O golfe exige muito mais do que técnica e precisão. Durante o swing, o jogador tem de coordenar os movimentos da bacia e do tronco, controlar o equilíbrio e produzir força através dos membros inferiores. Estas exigências tornam a preparação física uma componente importante para quem pretende jogar com maior consistência e manter a capacidade de praticar a modalidade ao longo dos anos.
Um estudo publicado em 2026 investigou os efeitos de um programa que combinava exercícios de estabilização do tronco e fortalecimento dos membros inferiores em golfistas amadores com dor lombar inespecífica. Os resultados ajudam a compreender a importância de uma abordagem funcional que não se limite a praticar o swing.
O que investigaram os cientistas?
O estudo de Kang e colaboradores, publicado no Journal of Back and Musculoskeletal Rehabilitation, incluiu 30 golfistas amadores com dor lombar inespecífica. Os participantes foram distribuídos aleatoriamente por dois grupos, com 15 pessoas em cada um.
Durante seis semanas, o primeiro grupo realizou um programa de estabilização do tronco e fortalecimento dos membros inferiores. O segundo grupo praticou exercícios de swing e alongamentos. Ambos treinaram durante 40 minutos por sessão, quatro vezes por semana.
Os investigadores avaliaram a dor, a incapacidade, o equilíbrio e indicadores de desempenho no golfe, incluindo a distância com o driver e a velocidade da bola.
Menos dor e melhor capacidade funcional
Os resultados favoreceram o programa combinado de força e estabilização na redução da dor lombar e da incapacidade. O grupo de intervenção também apresentou melhorias superiores em várias medidas de equilíbrio.
Estes resultados são relevantes porque a dor pode limitar a capacidade de treinar, praticar o swing e realizar outras atividades quotidianas. Melhorar a força e o controlo do movimento pode ajudar a recuperar capacidade física, embora o estudo não demonstre que o mesmo programa funcione de forma idêntica para todos os golfistas.
Importa também distinguir tratamento de prevenção. Os participantes já apresentavam dor lombar, pelo que não podemos concluir que este programa previna necessariamente o aparecimento de lesões em pessoas sem sintomas.
Porque são importantes as pernas e o tronco no golfe?
Durante o swing, os membros inferiores contribuem para a produção e transferência de força, enquanto a bacia e o tronco coordenam a rotação. A estabilidade não significa manter o corpo imóvel: significa controlar o movimento e gerir as forças envolvidas.
O fortalecimento dos membros inferiores pode incluir agachamentos, subidas de degraus e exercícios de força adaptados à experiência do jogador. Para o tronco, podem utilizar-se exercícios como bird-dog, pranchas e movimentos de rotação com resistência, escolhidos de acordo com os objetivos e a tolerância individual.
Estes exercícios são exemplos de aplicação prática, não uma reprodução exata do protocolo utilizado no estudo. A escolha deve considerar a mobilidade, a força, a técnica e a presença de sintomas.
O treino funcional pode melhorar o desempenho?
O estudo identificou melhorias na distância com o driver e na velocidade da bola ao longo do programa, mas estes indicadores melhoraram nos dois grupos. Por isso, não devemos atribuir todos os ganhos exclusivamente ao treino de força e estabilização.
A principal conclusão é mais específica: nos golfistas amadores com dor lombar estudados, a combinação de exercícios para o tronco e os membros inferiores apresentou vantagens na dor, na incapacidade e no equilíbrio, quando comparada com swing e alongamentos.
Para melhorar o desempenho, o treino físico deve complementar a prática técnica. Mais força, por si só, não garante um swing mais eficiente, porque a coordenação, a mobilidade, a técnica e a experiência também influenciam o resultado.
Como adaptar o treino a cada golfista?
Na minha experiência, prefiro começar por perceber como a pessoa se movimenta, quais são as suas limitações e o que pretende melhorar. Um jogador com pouca força pode precisar de exercícios básicos antes de introduzir rotações rápidas. Outro, com boa força mas limitações de mobilidade, poderá beneficiar de uma abordagem diferente.
Nem sempre faço isto da mesma maneira. Ajusto a carga, a amplitude e a dificuldade de acordo com a resposta individual. Quando existe dor persistente, o plano deve ser articulado com um profissional de saúde adequado, sobretudo se os sintomas forem intensos ou estiverem a agravar-se.
Vídeo ilustrativo: mobilidade, estabilidade e equilíbrio no golfe
Este vídeo, em inglês, apresenta exercícios orientados para a mobilidade, o equilíbrio e o controlo do movimento, capacidades importantes na preparação física de golfistas.
Conclusão
O estudo de 2026 reforça a importância de combinar estabilização do tronco e fortalecimento dos membros inferiores no treino de golfistas amadores com dor lombar. A preparação funcional deve ser progressiva, individualizada e complementar à prática do swing. O objetivo é desenvolver capacidade física, melhorar o controlo do movimento e permitir uma participação mais confortável e consistente no golfe.
Posso ajudar
Ajudo pessoas dos 40 aos 80 anos a melhorar a força, a mobilidade, o equilíbrio e o controlo motor através de treino personalizado. Adapto os exercícios aos objetivos e às limitações individuais, procurando uma evolução consistente e adequada às exigências da vida diária e do desporto.
Referências
- Kang N-Y et al. (2026). Effects of trunk stabilization and lower extremity strength training on pain, disability, balance and golf performance in amateur golfers with nonspecific low back pain. Journal of Back and Musculoskeletal Rehabilitation.
- Texto científico e DOI do estudo de Kang e colaboradores.
- Titleist Tips — Lower Back Pain in Golf and How to Address It.
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