultos saudáveis e pessoas com doenças neurológicas.
O que significa melhorar a economia da caminhada?
O custo metabólico da caminhada corresponde à energia que o organismo utiliza para se deslocar. Quando este custo é elevado, caminhar à mesma velocidade pode exigir mais esforço e provocar maior fadiga.
Esta capacidade depende de vários fatores, incluindo a força muscular, a condição cardiovascular, a coordenação e o controlo motor. Com a idade, algumas destas capacidades podem diminuir, tornando mais difícil percorrer distâncias maiores ou manter a atividade durante períodos prolongados.
O que descobriu a investigação?
Os investigadores analisaram 27 estudos, envolvendo 1177 participantes. Destes, 703 eram adultos saudáveis e 474 apresentavam doenças neurológicas, incluindo acidente vascular cerebral (AVC), doença de Parkinson e esclerose múltipla.
Foram considerados diferentes tipos de intervenção, nomeadamente treino aeróbico, treino de força e outras formas de exercício e reabilitação. No conjunto dos estudos, o exercício físico regular esteve associado a uma melhoria da economia da caminhada.
O benefício foi estatisticamente significativo nos adultos saudáveis. Nas pessoas que sofreram um AVC, os resultados não demonstraram uma melhoria estatisticamente significativa. Isto não significa que o exercício seja inútil após um AVC, mas que a evidência analisada não permitiu confirmar o mesmo efeito nesta população.
É melhor fazer treino de força ou exercício aeróbico?
Uma das conclusões interessantes foi a ausência de diferenças estatisticamente significativas nos resultados em função do tipo de treino, da intensidade, da frequência semanal ou da duração das sessões. Contudo, isto não prova que todas as modalidades sejam igualmente eficazes. Os estudos disponíveis podem não ter sido suficientes para identificar diferenças entre programas.
O treino aeróbico contribui para melhorar a capacidade cardiorrespiratória. O treino de força ajuda a preservar a capacidade muscular necessária para caminhar, subir escadas e levantar-se de uma cadeira. Os exercícios de equilíbrio e coordenação também podem ser importantes para melhorar o controlo do movimento.
Como aplicar estes resultados no treino?
Na minha experiência, quando uma pessoa apresenta dificuldade em caminhar, prefiro perceber primeiro quais são as suas limitações. Nem sempre faço isto da mesma maneira, porque a estratégia depende da condição física, da experiência de treino e dos objetivos individuais.
Para algumas pessoas, o ponto de partida pode ser aumentar gradualmente a duração das caminhadas. Para outras, será mais importante desenvolver a força dos membros inferiores, trabalhar a mobilidade ou melhorar o equilíbrio. Exercícios como sentar e levantar de uma cadeira, elevações dos calcanhares e marcha em diferentes direções podem ser adaptados a diferentes níveis de capacidade.
Em pessoas com doenças neurológicas, tonturas ou alterações importantes do equilíbrio, o treino deve ser ajustado às necessidades individuais e, quando necessário, acompanhado por profissionais de saúde.
O peso corporal influencia os resultados?
A análise identificou uma associação entre um índice de massa corporal médio mais elevado nos estudos e efeitos menores do treino sobre a economia da caminhada. No entanto, este resultado diz respeito a diferenças entre estudos e não permite prever a resposta de cada pessoa. O peso corporal é apenas um dos vários fatores que podem influenciar o esforço necessário para caminhar.
Conclusão: caminhar melhor também é um objetivo do treino
Esta revisão reforça a importância do exercício físico regular para melhorar a eficiência energética da caminhada, sobretudo em adultos saudáveis. Embora ainda sejam necessários mais estudos em pessoas com doenças neurológicas, os resultados apoiam a inclusão do exercício em estratégias destinadas a preservar a capacidade funcional.
Para envelhecer com autonomia, não basta acumular passos. É importante manter a força, a condição cardiovascular, o equilíbrio e a coordenação. O programa mais adequado será aquele que respeita as capacidades individuais e permite progredir com consistência e segurança.
Posso ajudar
Ajudo adultos a melhorar a força, o equilíbrio, a mobilidade e a capacidade funcional através de treino individualizado, adaptado à condição física, às limitações existentes e aos objetivos de autonomia e envelhecimento saudável.
Referências
- Hortobágyi T, Granacher U, Brach J, et al. Effects of Exercise Training on the Metabolic Cost of Walking in Health and Disease: A Systematic Review and Meta-analysis. Sports Medicine. 2026. Publicado online a 14 de outubro de 2026. DOI: 10.1007/s40279-026-02553-x.
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