Como avalio antes de escolher o exercício

Como avalio antes de escolher o exercício October 11, 2026Leave a comment

Quando uma pessoa chega até mim com uma dor ou uma limitação, uma das primeiras coisas que procuro perceber é que nem sempre o local onde existe dor é necessariamente o local onde está a origem do problema.

É uma ideia simples, mas que influencia muito a forma como trabalho. Se alguém me diz que tem dor no joelho, por exemplo, não começo automaticamente por escolher exercícios para o joelho. Primeiro tento perceber o que está a acontecer à volta dele e, sobretudo, como aquela pessoa se movimenta.

Não tenho uma sequência fixa de testes que aplico da mesma maneira a toda a gente. A avaliação vai sendo construída de acordo com aquilo que encontro.

O joelho pode ser apenas o ponto onde a pessoa sente o problema

Imaginemos uma pessoa que chega com uma queixa no joelho. Antes de olhar exclusivamente para a articulação, procuro perceber como está a anca.

Observo amplitudes de movimento, incluindo flexão, extensão, adução e abdução, e procuro perceber se existe alguma diferença significativa entre os dois lados.

Depois posso explorar outras zonas que influenciam o movimento. Por exemplo, a relação entre o joelho e o pé, a capacidade de controlar o apoio e o comportamento de músculos que participam na estabilidade do membro inferior.

É aqui que uma avaliação deixa de ser apenas uma procura pelo local da dor e passa a ser uma tentativa de compreender o movimento como um todo.

Comparar os dois lados pode revelar muito

Uma das ferramentas mais simples que utilizo é a comparação.

Quando existe uma diferença evidente entre uma perna e outra, isso pode ajudar a orientar a avaliação. Pode existir uma diferença de força, de mobilidade, de controlo, de estabilidade ou simplesmente uma estratégia de movimento diferente.

Até o volume aparente da massa muscular pode fornecer alguma informação, embora nunca seja suficiente, por si só, para concluir que existe um défice de força.

Depois podemos recorrer ao movimento. Um agachamento unilateral, um step, um lunge ou outra tarefa adequada à pessoa pode mostrar diferenças que não eram tão evidentes quando estávamos apenas a observar a pessoa parada.

Mas o exercício escolhido também depende da pessoa. Um teste que é perfeitamente adequado para um atleta pode ser inadequado para alguém sedentário, com dor ou com pouca capacidade funcional.

Não avalio toda a gente da mesma maneira

Este é um ponto importante do meu método.

Não acredito que uma avaliação tenha de ser obrigatoriamente igual para todas as pessoas. Os testes devem ser suficientemente exigentes para fornecer informação, mas suficientemente acessíveis para que a pessoa os consiga realizar com segurança e qualidade.

Num atleta, posso conseguir explorar rapidamente força, controlo, estabilidade e capacidade de produzir movimento. Numa pessoa sedentária, a mesma avaliação pode começar por tarefas muito mais simples.

Se uma pessoa tem dificuldade em andar ou está claramente a coxear, por exemplo, não faz sentido começar imediatamente por tarefas complexas. Posso precisar de perceber primeiro se existe uma limitação de força, uma alteração do movimento, uma restrição de mobilidade ou até sinais que indiquem que a origem da queixa pode não estar onde inicialmente parecia.

Não existe uma ordem rígida

Durante muito tempo, é fácil pensar numa avaliação como uma lista: primeiro força, depois mobilidade, depois equilíbrio, depois coordenação e finalmente estabilidade.

Na minha prática não funciona necessariamente assim.

Se a pessoa apresenta uma limitação muito evidente, começo por aquilo que me pode dar mais informação naquele momento. Posso testar força manualmente. Posso observar a marcha. Posso avaliar uma amplitude. Posso utilizar um exercício simples. Ou posso trabalhar uma determinada zona através de mobilização ou alongamento e voltar a observar o movimento.

A resposta obtida ajuda-me a decidir o passo seguinte.

É quase como montar um puzzle. Cada observação acrescenta uma peça e algumas peças tornam-se mais importantes do que outras à medida que a avaliação avança.

O movimento também é uma forma de avaliação

Nem sempre preciso de um teste formal para perceber que existe uma dificuldade.

A forma como uma pessoa se levanta, anda, sobe um degrau, faz um agachamento ou executa um movimento simples pode fornecer muita informação.

Por vezes, a diferença entre as duas pernas é evidente. Noutras situações, só aparece quando aumento ligeiramente a dificuldade da tarefa.

É por isso que gosto de observar a pessoa em movimento e não apenas analisar resultados isolados. O corpo não funciona como um conjunto de músculos independentes. Existe uma relação constante entre mobilidade, força, controlo motor, equilíbrio e estabilidade.

A dor também faz parte da avaliação

Outra informação fundamental é o relato da própria pessoa.

No caso de uma dor no joelho, por exemplo, procuro perceber onde exatamente dói, quando aparece, que movimentos a provocam, se existe diferença entre caminhar, subir ou descer escadas, agachar ou permanecer sentado, e como a pessoa descreve aquilo que sente.

Não procuro apenas saber “onde dói”. Procuro perceber o comportamento da dor dentro do movimento e da vida diária.

Essa informação, cruzada com aquilo que observo e testo, ajuda-me a decidir o que merece ser trabalhado primeiro.

O primeiro exercício nem sempre é o exercício que parece mais óbvio

Depois da avaliação, a minha preocupação não é encontrar o exercício mais sofisticado. É encontrar o exercício que faz sentido para aquela pessoa naquele momento.

Se existe uma limitação de mobilidade que condiciona claramente o movimento, talvez seja essa a primeira questão a trabalhar. Se existe falta de força, posso precisar de criar condições para desenvolver essa capacidade. Se o problema está sobretudo no controlo do movimento, aumentar simplesmente a carga pode não ser a melhor solução.

E isto pode mudar ao longo do processo.

Uma pessoa pode começar por precisar de recuperar mobilidade e, algumas semanas depois, a prioridade passar a ser força. Mais tarde, pode ser necessário trabalhar controlo, estabilidade ou capacidade de executar movimentos mais exigentes.

Conhecimento não é o mesmo que mostrar tudo o que sabemos

Poderia aprofundar muito mais cada uma destas avaliações, testes e formas de intervenção. Tenho conhecimento e formação para explorar diferentes possibilidades, mas procuro mostrar aqui aquilo que realmente faz parte da minha prática profissional e que utilizo no acompanhamento das pessoas.

Prefiro falar do que faço, e não apenas do que sei.

Para mim, essa é também uma questão de responsabilidade profissional. Um método não deve ser apresentado como uma coleção de técnicas. Deve ser percebido através da forma como essas ferramentas são utilizadas para resolver problemas concretos.

O meu método é adaptável

No fundo, é isto que procuro fazer: observar, testar, interpretar e adaptar.

Não parto da ideia de que todas as pessoas precisam da mesma avaliação ou dos mesmos exercícios. Parto da pessoa que tenho à minha frente, do seu objetivo, das suas limitações, da sua experiência de treino e daquilo que o seu movimento me está a mostrar naquele momento.

Por isso, duas pessoas com a mesma queixa podem acabar com exercícios completamente diferentes.

O objetivo não é complicar a avaliação. É evitar simplificá-la demasiado.

Posso ajudar

Ajudo pessoas a treinar de forma individualizada, adaptando exercícios, carga e estratégia às suas capacidades, limitações, objetivos e ao momento em que se encontram.

 

Leia também

 

 

Referências