Menopausa, estrogénio e testosterona: uma nova investigação sobre a densidade óssea

Menopausa, estrogénio e testosterona: uma nova investigação sobre a densidade óssea October 27, 2026Leave a comment

A menopausa está associada a alterações hormonais que podem acelerar a perda de massa óssea. Uma investigação divulgada pela The Menopause Society, em outubro de 2026, sugere que a combinação de estrogénio e testosterona poderá aumentar a densidade mineral óssea da coluna lombar mais do que a terapêutica com estrogénio isolado.

Os resultados são interessantes, sobretudo para a prevenção da osteoporose. No entanto, importa compreender o que foi realmente estudado e evitar transformar uma descoberta preliminar numa recomendação clínica generalizada.

Porque aumenta o risco de osteoporose após a menopausa?

O estrogénio desempenha um papel importante na manutenção do tecido ósseo. Durante a transição para a menopausa, a redução desta hormona pode acelerar a reabsorção óssea, contribuindo para a diminuição da densidade mineral dos ossos.

Este processo pode favorecer o aparecimento de osteopenia e osteoporose, aumentando a vulnerabilidade a fraturas. A perda óssea pode desenvolver-se durante anos sem provocar sintomas evidentes, pelo que a avaliação dos fatores de risco e, quando indicada, a realização de uma densitometria óssea são importantes.

A atividade física, uma alimentação adequada e a avaliação médica individualizada continuam a desempenhar um papel fundamental na proteção da saúde óssea.

O que investigaram os cientistas?

O estudo apresentado na reunião anual de 2026 da The Menopause Society acompanhou 51 mulheres durante uma média de 4,1 anos. Os investigadores compararam as medições da densidade mineral óssea em três momentos: inicialmente, após pelo menos um ano de terapêutica com estrogénio e após pelo menos um ano de tratamento combinado com estrogénio e testosterona.

A densidade óssea foi avaliada através de exames de absorciometria de raios X de dupla energia, conhecidos como DEXA ou DXA. Esta técnica permite analisar diferentes regiões do esqueleto, incluindo a coluna lombar, o colo do fémur e a anca.

Os resultados indicaram que a terapêutica com estrogénio isolado não produziu aumentos estatisticamente significativos nos valores avaliados. Com a combinação hormonal, verificou-se um aumento significativo da densidade mineral óssea da coluna lombar. Na anca e no colo do fémur, os valores permaneceram globalmente estáveis.

O que mostram os resultados?

A tabela seguinte resume os valores médios do T-score apresentados no resumo científico. Um T-score mais elevado corresponde, em termos gerais, a uma melhor densidade mineral óssea em comparação com a referência utilizada para adultos jovens.

Região óssea Inicial Estrogénio Estrogénio + testosterona
Coluna lombar -1,10 -1,16 -0,76
Colo do fémur -1,48 -1,59 -1,60
Anca total -0,99 -1,27 -0,98

Figura 1 — Dados do resumo científico apresentado na reunião anual de 2026 da The Menopause Society. Valores médios de T-score. E = estrogénio; T = testosterona.

A diferença mais evidente encontra-se na coluna lombar. Ainda assim, os resultados não demonstram que a combinação hormonal reduza efetivamente o número de fraturas, nem permitem concluir que produza benefícios equivalentes noutras regiões do esqueleto.

Significa isto que todas as mulheres devem utilizar testosterona?

Não. O estudo é pequeno e os seus resultados devem ser interpretados com prudência. A investigação sugere uma possível ação complementar das duas hormonas sobre o tecido ósseo, particularmente na coluna, mas são necessários estudos maiores e metodologicamente mais robustos para confirmar os benefícios e esclarecer a segurança do tratamento.

A testosterona não deve ser utilizada por iniciativa própria para prevenir a osteoporose. A indicação, a dose, a formulação e a monitorização de qualquer terapêutica hormonal devem ser discutidas com um médico, considerando os sintomas, os antecedentes clínicos e os riscos individuais.

Que papel tem o exercício físico na saúde óssea?

Independentemente dos resultados desta investigação, o exercício físico continua a ser uma ferramenta importante para preservar a força muscular, a capacidade funcional e a saúde óssea ao longo do envelhecimento.

  • Treino de força: exercícios adaptados para os principais grupos musculares, com progressão gradual da carga.
  • Exercício com suporte do peso corporal: caminhada rápida e outras atividades adequadas à condição física individual.
  • Equilíbrio e coordenação: exercícios que ajudam a melhorar o controlo postural e a reduzir o risco de quedas.
  • Consistência: uma rotina regular, ajustada às capacidades e limitações de cada pessoa.

Quando existe osteoporose diagnosticada ou risco elevado de fratura, o programa deve ser adaptado. Certos movimentos, impactos e cargas podem necessitar de alterações, sobretudo em pessoas com fraturas vertebrais prévias.

Uma alimentação equilibrada, com ingestão adequada de cálcio e vitamina D, também pode contribuir para a saúde óssea. A necessidade de suplementação deve ser avaliada individualmente.

Conclusão

A combinação de estrogénio e testosterona apresentou resultados promissores na densidade mineral óssea da coluna lombar, mas a evidência disponível ainda é insuficiente para recomendar esta abordagem de forma generalizada. A proteção dos ossos deve continuar a assentar numa avaliação clínica adequada, exercício físico adaptado, alimentação equilibrada e tratamentos escolhidos de acordo com as necessidades de cada mulher.

Vídeo: menopausa e osteoporose

Este vídeo da British Menopause Society explica o que é a osteoporose, a relação entre menopausa e saúde óssea, a avaliação da densidade óssea e as opções de prevenção e tratamento.

Posso ajudar

O exercício físico pode ajudar a preservar a força, o equilíbrio e a autonomia ao longo do envelhecimento. Posso ajudar a adaptar o treino à sua condição física, experiência e objetivos, com progressão individualizada e atenção às limitações existentes.

Referências científicas

  • Davis S. et al. Effect of Combined Estrogen and Testosterone Therapy on Bone Mineral Density in Postmenopausal Women. Resumo científico apresentado na reunião anual de 2026 da The Menopause Society.
  • The Menopause Society. Combined Estrogen and Testosterone Therapy Increases Lumbar Spine Bone Mineral Density. Comunicado de imprensa, outubro de 2026.
  • The Menopause Society. Informação para doentes sobre terapêutica hormonal na menopausa.

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Nota: artigo informativo. Não substitui uma avaliação médica nem aconselhamento individualizado sobre terapêutica hormonal.