Treino concorrente: combinar HIIT e musculação pode reduzir a força explosiva?

Treino concorrente: combinar HIIT e musculação pode reduzir a força explosiva? October 27, 2026Leave a comment

Combinar exercício aeróbico e treino de força permite desenvolver diferentes capacidades físicas no mesmo programa. No entanto, a forma como organizamos estas modalidades pode influenciar o desempenho. Um estudo publicado em 2026 no Journal of Strength and Conditioning Research analisou se combinar treino intervalado de alta intensidade (HIIT) e musculação para os mesmos grupos musculares produz efeitos diferentes daqueles observados quando se treinam grupos musculares distintos.

O que é o treino concorrente?

O treino concorrente consiste em combinar exercício aeróbico e treino de força num programa de preparação física. Esta estratégia pode ser útil para melhorar simultaneamente a capacidade cardiovascular, a força e a condição física geral.

Contudo, as duas modalidades impõem exigências diferentes ao organismo. Quando são realizadas com elevada intensidade ou envolvem os mesmos músculos, a fadiga acumulada pode influenciar a qualidade do treino de força, sobretudo quando o objetivo é produzir força rapidamente.

Como foi realizado o estudo?

Participaram 32 homens num programa de treino com duração de 12 semanas. Os investigadores compararam três estratégias: HIIT para os membros inferiores combinado com treino de força dos membros inferiores; HIIT dos membros inferiores combinado com treino de força dos membros superiores; e treino de força para ambos os segmentos corporais.

Os investigadores avaliaram a velocidade de execução durante exercícios de força, incluindo o agachamento e o supino. Analisaram também a perda de velocidade durante as séries, um indicador que pode ajudar a compreender a fadiga ao longo do esforço.

O que descobriram os investigadores?

O resultado mais interessante surgiu no agachamento. No grupo que combinou HIIT dos membros inferiores com treino de força dos mesmos músculos, a velocidade propulsiva média diminuiu após as 12 semanas.

No supino, não foram observadas alterações estatisticamente significativas na velocidade propulsiva média. Também não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas na perda de velocidade durante o agachamento ou o supino.

Os resultados sugerem que a força explosiva pode ser mais sensível à combinação de treino aeróbico intenso e musculação quando ambas as modalidades solicitam os mesmos grupos musculares. Contudo, o estudo não demonstra que o treino concorrente seja prejudicial em geral, nem que combinar modalidades reduza necessariamente a força máxima ou a massa muscular.

Como organizar o treino de força e o HIIT?

Na prática, a escolha depende dos objetivos. Se a prioridade for desenvolver a potência dos membros inferiores, poderá fazer sentido evitar que uma sessão intensa de HIIT para as pernas comprometa a qualidade do treino de força realizado na mesma sessão.

Uma possibilidade é separar as duas sessões por várias horas ou distribuí-las por dias diferentes. Outra estratégia consiste em combinar o trabalho aeróbico com exercícios de força para grupos musculares distintos. A melhor opção depende da disponibilidade, da experiência e da capacidade de recuperação de cada pessoa.

É importante salientar que este estudo não comparou todas as formas possíveis de organizar as sessões. Por isso, não permite definir um intervalo de recuperação ideal nem estabelecer uma regra universal para todos os praticantes.

O que significa para quem treina depois dos 40 anos?

Para a população em geral, combinar treino aeróbico e musculação continua a ser uma estratégia útil. O objetivo não é evitar o exercício concorrente, mas ajustar a carga e a recuperação às necessidades individuais.

Na minha experiência, prefiro começar por identificar a prioridade de cada pessoa. Se procuramos melhorar a força e a potência, dou especial atenção à qualidade de execução e à fadiga acumulada. Se o objetivo principal for a saúde geral, a combinação das duas modalidades pode ser organizada de forma mais flexível.

Conclusão

Este estudo acrescenta informação sobre a organização do treino concorrente. Combinar HIIT e musculação para os mesmos grupos musculares poderá influenciar negativamente alguns indicadores de força explosiva. Ainda assim, são necessários estudos maiores e com populações mais diversificadas para perceber até que ponto estes resultados se aplicam a outros contextos.

Posso ajudar

Ajudo adultos a desenvolver força, potência e condição cardiovascular através de programas individualizados. Adapto a combinação das modalidades, a intensidade e a recuperação à experiência, aos objetivos e às limitações de cada pessoa.

Referências

  1. Feuerbacher JF, Jacobs MW, Dragutinovic B, Rehbein P, Schumann M. Effects of Prolonged Combined Aerobic and Strength Training on Movement Velocities During a Strength Loading Bout: Targeting Same Versus Separate Muscle Groups. Journal of Strength and Conditioning Research. 2026. DOI: 10.1519/JSC.0000000000005595.

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