No golfe, a técnica é fundamental, mas a preparação física também pode influenciar o desempenho. A capacidade de produzir força, desenvolver potência e coordenar os movimentos do corpo contribui para a velocidade do swing e para a distância que a bola percorre. Um estudo publicado em 2026 reforça a importância de integrar o treino de força na preparação física de golfistas de elite.
O que investigou o estudo de 2026?
Martin Johansen e colaboradores apresentaram um estudo sobre os efeitos de um programa de 16 semanas de treino de força progressiva em golfistas de elite associados à seleção nacional dinamarquesa. Participaram 40 jogadores, distribuídos por um grupo de intervenção e um grupo de controlo.
O programa incluiu quatro sessões semanais de treino de resistência, com cargas que progrediram aproximadamente de 12 para 5 repetições máximas. O grupo de controlo manteve a sua rotina habitual de treino.
Os investigadores avaliaram a velocidade da cabeça do taco, a distância com o driver e com o ferro 6, além de indicadores de força muscular e potência. Os resultados foram publicados como resumo científico no BMJ Open Sport & Exercise Medicine.
O treino de força aumentou a distância?
Após as 16 semanas, os homens do grupo de intervenção melhoraram aproximadamente 4% a velocidade da cabeça do taco e a distância total com o driver. Nas mulheres, a velocidade aumentou também cerca de 4%, enquanto a distância total melhorou aproximadamente 6%.
Foram observadas melhorias semelhantes na velocidade e na distância com o ferro 6. O grupo de controlo não apresentou alterações comparáveis nestes indicadores.
Estes resultados sugerem que um programa estruturado de treino de força pode contribuir para melhorar o desempenho do swing em golfistas de elite. Contudo, trata-se de um resumo científico, e não de um artigo completo com todos os detalhes metodológicos. Os resultados também não garantem que jogadores recreativos obtenham os mesmos ganhos.
Porque é importante desenvolver força e potência?
A força máxima corresponde à capacidade de produzir força contra uma resistência. A potência envolve produzir força rapidamente. No golfe, ambas podem contribuir para a capacidade de acelerar o taco durante o swing.
O estudo incluiu exercícios para desenvolver a força dos membros inferiores e superiores, a potência do salto e a capacidade de produzir potência rotacional com o tronco. Estas componentes ajudam a compreender por que razão a preparação física não deve concentrar-se apenas nos braços ou na execução repetida do swing.
Na prática, exercícios como agachamentos, remadas, empurrar cargas, saltos adaptados e rotações com resistência podem fazer parte de um programa de preparação física. A seleção depende da experiência, da condição física e das necessidades de cada golfista.
Como aplicar o treino funcional ao golfe?
O treino funcional deve desenvolver capacidades relevantes para o jogador sem procurar imitar o swing em todos os exercícios. A musculação permite trabalhar a força de forma progressiva, enquanto os exercícios específicos ajudam a transferir determinadas capacidades para as exigências da modalidade.
Uma sessão pode incluir exercícios de força dos membros inferiores, trabalho de puxar e empurrar, exercícios de controlo do tronco e movimentos de potência adequados ao nível do praticante. A prática técnica do golfe continua a ser indispensável.
O vídeo seguinte, em inglês, apresenta uma explicação prática sobre a relação entre preparação física, força e distância no golfe.
O treino deve ser adaptado à idade e à experiência
Um golfista profissional e uma pessoa que joga ao fim de semana não precisam necessariamente do mesmo programa. A experiência de treino, a mobilidade, a força inicial, o historial de lesões e o tempo disponível influenciam a prescrição.
Na minha experiência, prefiro começar por avaliar as capacidades que podem limitar o jogador. Nem sempre faço isto da mesma maneira: ajusto os exercícios e a progressão aos objetivos e à resposta individual. Para algumas pessoas, será prioritário desenvolver força; para outras, melhorar o controlo do movimento ou trabalhar limitações de mobilidade.
Também é importante gerir a carga total. Quatro sessões semanais de força, como no estudo, representam uma intervenção exigente e não constituem uma recomendação universal para todos os golfistas.
Conclusão
O estudo de Johansen e colaboradores sugere que 16 semanas de treino de força progressiva podem melhorar a velocidade do swing e a distância com diferentes tacos em golfistas de elite. A preparação física deve complementar a técnica, combinando força, potência e controlo do movimento. A melhor estratégia é aquela que respeita a condição física do jogador e permite progredir de forma consistente.
Posso ajudar
Ajudo pessoas dos 40 aos 80 anos a melhorar a força, a mobilidade, o equilíbrio e o controlo motor através de treino personalizado. Adapto os exercícios aos objetivos e às limitações individuais, procurando uma evolução consistente e adequada às exigências da vida diária e do desporto.
Referências
- Johansen M. e colaboradores (2026). Adaptations in golf swing performance following 16-week strength training intervention in Elite Golfers. BMJ Open Sport & Exercise Medicine.
- Middlesex University Research Repository — resumo e resultados do estudo.
- Titleist — The Need for Speed: preparação física e distância no golfe.
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